Delírio olavete: Ernesto Araújo fala em “ameaça terrorista” na Venezuela

Ernesto-Araújo

Da redação – De volta hoje (20) ao Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, continua fazendo declarações exóticas. Araújo foi indicado pelo guru de Bolsonaro, o astrólogo Olavo de Carvalho, professor de filosofia em um curso ministrado pela Internet. O Itamaraty convocou uma coletiva de imprensa, oportunidade para Araújo dizer que está preocupado com uma suposta “ameaça terrorista” na Venezuela.

 

Amarrem o louco!

O ministro olavete afirmou o seguinte durante a entrevista: “Até recentemente, não se admitia que havia terrorismo na América do Sul, e hoje se sabe por inteligência que isso pode ser uma ameaça e que isso é uma ameaça à Venezuela”.

De fato, o terrorismo da extrema-direita e de grupos ligados aos EUA ameaçam a Venezuela há muito tempo, incluindo sabotagem da infraestrutura do país e tentativas de assassinar o presidente eleito e legítimo, Nicolás Maduro. Mas não é disso, de fatos da vida real, que o ministro perturbado estava falando.

Uma pergunta de um dos jornalistas ajuda a ilustrar no que o chanceler estava pensando: estaria o Hezbollah na Venezuela? Ernesto Araújo não disse que não, e completou dizendo o seguinte: “Temos preocupação com a presença de elementos terroristas na Venezuela […] é algo que precisa ser monitorado”.

 

É o Ernesto Araújo, mas não rasga dinheiro

Apesar do teor extravagante dessas declarações, não se trata simplesmente de “olavismo cultural”. Por trás dessas afirmações há uma política real. O mundo paralelo criado pela extrema-direita serve para intervir no mundo normal, material e palpável. Para o governo golpista invadir a Venezuela, qualquer desculpa serve. Bolsonaro não descartou, ontem nos EUA, permitir que os EUa usem o território brasileiro para uma invasão da Venezuela. Ou mesmo invadir a Venezuela, com apoio dos EUA.

 

Para que serve o “pensamento” da extrema-direita

Portanto, os delírios de Olavo de Carvalho, por mais engraçados que possam parecer, podem servir tanto para dar coesão à base bolsonarista quanto para justificar, por exemplo, o envio de brasileiros para morrer em uma guerra contra um país vizinho. Servem de pretexto ideológico para a matança entre dois povos latino-americanos em proveito dos interesses de grandes capitalistas dos EUA, donos de petroleiras que vão assistir a guerra pela TV enquanto suas ações se valorizam em Wall Street.