Eleições municipais
O candidato do PT à prefeitura de São Gonçalo (RJ) assinou uma carta na qual se declara contra o aborto, contra “ideologia de gênero” e contra a doutrinação nas escolas.
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Dimas Gadelha, candidato do PT comprometido com a política da direita conservadora. | Reprodução.

Dimas Gadelha, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à prefeitura de São Gonçalo, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, assinou uma carta compromisso com as igrejas cristãs evangélicas e católica na última quarta-feira (18).

No documento, Dimas afirma seu compromisso com os “valores defendidos por Deus, pelo evangelho, pela igreja e pela família”. Em seguida, declara sua posição contrária ao “aborto, ideologia de gênero, liberação das drogas, ofensas religiosas, doutrinação nas escolas e destruição dos valores da família”.

Após declarar sua posição de acordo com as concepções políticas da direita conservadora, o candidato ainda se compromete a criar a Subsecretaria de Assuntos Religiosos caso venha a ser eleito prefeito de São Gonçalo.

Em seu programa de governo, uma peça de ficção para enganar a população, Dimas propõe a integração entre a Guarda Municipal e os órgãos de outras esferas, estadual e federal. A repressão coordenada entre os órgãos é apontada como a forma de reduzir a criminalidade. A Guarda tem papel de mantera ordem pública no município, isto é, funcionará como uma polícia municipal. Todos os demais pontos do programa não dizem nada sobre as diretrizes políticas de Dimas.

Ao contrário do que tem sido dito por setores da esquerda, esta não saiu vitoriosa nas eleições. Mesmo nas cidades onde os partidos de esquerda conseguiram eleger candidatos, caso do PT, PSOL e PCdoB, o que se verifica é a predominância de elementos burgueses e direitistas infiltrados. O PSOL elegeu um latifundiário bolsonarista à prefeitura. O PCdoB está infestado de elementos direitistas que procuram um cargo no Estado burguês. O caso de Dimas Gadelha do PT evidencia bastante a situação.

A Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS), ONG criada por grandes capitalistas e banqueiros, tem um programa de apoio e financiamento de candidatos em todos os partidos, da esquerda (PT, PCdoB, PSOL, PDT, PSB), passando pela direita (PSDB, MDB, DEM) até a extrema-direita (PSL, PRTB). São centenas de candidatos financiados para defender um programa burguês e pró-imperialista, com a fachada da representatividade e de luta pelos direitos das mulheres, negros e LGBTs.

O candidato petista de São Gonçalo, ao assinar o documento, esclarece que é um inimigo declarado das mulheres, do movimento LGBT e de todos os movimentos democráticos e progressistas do país. Seu governo será voltado para as igrejas. A política contra o aborto é uma posição típica de extrema-direita, bem como a luta contra a “ideologia de gênero”, que é na verdade a defesa de uma posição conservadora, de ataque e violência contra os LGBTs. A questão da doutrinação nas escolas é uma campanha da extrema-direita para fazer avançar a censura no ensino, cassar os direitos democráticos de estudantes e professores e perseguir os docentes de esquerda, uma espécie de caça às bruxas típico do macarthismo. Em última instância, a histeria da doutrinação resulta no apoio às escolas militares, espaço onde a esquerda e os sindicatos são expurgados e na qual predomina o controle político das Forças Armadas e da Polícia Militar.

As eleições municipais servem para esclarecer o nível de infiltração burguesa na esquerda. Há muitos candidatos oportunistas, carreiristas, arrivistas e fisiológicos nos partidos pequeno-burgueses, que procuram conquistar vantagens pessoais. Este fenômeno impede que estes partidos sejam, mesmo que minimamente, partidos dos trabalhadores e que defendam seus interesses. Os partidos da esquerda pequeno-burguesa servem de fachada para políticos burgueses e seus acordos e conchavos com a burguesia. Trata-se de uma liquidação política da esquerda, o que só pode levar ao fortalecimento da direita.

As candidaturas dos elementos carreiristas pequeno-burgueses nos partidos de esquerda são estranhas à classe operária, bem como dos demais setores oprimidos e explorados da sociedade. Não há defesa de um programa político verdadeiramente democrático, que atenda os interesses dos trabalhadores e mobilize pelas suas reivindicações fundamentais. No máximo, caso da candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo, há um verniz de renovação e um vocabulário timidamente esquerdista.

Em sua Conferência Eleitoral, realizada nos dias 21 e 22 de novembro em São Paulo, o Partido da Causa Operária debateu a situação política nacional e definiu sua posição por unanimidade, que é a de votar nulo no 2º turno em todas as cidades. É preciso destacar que não há nenhuma candidatura que expresse os interesses dos trabalhadores e que sirva como instrumento para o avanço de sua consciência e organização política. Em oposição ao restante da esquerda, o PCO não vai servir como instrumento para legitimação da Frente Ampla e não vai indicar voto nos oportunistas e carreiristas da esquerda, que agora fingem que acreditam que a derrota do bolsonarismo vai acontecer nas urnas. Para todos eles, trata-se de conquistar o sonho da “prefeitura própria” e de um bom cargo na burocracia do Estado burguês, nada além disso.

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