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Jornal Hora do Povo

De “juventude do Quércia” a cãozinho de estimação de Maia

O periódico Hora do Povo, editado pelo antigo PPL, ataca mais uma vez Dilma Roussef para defender a aliança com os golpistas da direita

Tempo de Leitura: 4 Minutos

Centrão apoiando o golpe – Foto: reprodução

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O jornal pertencente ao antigo Partido Pátria Livre (PPL), hoje dentro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), publicou uma matéria atacando a ex-presidente da República derrubada através de um golpe de estado, Dilma Roussef. Os ataques vieram após a entrevista concedida por Dilma Roussef a Breno Altmann, na qual faz duras críticas ao apoio do Partido dos Trabalhadores (PT) e da esquerda ao bloco formado por Rodrigo Maia para a presidência da Câmara dos Deputados para supostamente derrotar o candidato de Jair Bolsonaro.

Dilma Roussef diz abertamente, e de maneira correta, que o candidato de Rodrigo Maia é o candidato de Jair Bolsonaro. “Baleia Rossi é nome do Bolsonaro”, afirmou Dilma. O deputado federal Baleia Rossi faz parte do MDB de São Paulo e é um nome ligado ao golpista Michel Temer que está em negociações com Bolsonaro em troca de cargos.

Tem alguém mais contra a democracia do que foi o PMDB nos últimos tempos?”, disse Dilma e ainda completou dizendo que “Não há diferença entre Arthur Lira e o Agnaldo. Muito menos entre o Baleia Rossi e o Lira. Inventaram uma diferença que não existe”.

Os ataques do jornal Hora do Povo contra Dilma Roussef se encaixa perfeitamente num agrupamento de extrema confusão política e que após uma luta contra a ditadura militar vem se deslocando de maneira oportunista dentro de partidos para troca de cargos e colocar em prática sua política de conciliação com a direita.

O jornal Hora do Povo se apresenta como herdeiros do agrupamento guerrilheiro Movimento Revolucionário 8 de Outubro ou MR8, conhecido por combater com armas os militares nos anos de chumbo, mas que devido a sua orientação stalinista, de característica profunda de conciliação de classes, entrou no antigo PMDB (atual MDB) e uma série de posições políticas extremamente direitistas e de apoio a direita.

Permaneceram dentro do PMDB até 2009, quando fundaram o Partido Pátria Livre (PPL) e numa política extremamente oportunista, para não perderem fundo partidário e outras “benesses” se fundiram com o PCdoB onde permanecem até hoje com a publicação do jornal Hora do Povo.

Uma política de apoio incondicional a direita

No final da ditadura o MR8 se transformou numa tropa de choque da direita e de velhos pelegos sindicais colocados pela ditadura militar dentro dos sindicatos. Foram contrários a formação da CUT e posteriormente contra a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) se mantendo fielmente aos políticos da direita “democrática” permanecendo dentro do PMDB.

Dentro dos congressos e encontros da União Nacional dos Estudantes (UNE), o MR8 ficou conhecido como “juventude do Quércia”. Para quem não lembra ou não conhece, Orestes Quércia foi um cacique político do PMDB do interior do estado de São Paulo, chegando a ser governador do Estado. E que não tinha nada de esquerda ou progressista.

A politíca de ir a reboque da direita esteve sempre presente nos editores do jornal Hora do Povo, mas chegou a um ponto que ficou totalmente escancarado que foi apoio incondicional ao golpe realizado pela direita em 2016 para derrubar a petista Dilma Roussef.

Além de apoiar na prática participando ativamente dos atos coxinhas apoiados pela FIESP, várias edições do jornal Hora do Povo apoiaram o impeachment e deram uma cobertura ‘democrática’ dizendo que era o povo nas ruas e que golpe era o PT se manter na presidência.

O antigo PPL, hoje PCdoB, editores do Hora do Povo entraram de cabeça na campanha da direita para dar um golpe de estado e justificá-lo como “vontade” de povo. Ao lado do MBL, Vem Pra Rua, juventude do PSDB e outros agrupamentos fascistas, estiveram ombro a ombro para dar um golpe e colocar o golpista Michel Temer na presidência.

O apoio do PPL a frente ampla revela que é uma continuidade do golpe

Os ataques a Dilma Roussef realizado pelo Hora do Povo condiz com a política desse agrupamento oportunista. Assim como em 2016, quando atacavam duramente Dilma e o PT, para justificar o golpe, querem nesse momento formarem a tropa de choque da direita para a consolidação da frente ampla.

Assim como foram os cãezinhos da direita contra a formação da CUT, da fundação do PT, na defesa dos pelegos da ditadura nos sindicatos e no golpe em 2016, querem ser os cãezinhos do golpista Rodrigo Maia para consolidar a frente ampla dentro da Câmara dos Deputados.

Fazem isso porque possuem uma proximidade muito grande com a burguesia e a direita que vem dando sucessivos golpes contra os trabalhadores, sendo muito próximo do MDB, de Michel Temer e outros elementos da direita golpista que atualmente foram batizados de “centrão” ou direita “civilizada”.

Com o argumento de derrotar o bolsonarismo e que essa direita ‘civilizada’ é melhor que Jair Bolsonaro, o jornal Hora do Povo apenas quer esconder seu verdadeiro objetivo que é manter a direita golpista no poder em troca de alguns cargos e recursos governamentais.

A frente ampla é a continuidade do golpe difundida pela burguesia como uma maneira de tentar estabilizar o regime político sob seu controle e com as organizações de esquerda colocando os trabalhadores a reboque dessa política. A manobra da Frente Ampla não é para lutar contra Bolsonaro, é uma articulação com vistas a uma futura eleição, em que o bloco que hoje é dirigido por bolsonaro seria dirigido por DEM, PSDB, MDB com a participação de Bolsonaro que sempre esteve ai. Se é assim, Boulos cumpre papel fundamental para dar legitimidade a toda essa manobra política cuja função é dar continuidade ao golpe de 2016, ou seja – dar uma legitimidade de esquerda.

É preciso denunciar em primeiro lugar esse agrupamento e seu jornal Hora do Povo como instrumentos da direita para atacar a esquerda de “passar um pano” para a direita golpista. Como vimos, se dizem “herdeiros” da luta contra a ditadura, mas como um bom agrupamento stalinista seguiram uma política de conciliação de classes e se apoiam na direita e sua política de ataques aos trabalhadores desde o fim da ditadura militar até os dias atuais.

Outro ponto é denunciar a frente ampla e o bloco formado por Rodrigo Maia para as eleições na Câmara dos Deputados, que foi acertadamente criticado pela ex-presidenta Dilma Roussef como um bloco golpista, onde o MDB não tem nada de democrático, que não existe o chamado “centrão” (é tudo direita golpista) e é apenas a continuidade do golpe dado em 2016.

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