Defesa da mulher não pode ser cobertura para o oportunismo político

DIA DO TRABALHO / FORCA SINDICAL

Todas as terças-feiras, às 16h, Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, participa do programa Análise Política na TV 247. Durante o penúltimo programa, que foi ao ar no dia 8, Rui Costa Pimenta Pimenta criticou a candidatura de Manuela D’Ávila, candidata à presidência da República pelo PCdoB. O presidente do PCO denunciou o caráter artificial da candidatura do PCdoB, diante da declaração do governador do Maranhão, Flávio Dino, figura proeminente do PCdoB, de que a esquerda deveria se unir em apoio ao candidato Ciro Gomes, atualmente no PDT. Dino declarou à Folha de S. Paulo que, “sem Lula, PT, PcdoB e PSOL devem apoiar Ciro”.

Segundo Rui Costa Pimenta, a declaração de Flávio Dino revelou a manobra do PCdoB ao lançar uma candidatura própria, já com a intenção de apoiar Ciro Gomes desde o começo:

Primeiramente essa declaração é reveladora dos motivos que levaram o PCdoB a lançar a candidatura da Manuela D’Ávila. A gente sempre disse que era uma candidatura artificial. Eles lançaram a candidatura da Manuela D’Ávila para não apoiar o PT e abrir caminho para chegar a um acordo com o Ciro Gomes. É isso que está acontecendo. Isso vem desde o começo da história. O PCdoB nunca lançou candidato. E agora decidiram, justamente no momento do golpe, quando o Lula está ameaçado de prisão, lançar um candidato que todo o mundo percebe que tem um caráter muito artificial. Por que lançaram esse candidato? Para criar uma delimitação com a candidatura do Lula. Agora propõem tirar essa candidatura para apoiar o Ciro Gomes. É claro que essa manobra vem de muito tempo.

Em resposta a essa crítica, Manuela D’Ávila disse o seguinte ao Brasil 247: “Me surpreende esta posição machista. Candidatura artificial? Eu sou parlamentar há 15 anos, milito há 20 no PCdoB e não é da nossa tradição termos posições artificiais”. Essa declaração, como a própria candidatura de Manuela D’Ávila, também é uma manobra. Evita tocar na crítica em si para fazer um ataque pessoal ao autor da crítica. Além disso, tenta apresentar esse ataque como uma defesa das mulheres quando a crítica é diretamente à candidatura de Manuela e não ao fato dessa candidatura ser de uma mulher. O fato da pré-candidata ter uma vida política não invalida o fato da candidatura ser artificial. Manuela D’Ávila é uma “opção” do PCdoB que pode ser descartado a qualquer momento, como está sendo feito agora com a declaração de Flavio Dino.

Esse é um típico procedimento fraudulento da esquerda pequeno burguesa. A defesa da mulher não deve servir para encobrir o oportunismo político. A candidatura de Manuela D’Ávila é artificial por um motivo muito claro e concreto. Serve para o PCdoB apoiar Ciro Gomes nas eleições. É de conhecimento público que o PCdoB apoiou a candidatura de Lula em todas as eleições anteriores e neste ano, em meio ao golpe e à perseguição ao Lula lança uma candidatura própria que apresentou para apresentar uma alternativa, mas assim que o Lula foi para a cadeia está considerando se aliar a Ciro Gomes e rifar a tão  falada candidatura “alternativa”.

Veja abaixo a Análise Política do dia 8, no ponto em que Rui Costa Pimenta critica a candidatura apresentada pelo PCdoB: