Defesa de Assange no Equador recusa entrega de pertences aos EUA

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Quito, 13 maio (Prensa Latina)* A defesa do australiano Julian Assange opôs-se hoje legalmente, à entrega aos Estados Unidos de pertences que o ciberativista deixou na embaixada do Equador em Londres, onde esteve asilado quase sete anos.

 

Carlos Poveda, membro da equipe legal do fundador do portal site Wikileaks neste país sul americano, entregou o documento diante da Promotoria Geral do Estado, que anunciou a diligência com autoridades do país nortista para o próximo 20 de maio.

Nesse dia, se realizará a entrega na missão diplomática equatoriana no Reino Unido, como parte da cooperação internacional solicitada por Washington, segundo indicou a instância.

Segundo aclarou Poveda, a equipe legal do informático não foi notificada da nova ação, autorizada por um juiz desde 1 de maio último, e que acordou numerosas críticas dentro e fora deste país andino desde a sua difusão em meios de imprensa no fim de semana.

A respeito acrescentou que também não se respeitou a corrente de custódia dos pertences, as quais, em seu critério, devem permanecer em solo equatoriano e fez questão de que seu direito à defesa segue sem respeito.

Julian Assange permaneceu asilado na embaixada de Quito em Londres desde 2012 até o passado mês de abril, quando o executivo nacional lhe retirou essa condição e cancelou, também, a naturalização que lhe outorgou a chancelaria em dezembro de 2017.

De imediato foi detido pelas forças policiais britânicas e a justiça da nação européia sentenciou-o a 50 semanas de prisão por descumprir os parâmetros de sua liberdade provisória ao solicitar asilo no Equador, enquanto enfrentava um processo de supostos delitos sexuais na Suécia, caso arquivado anos depois.

O temor de Assange e sua defesa sempre tem sido que o extraditem para os Estados Unidos, onde poderia enfrentar severos castigos, até a pena de morte, pela difusão, através de Wikileaks, de milhares de documentos sobre práticas irregulares da administração nortista.

Ainda que Quito defende que atuou em estrito apego a seus direitos e sem violar nenhum regulamento internacional, os advogados do australiano, ativistas pelos direitos humanos e organizações sociais, entre outros, consideram como uma traição a posição adotada pelo executivo.

O caso Assange piorou com a reabertura esta mesma jornada do processo contra ele na Suécia, enquanto realizam-se também trâmites para sua extradição para os Estado Unidos, apesar de declarações do chanceler, José Valencia, sobre notificações de Londres nas quais assegurava que não o enviariam a nações onde sua vida pudesse correr perigo.

* Os artigos reproduzidos não expressam necessariamente a opinião deste diário ou do Partido da Causa Operária