Adiar o Congresso do Povo favorece a política abutre dos defensores do “plano b” e de Ciro Gomes

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Na última segunda, dia 22, a Frente Brasil Popular, deliberou em reunião do seu Coletivo Nacional, por maioria dos participantes, consultar as organizações estaduais e entidades nacionais sobre o adiamento do Congresso do Povo Brasileiro, previsto para se realizar em julho e cuja fase municipal está se realizando com a participação de milhares de pessoas em todo o País.

Houve um consenso sobre a necessidade do adiamento, com a diferença de que o PCO defendeu que o congresso se realizasse – como previsto anteriormente – antes das eleições de outubro, enquanto dirigentes do PCdoB e do PT e de outras organizações que integram a FBP se colocaram a favor de realizar o Congresso apenas o período eleitoral, chegando a se apontar a possiblidade de que o mesmo fosse adiado para 2019, em fevereiro ou março.

Em todo o País forma realizados seminários preparatórios com mais de 3 mil participantes e já estão em curso etapas regionais (nas grandes cidades) e municipais do Congresso do Povo Brasileiro, cuja fase nacional está prevista para acontecer em um grande estádio de futebol.

Nas atividades realizadas até o momento expressou claramente a necessidade de uma mobilização unificada diante do avanço do golpe que há quase dois meses mantém como preso político a maior liderança popular do País e único candidato da esquerda capaz de disputar e vencer as eleições contra os candidatos golpistas e por detrás do qual se agrupa a imensa maioria das organizações que lutaram contra o golpe de estado e contra a ofensiva contra o povo

O PCO se opôs à proposta (tanto na reunião da Operativa, como na do Coletivo Nacional) apontando que a questão – nem de longe – tem a ver com um problema organizativo, como chegaram a sugerir alguns setores, mas se trata de um problema político de grande importância e está diretamente ligada ao fato de que alguns setores pressionam no interior da Frente para que o Congresso do Povo e a própria FBP não se coloquem de forma ativa e unificada diante de problemas centrais da situação política, ou seja, sobre a luta contra o golpe (diante da qual a Frente foi criada em 2015) que neste momento se concentra na luta pela liberdade de Lula e na defesa de sua candidatura à presidência da República, como representante da luta contra os golpistas e a ofensiva contra os trabalhadores e suas organizações.

A proposta de adiamento nada tem a ver com o debate que vem se realizando, por exemplo, nos congressos de base realizados até agora, que expressam majoritariamente a tendência à centralização e de luta dos explorados e de suas organizações justamente em torno de uma posicionamento claro e majoritário: a defesa de Lula e de sua candidatura presidencial, contra os golpistas.

Na reunião ficou evidente a pressão de um setor que vem defendendo uma “frente ampla” que englobe setores que não se opuseram e até que apoiaram o golpe de Estado e defendem aspectos centrais de sua política, como é o caso da “reforma” da Previdência, que não reconhecem Lula como preso político e apoiaram a intervenção militar no Rio de Janeiro, como é o caso do “candidato-abutre” Ciro Gomes.

Ciro e seu partido, o PDT, não participam da Frente mas tem como seus advogados no interior da mesma representantes do PCdoB. Estes, por exemplo, criticaram duramente – na reunião da Operativa – que no ato de 1º de Maio em Curitiba, milhares de pessoas tenham dado uma sonora vaia a outro candidato-abutre, o deputado Aldo Rebelo, ex-militante do PCdoB, ex-PSB e atualmente pré-candidato do partido Solidariedade, presidido por Paulinho da Força (Sindical). “Sindicalista” que participou da campanha golpista contra a presidenta Dilma Rousseff, votou pela “reforma” trabalhista, pela terceirização sem limites e demais medidas fundamentais do governo golpista de Temer.

De forma equivocada, setores do próprio PT apoiaram tal política na reunião sob o argumento de seria melhor aguardar o processo eleitoral para que a FBP pudesse se colocar diante da realidade estabelecida, seja diante da vitória da esquerda (o que só será possível com a participação de Lula), seja diante do triunfo dos planos macabros da direita de legitimar em eleições fraudulentas um candidato golpista, mesmo que seja disfarçado de “esquerdista”.

Esta posição equivale a uma anulação da FBP, que seria colocada diante da situação polarizada que atravessa o País, e tende a se aprofundar, como mera espectadora, deixando de lado seu papel ativo de maior organização que unificou as entidades de luta dos explorados contra o golpe e suas medidas.

É claro que dirigentes da FBP alegam que a Frente continuaria se posicionar sobre outras questões, mas não em torno da questão central capaz de mobilizar mentes e corações de milhões que é a luta contra o golpe, encarnada na defesa de Lula e de sua candidatura, como claramente percebem a maioria dos ativistas da própria frente e o eleitorado que continua a apoiar Lula, apesar da manipulação da imprensa golpista e do judiciário que o mantém preso ilegalmente.

Outro argumento usado pelos defensores do adiamento foi o de que este seria necessário para garantir a unidade da Frente, uma vez que não haveria consenso no seu interior em torno da posição amplamente majoritária de apoiar a candidatura de Lula contra o golpe. Isto evidencia que a FBP está sendo alvo – direta ou indiretamente – de uma chantagem que ameaça seriamente a sua própria existência, enquanto fato ativo na situação e que não corresponde – de fato – à própria existência da Frente que se viu, em diversos momentos, confrontada com posições divergentes.

Foi assim, por exemplo, quando o PCdoB, no começo da existência da Frente chegou a defender – ainda que envergonhadamente – que a saída para o golpe seria, em 2015, que a presidenta Dilma deveria renunciar e propor a antecipação das eleições presidenciais de 2018, o que não foi apoiado pela maioria da Frente e da esquerda (e possivelmente nem mesmo por vários setores do PCdoB).

Da mesma forma, quando o partido apoiou para a presidência da Câmara (junto com setores do PT) e para a vice-presidência da República, o golpista Rodrigo Maia, do DEM; repudiado pelas organizações dos trabalhadores e que comandou a aprovação das “reformas” de Temer e Cia. Também houve diferença na FBP quando a maioria apoiou a campanha a favor das “diretas” e pelo “fora Temer”, em 2016, deixando de lado a luta contra o golpe, expressa na luta pela anulação do impeachment defendida pelo PCO e pelos comitês de luta contra o golpe e pele anulação do impeachment.

Esta concepção, se aceita, descaracteriza também a idéia de um verdadeiro Congresso do Povo, verdadeiramente democrático, uma vez que o “povo”, ou seja, os milhares de ativistas dos movimentos de luta dos explorados só podem decidir sobre aquilo que alguns setores consideram fundamental e quando a posição conservadora e conciliadora de certos setores não possa ser rejeitada pela maioria.

A proposta de levar a discussão sobre o adiamento para as organizações estaduais da FB e entidades nacionais que a compõem, aponta no sentido de considerar a opinião de setores da base, mas de forma muito limitada, uma vez que estabelece que tais posicionamentos deveriam ser feito em 10 dias.

De qualquer forma, é preciso abrir um debate sobre esta proposta e sobre suas consequências.

Para nós do PCO, o vigor do Congresso do Povo está em que este seja uma verdadeira assembléia popular para deliberar sobre a luta dos explorados em meio a uma situação que é, de longe, a mais grave do País, das últimas décadas.

Trata-se de fazer desse fórum como um dos espaços fundamentais para lutar por uma perspectiva de classe diante do avanço do golpe de Estado que está promovendo o maior retrocesso político e econômico do País de todos os tempos.

A preparação do Congresso se dá em meio ao agravamento da situação com a prisão política e inconstitucional do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal liderança popular do País e líder absoluto nas pesquisas eleitorais. Sua prisão e cassação de seus direitos políticos, mais do que um problema eleitoral, significa um aprofundamento do golpe.

Assim, chamamos as organizações que integram a FBP, em todo o País, suas instâncias de base e os que vem participando das fases locais do Congresso do Povo a debaterem a necessidade de realizar a fase nacional ainda este ano, antes das eleições, para deliberar uma proposta de luta diante destas, e da política da direita de fraudar as eleições e aprofundar o golpe.