Direita “científica”
Virada nas eleições da Câmara escancarou a falta de princípios da direita golpista

Por: Redação do Diário Causa Operária

Em menos de um mês, o então presidente da Câmara, o golpista Rodrigo Maia (DEM-RJ), despencou do posto de dono do Congresso e articulador do “bloco dos onze” para o de humilhantemente derrotado na tentativa de fazer seu sucessor. Segundo a imprensa burguesa, ele poderá, inclusive, deixar o DEM, tamanha a desmoralização. Pode ser, também, que a ameaça seja pura chantagem. Mesmo assim, demonstra a posição defensiva, resultado de uma total perda de controle da situação.

Pois esse mesmo Rodrigo Maia era, até pouco tempo, elogiado por toda a esquerda nacional. Quando lançou a candidatura de Baleia Rossi (MDB), Maia chegou a publicar cartas e manifestos junto com o PT e o PCdoB, em que falavam da necessidade de as “luzes” vencerem as trevas. O PSOL, embora de maneira mais discreta, lançando uma candidatura própria, declarou apoio a Baleia Rossi no segundo turno das eleições e endossou que essa seria a candidatura da “democracia”.

Só não seria “democrático” o próprio Jair Bolsonaro e Arthur Lira (PP). O próprio partido de Arthur Lira seria “democrático” para essa esquerda, já que Rodrigo Maia havia cogitado lançar Aguinaldo Ribeiro, também do PP, como candidato. Tanto é assim que, no Senado, a esquerda parlamentar decidiu declarar apoio a Rodrigo Pacheco, do DEM, partido da ditadura militar! E não é só isso: Rodrigo Pacheco também é apoiado pelo próprio presidente ilegítimo.

Depois de muito vexame e de muita enrolação, a esquerda viu, novamente, sua política de colaboração de classes naufragar completamente. O DEM, partido apresentado como grande aliado na luta contra o fascismo, pulou fora da aliança com Baleia Rossi. E a esquerda ficou com o mico na mão, apoiando, sozinha, o vigarista, golpista e inimigo do povo Baleia Rossi.

E isso não é tudo. Depois que a maioria dos parlamentares viram que tinham mais a ganhar apoiando o candidato bolsonarista — isto é, mais valiam os cargos nos ministérios do presidente ilegítimo do que os cargos que Rodrigo Maia poderia prometer —, o chamado “centrão” está se convencendo de que Bolsonaro é a melhor opção para as eleições de 2022. Isto é: de que a direita nacional, que hoje se organiza por trás de João Doria (PSDB), não conseguirá levar adiante uma candidatura competitiva.

De acordo com coluna publicada por Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, deputados do DEM já estão comentando com naturalidade o apoio à reeleição de Bolsonaro. O possível apoio do DEM a Bolsonaro, inclusive, ganha muito mais força agora que Rodrigo Maia foi derrotado. Afinal, como Maia é um político mais integrado aos setores mais pró-imperialistas da burguesia, ele procurava viabilizar a candidatura de João Doria ou de Luciano Huck.

O fato de que o DEM, antes apontado como um grande aliado da esquerda — vale lembrar, inclusive, que Rodrigo Maia e Ronaldo Caiado foram apresentados como grandes heróis durante a pandemia —, já pensa em apoiar Bolsonaro em 2022 revela o fiasco total da política de frente ampla. Revela, por exemplo, que ela não é uma frente disposta a combater Bolsonaro e a derrotar as correntes antidemocráticas.

O único objetivo dos partidos burgueses que compõem a frente ampla é tentar retomar o governo federal, uma vez que se encontram muito desmoralizados e perderam espaço para a extrema-direita. O que o PSDB e alguns setores do DEM querem é tão somente poder voltar a distribuir os cargos do regime para os seus, e não ficarem na dependência de acordos com o imprevisível Bolsonaro.

Mesmo a direita tendo alguns motivos reais para se opor a Bolsonaro — o PSDB, por exemplo, acusa, justamente, Bolsonaro de privatizar “de menos” —, a burguesia não pensará duas vezes em apoiar a extrema-direita futuramente quando houver um embate entre a esquerda e a extrema-direita. Foi o que aconteceu, por exemplo, em 2018, quando Bolsonaro saiu vitorioso justamente por esse apoio da direita.

O desastre da política da frente ampla também mostra que a esquerda deve ter uma política completamente independente da burguesia. Neste sentido, em vez de ficar a reboque do DEM, do MDB ou do PSDB, é preciso mobilizar os trabalhadores em torno do Fora Bolsonaro e todos os golpistas, Eleições gerais e Lula presidente.

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