Defensores do “plano B” falam de “unidade” contra Lula

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Um evento que teve lugar na sexta-feira, em São Paulo, na Casa do Povo, reuniu os coordenadores dos programas dos pré candidatos à presidência do chamado campo progressista, Manuela D’Ávila (PcdoB), Ciro Gomes (PDT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O tema em discussão foi uma possível união das candidaturas de esquerda ao Planalto.

Os representantes das candidaturas de Ciro, economista Nelson Marconi, e de Manuela, Luís Fernandes, defenderam uma união já no primeiro turno no que encontraram oposição do representante do PT, Fernando Haddad, que afirmou que o partido não abrirá mão da candidatura de Lula.

A insignificância desse evento salta aos olhos de saída pela presença do representante do pré-candidato Ciro Gomes que jamais foi de esquerda e que nas últimas semanas tem admitido abertamente não estar nesse campo. Sua aproximação com o DEM e a sua declaração a um jornal estadunidense de que o Brasil não mais suporta um governo de esquerda deveria ser mais do que suficiente para afastar qualquer equívoco quanto ao seu posicionamento ideológico e quanto às medidas que colocaria em prática caso fosse eleito.

Também ressalta o fato de que no evento, conforme noticiado, nada foi discutido quanto ao grave e deteriorante quadro institucional que o País atravessa. O que pode ser deduzido é que aos personagens participantes dessa conversa a única coisa que importa é conseguir o emprego de presidente da república e seus acessórios sem qualquer preocupação com o País que iriam governar caso fossem eleitos. Exceto pelo fato de que um dos pré-candidatos representados, justamente o que tem maior apoio popular e o único capaz de derrotar a direita golpista se encontra preso. um observador desavisado pensaria que o Brasil está atravessando uma fase de estabilidade e democracia.

Outro aspecto que também chama a atenção por não ter sido abordado é que o fato sem dúvida mais importante da política nestes dias, está no fato de que se a direita mantém Lula como preso político e impede sua candidatura, as eleições não serão mais do que uma fraude, para legitimar um “novo” governo golpista, o que parece não ser assunto que preocupe os representantes dos outros presidenciáveis que somados possuem 7% das intenções de votos segundo as pesquisas.

As eleições deste ano vão se caracterizando pela impressionante falta de popularidade de todos os que estão se apresentando como candidatos tanto na direita quanto na esquerda. Tanto nesta como naquela a preocupação parece ser a de fazer com que seja deixado de lado o único candidato que detém a maioria esmagadora da preferência popular e que tem desejo e estatura para desmontar o regime golpista instalado no Brasil. Qualquer presidente instalado no Planalto sem um grande respaldo popular estará fadado a dar continuidade ao trabalho de pilhagem de riquezas e de escravização dos trabalhadores brasileiros.

A proposta de “unidade” em torno de qualquer outro candidato que não seja Lula, não é mais do que uma armadilha para avalizar a fraude das eleições e uma nova etapa do golpe ainda mais dura contra os trabalhadores e os direitos democráticos de todo o povo.

Sem meias palavras, significa apoiar o golpe de estado, trair a classe trabalhadora e todo o povo brasileiro. Uma posição que deve ser rejeitada por todo o ativismo da luta contra o golpe e da defesa dos direitos democráticos da população.