Debates Marxistas: Maio de 68 – Uma quase insurreição

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No sábado, 16h, ocorreu a terceira edição do programa “Debates Marxistas”. Nesse programa, o palestrante foi o companheiro João Pimenta, falando sobre o Maio de 68 pelo mundo, na França, Estados Unidos, Itália e Alemanha.

Esse período icônico é largamente conhecido por suas pautas de questionamento comportamental, mas seu principal agente foram as reivindicações de cunho econômico. Em plena Guerra Fria, uma manifestação estudantil por melhorias na educação francesa logo agitou o forte movimento operário francês, dando sentido à máxima “O poder está nas ruas” e espalhou-se pelo globo.

Os acontecimentos de Maio de 1968 foi importantíssimo na França; por isso a palestra se focou largamente nesse país.

Sempre com uma análise marxista, o companheiro João Pimenta manteve a tradição das análises do Partido da Causa Operária de levar momento a momento a evolução histórica que deu vazão às manifestações de maio de 1968.

O início coloca a invasão da França pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, em 1940. Charles De Gaulle se opõe aos nazistas nessa época, mas, sendo um Marechal, um militar de alta patente,  levará um governo de direita durante 1968. Maio de 68 começou na Segunda Guerra Mundial.

Os países europeus diretamente envolvidos na guerra (França,Alemanha e Itália) entraram em crise, e, assim foi criado o Plano Marshall para tomar conta da economia desses países e conter as possíveis revoluções.

Vietnã pede independência da França, Argélia também, a Revolução proletária levada por Mao-Tsé-Tung na China, e a Revolução Cubana. As revoluções vão se espalhando para os países atrasados.

A crise enorme da França, juntamente com a tradição de esquerda, formaram o mês de maio de 1968.

O desenvolvimento das manifestações movimento estudantil, agregou os operários, e, durante o mês de maio de 1968, agregou cerca de 10 milhões de manifestantes.

Tomando as ruas de forma cada vez mais acirrada, os estudantes e trabalhadores resistiram, até que De Gaulle fugiu do país.

Entra aqui um grave problema, que o companheiro comparou com as manifestações de junho de 2013, que foi a incerteza do movimento e a claudicação, em grande parte levada pela política conciliadora do Partido Comunista Francês, que era dirigido pela política Stalinista. A França não poderia se tornar um país operário, pois, sendo imperialista, seria muito mais forte que a URSS.

Os estudantes e trabalhadores entram em crise, e, sem uma direção de confiança, começam a sair das ruas. Uma lei importantíssima se mostra aqui: se uma revolução não avança, ela retrocede: não tem intervalo pra descanso.

Charles De Gaulle retorna, e, como em diversos países até hoje, usa a política da direita de chamar todos à salvaguardar a pátria, que todos devem se unirem contra a minoria e manifestações muito semelhantes às coxinhas, começam na França. A oportunidade revolucionária no momento foi perdida.

Assim como no Brasil, os partidos de esquerda em sua maioria apostaram nas eleições para saída da crise. Resultado: a direita dominou quase 60% do parlamento e De Gaulle foi eleito novamente.

Nos Estados Unidos as manifestações foram contra a guerra no Vietnã; na Alemanha formou-se o grupo Baader Meinhoff, que atuou até 1998.

Em um momento como o que passamos no Brasil, em que a crise se acirra, caminhoneiros continuam a greve atropelando as direções, petroleiros planejando greves, greve de metalúrgicos, em universidades, o momento pode se elevar para uma insurreição. Não se podem cometer os erros de acreditar em eleições, confiar na “horizontalidade” que é tomada pela direita. É preciso uma posição firme por parte dos militantes, uma direção forte.

É preciso se organizar em um partido operário e revolucionário. É preciso se juntar aos Comitês de Luta Contra o Golpe. É preciso estender isso aos trabalhadores e ir esclarecendo de forma clara as formas de combate para conseguir a libertação dos trabalhadores, para quando o movimento estiver com o corpo necessário, todos estarem prontos pra luta.

Acompanhe a Causa Operária TV, entre em contato com o PCO e com os Comitês de Luta Contra o Golpe.

Aproveite e vejas as outras edições do programa “Debates Marxistas”, e acompanhe a programação da Causa Operária TV.

No sábado da semana que vem, dia 2 de junho, os “Debates Marxistas” continuarão com o Maio de 68 no Brasil, com o companheiro Henrique Áreas, sempre às 16 horas, ao vivo. Não perca!