DCM: “Eleição de Bolsonaro é um plano que começou a ser arquitetado no Exército em 2014”

cms-image-000611851

Da redação – Artigo do jornalista Joaquim de Carvalho, do portal DCM, revela que os militares tramam o golpe e a eleição de Bolsonaro desde 2014.

“A eleição de Bolsonaro é um plano que começou a ser arquitetado no Exército em 2014, quando se completaram 50 anos do golpe de 64”, escreve o repórter, que cita reportagem de outubro de 2018 da revista argentina Letra P com entrevista de um militar anônimo de alto escalão que discorre sobre a trama conduzida pelos militares.

De acordo com a reportagem da revista, o plano dos militares é controlar o regime político sem aparecerem publicamente como cabeças do governo.

“A idéia é testar uma “terceira via”, que é algo diferente de uma situação em que os militarem sejam cabeças de um regime próprio ou subordinados passivos a autoridades civis. Queremos ser aceitos como cidadãos. É por isso que estamos falando de uma nova democracia.

Nele, não deve haver restrição à participação de oficiais militares em cargos públicos.”

Ainda segundo a fonte, inicialmente o Exército não estava unido completamente em torno da opção Bolsonaro, mas foi adestrando o ex-deputado. As declarações do militar anônimo revelam ainda que os militares de nacionalistas não têm nada e impuseram sua política a Bolsonaro, para depois o levarem à presidência da República.

Bolsonaro estava aberto ao diálogo e, dia a dia, vimos que ele mostrava valores importantes, como disciplina, respeito e muita humildade. Ele aceitou nossas sugestões e mudou muitas de suas posições anteriores. Por exemplo, passou do nacionalismo econômico que anteriormente defendia ao liberalismo. Isso, o que é visto na campanha, foi o produto do diálogo que o Exército abriu com ele, não tem dúvidas.

Além disso, o militar entrevistado revela ainda o anticomunismo das Forças Armadas, ainda mais devido à necessidade da burguesia e do imperialismo de impor uma política dura de neoliberalismo contra o povo a partir da crise de 2008, tendo inevitavelmente que retirar o PT do governo.

“Ficamos claros que os partidos do centro não se uniriam para enfrentar a esquerda”, disse. Ou seja, os militares tiveram de agir e comandar o golpe. Não foram os partidos de “centro” (a direita tradicional) que organizaram o golpe contra Dilma em 2016, a prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro. Como a própria declaração revela, foram sobretudo os militares que deram o golpe de Estado, mesmo que por debaixo dos panos.