Rui C. Pimenta e Breno Altman
Em debate na TV 247, Rui Costa Pimenta argumentou em defesa do Fora Bolsonaro, em contraposição à política de “resistência” defendida por Breno Altman.
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Ato da CUT em Belém contra juros altos. Foto: CUT |

Nesta terça-feira (3), ocorreu o debate entre o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, e o analista petista, Breno Altman, na TV 247. O intuito do debate foi debater o Fora Bolsonaro, entre outras questões.

O presidente do PCO apresentou um cenário que deixou explícita a crise interna da burguesia, afirmando que “a burguesia não vai hesitar em rifar Bolsonaro”. Segundo ele, Bolsonaro não está conseguindo abrir as portas para a recuperação econômica de nenhum setor e o governo tem levado adiante uma política desastrosa para setores da burguesia nacional. Rui Costa Pimenta apresentou como exemplo o problema da venda de carne brasileira, que foi profundamente prejudicada pela política, à mando do imperialismo norte-americano, de ataques aos países árabes. Os conflitos com o Irã e com outros países do Oriente Médio e do norte da África, prejudicaram extremamente um setor do agronegócio brasileiro que tinha relações econômicas com estes países.

Além disso, a política de destruição total da economia nacional também não obtém apoio da burguesia nacional brasileira, que vê isso como um desastre total. Rui apresentou diversos exemplos que deixam claro uma ruptura de setores da burguesia com o governo fraudulento, revelando que Bolsonaro atende somente aos interesses do imperialismo, sem procurar unificar o bloco burguês, estimulando as contradições econômicas, e portanto os interesses contraditórios, dos diversos setores das classes dominantes.

Altman, entretanto, procurou apresentar um panorama contrário. Segundo ele, “a estrutura capitalista mudou” e “o crescimento da economia já não é uma questão vital para a prosperidade do capital”. Para ele, basta que o “grande capital financeiro” esteja satisfeito para que toda o bloco burguês apoie o governo Bolsonaro, o que não leva em consideração as contradições internas entre os mais diversos setores da burguesia nacional e estrangeira. Por isso, o analista petista afirma que “não há conflito entre Bolsonaro e a burguesia”.

O presidente nacional do Partido da Causa Operária rebate afirmando que “o Estado capitalista é governado por um bloco de forças políticas e sociais contraditórias, inclusive o imperialismo estrangeiro” com a burguesia nacional. Segundo Pimenta, Bolsonaro age “como representante direto do imperialismo” e o “Brasil não pode ter governo que responda apenas aos interesses do imperialismo”, pois isso não beneficia uma parcela grande da burguesia, porque “há vários blocos burgueses, todos com contradições entre si”. 

Para o dirigente trotskista estes blocos “precisam ser articulados com flexibilidade, para se manterem unidos, apesar das enormes contradições”, algo que Bolsonaro não está conseguindo fazer.

“Os banqueiros não pensam a mesma coisa que o grande capital industrial. O agronegócio não pensa o mesmo que os banqueiros. A indústria média é diferente da que atua nos mercados do exterior”.

Bolsonaro não consegue unificar a burguesia, porque “a extrema-direita assumiu o papel principal como uma improvisação, não um planejamento”. E por isso, “a improvisação faz com que as contradições venham a tona”, para o presidente do PCO.

Rui coloca como uma das principais tarefas da burguesia “encontrar uma política econômica que reunifique o bloco burguês”, que para ocorrer é preciso “tirar com uma mão e dar em troca com a outra”, ao exemplo do Plano Real, que prejudicou os exportadores e beneficiou os importadores, mas compensou os primeiros por meio dos ataques aos trabalhadores, com a retirada de direitos. E a dificuldade de realizar esta política se dá no fato de Bolsonaro ter sido improvisado e, por isso mesmo, não conseguiram superar a crise do golpe com a eleição.

Rui Costa Pimenta coloca que estas “gigantescas incoerências políticas e econômicas, que aceleram a desagregação do Bolsonaro”, a falta de “coerência econômica” e a fraqueza política do governo colocam o Fora Bolsonaro como algo totalmente vigente. Os trabalhadores, segundo o analista marxista, precisam aproveitar esta crise generalizada para intensificar a luta contra o governo.

Porém, Altman afirmou que “vivemos um período de defensiva”. Segundo ele, faltaria “análise de correlação de forças ao Rui”, pois o movimento operário e popular teria sofrido derrotas políticas táticas, estratégicas e estrutural de “amplo espectro”. Porém, segundo ele, como “nossas organizações [da esquerda] não foram destruídas, temos a capacidade de resistência”, que significa não partir para cima do governo, mas “resistir” aos ataques e esperar até as próximas eleições.

Altman oferece uma análise totalmente derrotista que só poderia levar à depressão de seus ouvintes, afirmando que “a derrota veio a partir de 2015” e que, desde então, vivemos um “período histórico de resistência com um grau relativamente baixo”, pois, enquanto “a direita mobilizou camadas médias, a esquerda apenas [mobilizou] a vanguarda do movimento social”, desconsiderando toda a realidade política do atual momento. O que se pode ver, hoje em dia nas ruas, é uma crescente mobilização contra Bolsonaro e uma diminuição constante que é dado ao presidente fraudulento. Altman parece não ver isso, e afirma que “não dá para ser ofensivo”, pois segundo ele “é preciso somar batalhas, plantar sementes para transitar entre a resistência e a defensiva”, isto é, esperar até 2022, “resistindo aos ataques” e rezando para que Bolsonaro não destrua todo o país e as organizações de esquerda. Por isso, Altman não apresenta nenhuma alternativa à palavra de ordem Fora Bolsonaro, com a qual ele se opõe.

Altman procura desviar a luta do Fora Bolsonaro e por novas Eleições Gerais, contrapondo-se ao impeachment dele, o que de fato seria entregar na mão da burguesia a iniciativa, retirar do povo a possibilidade de uma saída democrática. Porém, Rui Costa Pimenta que mesmo um impeachment de Bolsonaro aprofundaria a crise dos golpistas, pois “Mourão seria governo refém da crise até que se operasse reconstituição da crise”, algo com que Breno “não concorda nem historicamente nem politicamente”. 

Mas Rui afirmou que “a derrubada de um governo, em geral, não leva a um novo governo forte”, pois o segundo seria resultado da crise do primeiro. E se contrapôs à política de “resistência”, afirmando que “esperar as eleições é não fazer uma oposição real”, comparando a situação de Bolsonaro com a situação de Collor no início da década de 1990.

Rui afirma que, assim com Bolsonaro, Collor impôs um brutal ataque a todos os trabalhadores. O Plano Collor, o confisco da poupança da população e a política de colocar “milhões de trabalhadores no olho da rua”, segundo Pimenta, fez com que “no 1º mês do governo, a procura de emprego dava quatro voltas no quarteirão”. Além disso, o “sindicalismo ficou totalmente paralisado pela ofensiva econômica da burguesia” e “começaram as privatizações”, como da CSN.

Esta política só foi derrotada quando Collor caiu, segundo o presidente do PCO. “A derrubada de Collor quebrou essa ofensiva”. Porém a falta da saída popular para a crise, através de eleições gerais, levou a burguesia a impor o impeachment e colocar Itamar, que se conteve de realizar todos os ataques que Collor pretendia. Estes ataques só voltaram com o Plano Real de FHC, que foi resultado da “colaboração das ‘oposições’”, que estavam na política de esperar até as próximas eleições, em 1994.

Segundo Costa Pimenta, “o PT adotou a mesma política de hoje: vamos esperar as eleições e aí a gente vê… Isso, na realidade, é não fazer oposição real”, afirmou o presidente do PCO durante o debate. Rui afirmou que, ao contrário do que acredita Breno Altman, “não é a derrota que leva à paralisia, mas a falta de política”. E reforçou que as condições para o Fora Bolsonaro estão colocadas;

“O povo na rua, não são só os ativistas, está gritando “Fora Bolsonaro”. No Carnaval, gritou em tudo quanto é lugar”.

Porém, declarou que “não se pode esperar que o povo, sem direção política, saia na rua. Alguém tem que chamar, tem que organizar”, reforçando o papel da vanguarda que Altman não parece compreender. Afirmou que isso “é um aspecto importante”.

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