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Ameaças da extrema direita
Defensor de Pinochet, Bolsonaro diz que Cuba e Venezuela são ditaduras
Bolsonaro acusa Cuba e Venezuela para acobertar sua aspiração ao golpe militar e sua defesa da maior ditadura que a história já viu: o imperialismo
24/09/2019 74ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas
Ameaças da extrema direita
Defensor de Pinochet, Bolsonaro diz que Cuba e Venezuela são ditaduras
Bolsonaro acusa Cuba e Venezuela para acobertar sua aspiração ao golpe militar e sua defesa da maior ditadura que a história já viu: o imperialismo
Foto: Alan Santos/PR
24/09/2019 74ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas
Foto: Alan Santos/PR

Nessa terça (24), o golpista Jair Bolsonaro utilizou boa parte do seu discurso, na 74ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, para atacar o socialismo e acusar Cuba e Venezuela de serem ditaduras.

Bolsonaro sempre defendeu e defende ditaduras explicitamente, como as de Pinochet (Chile), de Stroessner (Paraguai) e sobretudo a ditadura militar no Brasil (1964-1985). Sua acusação contra Cuba e Venezuela não passam de um cinismo fascista tradicional para acobertar seus crimes (como os ataques aos trabalhadores brasileiros e o apoio a invasão da Venezuela) e os da extrema direita em geral atribuindo-os à esquerda, especialmente a revolucionária.

Venezuela e Cuba, que se mantém há décadas resistindo aos mais brutais ataques do imperialismo graças ao apoio massivo do seu povo aos seus regimes são os países mais democráticos da América Latina. Maduro foi eleito com quase 70% dos votos, com apoio infinitamente maior que Trump e Bolsonaro, por ex. Já em Cuba, o regime, composto pela Assembléia Nacional, pelas Assembléias Provinciais, pelas Assembléias Municipais, pelo Conselho Popular e pela Circunscrição Eleitoral, são únicos em todo mundo, estando muito a frente na participação popular do que qualquer regime burguês “democrático”. Ambos os países também possuem milícias populares e comitês populares de defesa, formados por cidadãos comuns e trabalhadores organizados em entidades sindicais. Nenhum órgão de segurança no mundo tem uma composição popular como a destes países.

Ou seja, um fascista defensor de ditaduras, como Bolsonaro, acusar governos (sobretudo de esquerda) de serem ditaduras é um cinismo absoluto, mas não é por acaso. Ele acusa justamente Cuba (que fez uma revolução socialista) e Venezuela (que tem um gov nacionalista radicalizado pelos choques contra o imperialismo na defesa das suas reservas de petróleo) porque eles representam os alvos que ele quer atacar no Brasil: as organizações da classe operária e os movimentos sociais e populares que aspiram da composição de um governo de esquerda moderado à tomada do poder. Porém, não é apenas isso, é uma campanha para implantar uma ditadura disfarçada de democracia. É de um cinismo absoluto, típico dos fascistas.

Para Bolsonaro, existe uma conspiração socialista na América Latina:

O Foro de SP, organização criminosa, criada em 90 por Fidel Castro, Lula e Chavez, para difundir e implementar o socialismo na América Latina ainda continua vivo e tem que ser combatido… Na Venezuela, estes agentes do regime cubano, levados por Hugo Chavez, também chegaram e hoje são aproximadamente 60 mil, que controlam e interferem em todas as áreas da sociedade local, principalmente na inteligência e na defesa.”

O discurso de Bolsonaro é a tática dissimulada da extrema direita de acusar a esquerda pelos crimes da direita. Prova disso é que o político da extrema direita brasileira sempre foi e segue sendo um defensor de todos os crimes da ditadura militar brasileira e das demais ditaduras na América Latina.

Recentemente o próprio presidente Nicolás Madura denunciou isso em entrevista, como publicado em matéria do DCO no última dia 17:

“No Brasil, o presidente boçal eleito pela fraude, Jair Bolsonaro, defende o falecido ditador Chileno, Augusto Pinochet, responsável pela ditadura mais sanguinária da América do Sul, competindo com a ditadura de Videla, na Argentina, ao mesmo tempo que acusa Maduro de ditador, repetindo a propaganda imperialista de calúnias. Maduro, porém, sem meias palavras rebate esse absurdo e explica que ’em 20 anos, fizemos 25 eleições, de presidente, governadores, prefeitos, parlamentares. As forças bolivarianas, chavistas, ganhamos 23 eleições. De 23 governadores na Venezuela, 19 são bolivarianos. De 335 prefeitos e prefeitas, 307 são nossos, vencedores com votos. Tudo o que temos sempre foi pelo voto popular’.”

Antes do povo ter eleito o governo Chavez, um governo nacionalista, que estatizou o petróleo e garantiu através de uma constituinte popular direitos até então nunca acessados pelo povo venezuelano, que era bom, segundo Bolsonaro:

A Venezuela, outrora um país pujante e democrático, hoje experimenta a crueldade do socialismo. O socialismo está dando certo na Venezuela, todos estão pobres e sem liberdade. O Brasil também sente os impactos da ditadura venezuelana. Dos mais de 4 milhões que fugiram do país, uma parte migrou para o Brasil, fugiu da fome e da violência…”

A omissão sobre o bloqueio econômico ditatorial imposto pelos EUA à Venezuela (uma das causas da crise econômica no país) e das ameaças de invasão por parte dos EUA, mostram o capacho criminoso que Bolsonaro é e o quanto está submetendo os interesses dos brasileiros aos do imperialismo dos EUA.  A submissão é tão grande que o fascista se coloca como um funcionário da “exportação de democracia” imperialista mundial:

A devoção do Brasil à causa da paz se comprova pelo sólido histórico de contribuições para as missões da ONU. Há 70 anos o Brasil tem dado contribuição efetiva para as operações de manutenção da paz, das Nações Unidas. Apoiamos todos os esforços para que essas missões se tornem mais efetivas e tragam benefícios reais e concretos para os países que as recebem. Nas circunstâncias mais variadas, no Haiti, no Líbano, na República Democrática do Congo, os contingentes brasileiros são reconhecidos pela qualidade de seu trabalho e pelo respeito à população, aos direitos humanos e aos princípios que norteiam as operações de manutenção de paz. Reafirmo nossa disposição de manter contribuição concreta às missões da ONU, inclusive no que diz respeito ao treinamento e à capacitação de tropas, área em que temos reconhecida experiência.”

O Brasil sempre foi pressionado a atuar em favor dos interesses do “grande irmão” EUA. Porém, guerras, invasões e “missões de manutenção da paz” nada tem a ver com a paz, mas apenas com a manutenção da ordem capitalista, ou seja, da exploração dos trabalhadores pelos patrões e da pilhagem dos países atrasados pelos países desenvolvidos. Ao dizer que apoia os esforços para que estas missões se tornem mais efetivas, Bolsonaro está afirmando seu compromisso com o aumento da opressão do imperialismo.

Por isso é preciso denunciar o cinismo e a dissimulação de Bolsonaro. Seu alinhamento à pior ditadura que a humanidade já viu (o imperialismo) é uma ameaça a todos os brasileiros e povos latino-americanos. Portanto, a tarefa de todos os que percebem a gravidade das ameaças é a derrubada total do governo golpista, que tomou o poder de assalto no país declarando guerra ao “socialismo brasileiro”, ou seja, às organizações de luta dos trabalhadores.