Defender a Folha para atacar Bolsonaro só pode fortalecer a extrema-direita

otavio golpista

O maior obstáculo para uma evolução mais rápida e consiste do movimento de luta contra o golpe reside na política sistemática da esquerda pequeno-burguesa em alimentar ilusões de que seja possível derrotar o golpe aliando-se a setores responsáveis pelo golpe.

Foi assim desde quando se colocou o impeachment da presidenta Dilma. “Os perdedores querem um 3º turno”, “trata-se de uma vingança de Eduardo Cunha, presidente da Câmara”, “a Câmara não vai aprovar”, depois “o senado não vai aprovar”e, finalmente a presidenta foi deposta.

Com Lula, ocorreu a mesma coisa. “Moro não vai condenar”, “o TRF 4 não vai condenar”, “o STF não vai referender esse absurdo” e, finalmente, Lula foi condenado.

Novamente com a iminência da prisão de Lula, o circo de ilusões voltou a ser armar, chegando ao ponto em se dar prazo para que Lula fosse solto. E Lula está preso há mais de 200 dias!

Mesmo com derrota em cima de derrota, as eleições marcaram mais um capítulo na política de capitulação sistemática. Primeiro queriam substituir Lula a todo custo pelo direitista candidato abutre, Ciro Gomes. Em um segundo momento, fizeram campanha juntos com os meios de comunicações golpistas para que Lula desistisse da sua candidatura em favor do seu vice, Fernando Haddad, o que veio a se consumar com à sujeição da direção do PT ao TSE.

Passadas as eleições, possivelmente as mais fraudulentas da história, se é que é possível num país em que a burguesia transformou tudo em uma grande fraude, agora se trata de unir os “democratas” contra a ameaça do fascismo, sem nenhuma consideração de que os “democratas” são os próprios golpistas e de que os “cachororros-loucos” fascistas foram insuflados pelos próprios “democratas” golpistas.

Nesse momento, chama atenção a campanha que essa esquerda pequeno-burguesa faz nas redes sociais, para que as pessoas assinem o Jornal Folha de São Paulo, porque representaria uma “luta” contra Bolsonaro, que estaria perseguindo aquele jornal.

Que a obtusidade da extrema-direita faça com que enxergue na Folha de S. Paulo, na Rede Globo ou em Fernando Henrique Cardoso, tachado de “comunista”, como “inimigos a serem combatidos”, isso é problema da extrema-direita. Na hora H, os verdadeiros donos do golpe vão enquadrá-la. Agora… fazer de que a Folha de São Paulo seja um veículo progressista e por isso estaria sendo perseguida, é procurar cegar a militância para qualquer luta contra o golpe.

A Folha, assim como quase a totalidade da imprensa burguesa, apoiou o golpe de Militar de 1964. Existem evidências de que esse jornal emprestou carros para que policiais do DOI-Codi, o abominável órgão de repressão, tortura e assassinato da ditadura, fizesse campana para prender militantes de esquerda.

Em 2014, aos 50 anos do golpe, o jornal chegou a fazer em editorial mea-culpa pelo seu apoio ao golpe: “aos olhos de hoje, apoiar a ditadura militar foi um erro, mas as opções de então se deram em condições bem mais adversas que as atuais”. Pura hipocrisia. Naquele momento, 2014, assim como as organizações Globo (que também fizeram mea-culpa), estavam a pleno vapor conspirando contra o governo do PT, publicando todo tipo de calúnia e difamação contra o partido e seus dirigentes. As notícias falsas não começaram com Bolsonaro, mas com esses “democratas”de plantão que construiram o próprio Bolsonaro.

A Folha de São Paulo, assim como a Globo e demais órgãos da imprensa venal, não têm nada de democráticas. São elas as responsáveis pelo crescimento da extrema-direita no país. São responsáveis pela prisão e o achincalhamento do maior líder popular do país em uma operação coordenada diretamente pelo imperialismo norte-americano.

A esquerda que luta contra o golpe, não pode se calar diante da campanha levada adiante pela esquerda pequeno-burguesa em se aliar com a direita, em transformar golpistas declarados em “arautos defensores da democracia”.

Uma tarefa fundamental que se coloca para o movimento de luta contra o golpe é o fortalecimento da imprensa de esquerda e indepente. É apostar em um imprensa própria como faz o Partido da Causa Operária, como um elemento essencial para mobilizar os explorados na luta contra o golpe e o fascismo no país.