A vitória da Frente Ampla
As declarações de Eduardo Paes podem servir para esclarecer a todos do que se trata: a vitória do DEM foi a vitória dos golpistas que derrubaram o governo de Dilma Rousseff em 2016
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Marcelo Freixo (PSOL) e Eduardo Paes (DEM), da esq à dir. | Reprodução

Mal acabara de ser eleito neste domingo, 29, Eduardo Paes (DEM-RJ) acena para Bolsonaro e já se considera aliado do presidente fascista. Em entrevista à Folha, nesta segunda-feira, 30, o recém eleito prefeito do Rio de Janeiro foi bem claro quando disse: “Não vou rivalizar com o Bolsonaro”. Se ao chamar o voto no DEM o conjunto da esquerda buscou combater o bolsonarismo, as declarações de Eduardo Paes podem servir para esclarecer a todos do que se trata: a vitória do DEM foi a vitória dos golpistas que derrubaram o governo de Dilma Rousseff em 2016.

A manhã de segunda-feira, 30, deve ter sido exaustiva para Eduardo Paes. Entre entrevistas e coletivas, o pretenso adversário do bolsonarismo não fugiu das câmeras e dos microfones ao firmar seu compromisso com o programa golpista. Se a presença de Crivella causou intenso frenesi ao assumir da maneira mais notória a expressão da extrema-direita, o que esperar da capacidade de criar ilusões quando se trata da esquerda pequeno-burguesa? Bastaram poucas horas para que a suposta luta contra o bolsonarismo se desmanchasse como um castelo de areia quando atingido pelas ondas do mar. Nesse caso, o estratagema do “centrão” ganhou mais uma batalha. A vitória de Paes foi a vitória da Frente Ampla.

Em entrevista à Folha, Paes relata sua conversa com o Jair Bolsonaro. “Eu já falei com ele hoje. Foi muito gentil comigo e tenho certeza que vamos ter muito diálogo” – disse Paes. De fato, ao falar com Bolsonaro por telefone, Paes demonstra grande afeição pelo presidente golpista. “Não consegui te livrar do Witzel, mas te livrei do Crivella” – disse o novo prefeito do Rio de Janeiro. Ele disse: “Passa aqui, toma um café comigo”. “Vou lá com o maior prazer”, complementou Paes.

Quando perguntado sobre o papel do DEM em 2022, e qual seria o seu, Paes destaca a amplitude da Frente Ampla. “Vou fazer mais política do que fiz nos meus outros mandatos. Temos duas figuras do DEM que são o presidente [da Câmara] Rodrigo Maia e o presidente [do DEM] ACM Neto. Mas vou palpitar, opinar e ajudar. Quero atuar mais aqui, no Rio. Se o [governador interino] Cláudio Castro for bem, talvez apoiar [a reeleição]”, disse.

Segundo informações da colunista Berenice Seara, a conversa com Bolsonaro foi para buscar uma aproximação. “Os interesses da cidade têm que estar acima das minhas opiniões políticas e pessoais sobre qualquer posição do presidente Bolsonaro. Sempre tive uma boa relação com ele. Não nos falamos há muitos anos. Em duas eleições, uma ele apoiou o Witzel e ganhou e, na outra, apoiou o Crivella e eu ganhei. E eu respeitei a posição dele e em nenhum momento pedi que fizesse o contrário. Não pedi o apoio dele” disse Paes.

Não é de hoje que a família Bolsonaro flerta com Paes. Flávio Bolsonaro chegou a declarar, num evento de igrejas evangélicas, em 2018, grande simpatia pelo prefeito. “A pessoa da mais alta competência, do mais alto gabarito. Acho que ninguém pode falar da vontade dele de trabalhar. Todos nós víamos sua vontade e a sua alegria, principalmente, de estar na prefeitura”, disse. Por sua vez, Paes retribuiu elogios à Carlos Bolsonaro, quem considera um “vereador muito correto” e “elegante”. Paes revelou, em entrevista à youtuber Antônia Fontenelle que a família Bolsonaro nutre grande afeição por ele. Em, 2016, às vésperas da posse de Crivella (Republicanos), um dos filhos de Bolsonaro foi procurá-lo.

“O Crivella já tinha ganho a eleição, aquela hora que o cafezinho já está frio, o Carlos teve um gesto de muita gentileza comigo. Ele pediu uma audiência, coisa que fez muito pouco quando fui prefeito. Me agradeceu, disse que fui um bom prefeito, fez lá a crítica do que ele achava que estava errado, mas foi me cumprimentar. Gesto de muita gentileza e educação”, contou Paes. Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados deu mostras de seu cinismo ao revelar que não há contradições entre o dito “centrão” e Bolsonaro. Para Maia, a vitória de Paes “é uma vitória da política. O Bolsonaro sempre fez política. Não tem nenhuma relação com eleição nacional”.

Em entrevista à Globonews nesta segunda-feira, 30, Paes deixou claro que não há contradições entre ele e Bolsonaro. “Eu não tive o apoio do presidente Bolsonaro, ele apoiou a candidatura do Crivella, mas a eleição terminou ontem às 17h. Nós vamos trabalhar em parceria institucional com o governo federal. O presidente Bolsonaro é do Rio, você tem um monte de pessoas importantes no governo federal que são do Rio. O Rio precisa de ajuda nesse momento. Nós vamos trabalhar em parceria para buscar as soluções para os problemas”, disse Paes.

A vitória de Paes, nitidamente, expressa uma vitória da Frente Ampla, o bloco golpista que conta com o apoio de um amplo setor da esquerda para alijar o PT e devolver o poder político à direita que deu o golpe, o dito centrão. Segundo Paes, “essa é uma vitória dos que acreditam na boa política. Passamos os últimos anos de certa maneira radicalizando a política brasileira, contestando aqueles que exercem a atividade política. Os resultados desse radicalismo, desse quadro de extremos, de muito ódio e divisão não fez bem aos cariocas e brasileiros”.

Essa é apenas uma pequena demonstração do caráter reacionário da eleição de Paes. Mesmo assim, a esquerda fez campanha para Eduardo Paes, do DEM (partido da base de Bolsonaro, cheio de bolsonaristas, herdeiro da ditadura militar etc). É óbvio que estavam votando num declarado inimigo do povo e que vai fazer muitas atrocidades. Mas o mais espetacular é que ele nem bem foi eleito e já ligou pra Bolsonaro pra mostrar sua amizade. Tudo isso mostra a a grande salvação contra o bolsonarismo é uma grande farsa. A eleição de Paes é mais um capítulo da Frente Ampla, isto é, do golpe de 2016.

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