Descriminalização do aborto já
A legalização do aborto é uma pauta urgente que deve ser discutida radicalmente em todo o mundo, a fim de libertar as mulheres do peso de uma gravidez indesejada

Por: Redação do Diário Causa Operária

A questão do aborto, da saúde e da segurança da mulher ainda são temas que possuem diversos obstáculos para avançar no sentido de garanti-los plenamente às mulheres. O Estado ainda sentencia centenas de mulheres à morte, todos os dias, quando nega o acesso ao aborto legal e seguro, ou mesmo nos casos de países onde o aborto é legalizado, o Estado falha em não garantir a obrigatoriedade dos hospitais em realizarem o procedimento. Esse é o caso da Itália, onde o aborto é legalizado desde 1978.

Apesar de não ser crime, os médicos na Itália podem se recusar a fazer o procedimento quando se alega “objeção moral”. Assim aconteceu com Vallentina Milluzo, que morreu em 2016 quando teve seus pedidos de aborto negado por sete médicos. Mesmo sabendo que os gêmeos de Vallentina não teriam chances de sobreviver, os médicos italianos alegaram a tal “objeção moral”, afirmando que nada poderiam fazer enquanto o coração dos fetos ainda batessem, mesmo que isso custasse a vida de Vallentina.

Esse fato é reflexo do comportamento da direita, que a partir de falsos moralismos, muito cinismo, hipocrisia e demagogia pregam que são a favor da vida, contudo, permitem que a vida de uma mulher seja tirada, afinal, para os conservadores, a mulher pobre é simplesmente uma encubadora, a responsável pela reprodução e manutenção de mão-de-obra. Além do mais, é claro que esses pedidos de aborto que são negados vêm de mulheres da classe trabalhadora, que possuem pouco acesso aos métodos mais caros, como clínicas etc.

Na realidade, o que os conservadores que tomam conta do Estado querem é controlar as mulheres. A vida dessas mulheres é colocada em risco por uma questão meramente moral, e que esconde essa ditadura contra metade da população. Vallentina é a prova de que o aborto tem que ser descriminalizado urgentemente em todo o mundo, e o Estado deve garantir que os hospitais e clínicas realizem o procedimento de forma segura e gratuita, sem restrições. Somente a organização das mulheres contra a opressão e exploração do Estado sobre seus corpos surtirá algum efeito na vida desse setor tão oprimido da população.

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