“Ei, Bolsonaro, VTNC!”
A esquerda dedicada a atacar as tendências dos explorados de manifestarem sua revolta
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
fora-bolsonaro-tempo-de-noticia-not6057
Foto Arquivo DCO. |

No sítio Brasil 247, tivemos contato com uma coluna sobre os gritos que têm se espalhado no País: “ei, Bolsonaro, VTNC!”. Assinada por Pedro Simonard, com o título de “Ei, Kerensky…!”, critica o uso dessa palavra de ordem pela população nas ruas, festivais e principalmente em atos políticos.

O autor procura se desvencilhar da crítica moralista, que setores da esquerda pequeno-burguesa reproduziram, principalmente depois que o então presidente da CUT, Vagner Freitas, chamou os delegados do Congresso da entidade a cantarem tal palavra de ordem. “A crítica moralista à palavra de ordem da moda é infrutífera porque não é realizada sobre uma base social e filosófica coerente”, afirma.

O que o autor parece não compreender é que o moralismo das críticas aos palavrões serve apenas como uma fachada para uma posição política desses setores da esquerda. Para não ter que atacar Bolsonaro, para esconder a vontade do povo de derrubar o governo expressa nesse xingamento, esses setores da esquerda atacam o povo, exigindo “boas maneiras”. O nosso autor não condena o palavrão, mas sem o aparente moralismo, acabando caindo nessa vala comum.

O autor quer exigir do povo uma suposta politização: “Gritar “ei, Bolsonaro, vtnc!” desopila o fígado e acalma a alma, mas tem um efeito político que não vai além da demonstração da insatisfação contra o governo entreguista, na figura do chefe do Executivo.” Ou seja, o povo deveria se adequar à mente dos iluminados da esquerda e cantar palavras de ordem que tivessem estritamente um conteúdo político, se não for assim, não serve.

Com essa apreciação, o artigo acaba também fazendo coro com aqueles que afirmam que não existe uma situação política propícia para derrubar o governo Bolsonaro, afinal, toda a manifestação espontânea contra ele não passa de um extravasamento.

Mas a questão essencial é justamente essa. Quando numerosos setores das massas, de diferentes classes sociais, estão expressando à sua maneira o repúdio ao governo esse é justamente o elemento principal. Cabe às organizações de esquerda, as direções do movimento darem vazão a esse tendência, não procurar molda-la de acordo com preconceitos. Se o povo manda o presidente golpista para aquele lugar, é preciso se somar ao povo e ao mesmo tempo dar uma orientação política consciente à essa tendência espontânea.

O autor do texto critica particularmente o uso da palavra de ordem nos atos e atividades política: “Problema é ela ser repetida em um espaço politizado como o congresso nacional da maior e mais importante central sindical do Brasil ou durante manifestações e protestos políticos.” O ex-presidente da CUT estaria errado em dar vazão ao que o povo está cantando.

Se manda Bolsonaro ir tomar naquele lugar é insuficiente, é preciso ampliar a palavra de ordem, politizar, mas isso não significa que deveríamos ignorar ou repreender o povo, pelo contrário. É cantando junto com o povo que iremos colocar também as demais palavras de ordem, não se colocando contra ele.

Enquanto vários setores se dedicaram a criticar Vagner Freitas, o que foi feito contra Bolsonaro? Absolutamente nada. Apenas se dedicaram a atacar o ex-presidente da CUT. Entre o chamado de Freitas e a paralisia completa da esquerda não teremos dúvida de que lado ficaremos.

O artigo termina afirmando que a Revolução Russa poderia não ter acontecido se a palavra de ordem fosse mandar Kerensky ir tomar naquele lugar. Difícil acreditar que as massas russas que saíram às ruas para derrubar o governo tenham feito isso usando um linguajar puro, a questão central não é essa. A questão é que lá havia um partido capaz de dar vazão à insatisfação do povo e canaliza-la para a tomada do poder e não ficar contra ele.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas