Manipulação
Pesquisa divulgada pelo Datafolha, ligado ao jornal Folha de São Paulo, cria dados artificiais para passar a ideia de que o povo não quer Lula

Por: Redação do Diário Causa Operária

O instituto Datafolha, ligado ao jornal Folha de São Paulo, divulgou uma pesquisa de opinião sobre a anulação dos processos e restituição dos direitos políticos do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.  Foram entrevistadas 2.023 pessoas entre os dias 15 e 16 de março.

Para 57% dos entrevistados,  a sentença condenatória do ex-juiz Sergio Moro é considerada justa. Outros 38% afirmam que a decisão foi injusta e 5% não souberam opinar sobre a questão.

Sobre a determinação do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, 51% dos entrevistados consideram que o ministro agiu mal. Porém, 42% acham que foi correto e 6% não manifestaram uma opinião,

No que tange à elegibilidade do ex-presidente, 51% não querem que ele concorra nas eleições presidenciais de 2022 e 47% querem. A anulação dos processos e sentenças é amplamente conhecido pelo público: 87% sabem sobre o caso. Desses, 37% se consideram bem informados, 44% mais ou menos informados e 13% não têm conhecimento. Entre as parcelas mais ricas da população, 99% conhecem a questão Lula.

O Datafolha aponta que os nordestinos (63%), faixa mais pobre da população  (renda de até 2 salários mínimos, 57%) e setor menos escolarizado (ensino fundamental completo, 60%) são favoráveis à candidatura de Lula. Estes setores consideram que Fachin agiu corretamente.

Por outro lado, a parcela que tem curso superior (58%) e empresários (70%) repudiam a decisão do ministro. Do ponto de vista regional, as regiões Sul (61%) e Sudeste (57%) se posicionam contra a anulação dos processos.

A pesquisa admite que há uma polarização social entre Jair Bolsonaro e Lula, que se expressa também no terreno eleitoral. A avaliação sobre o governo Bolsonaro é uma questão fundamental para determinar as posições e preferências no espectro político.

A pesquisa do Datafolha representa uma tentativa artificial de produzir dados que indiquem o rechaço majoritário da população à candidatura do ex-presidente Lula. O que é uma flagrante tentativa de manipulação política.

A restituição dos direitos políticos de Lula é descrita como uma bomba no cenário político, uma vez que desestabiliza o cenário eleitoral marcado pelo controle institucional dos golpistas. Todos os partidos políticos, da extrema-direita à extrema-esquerda, os jornais burgueses nacionais e internacionais, a imprensa televisiva e radiofônica, os movimentos sociais, sindicatos e o conjunto da população discutiram a questão Lula. 

Só faria sentido que o caso Lula tivesse tal ressonância, se fosse de grande relevância. Em diversas pesquisas feitas por instituições burguesas, não foi possível esconder que Lula estava em primeiro lugar no quesito potencial de votos, com cerca de 50%, à frente do atual presidente fascista Jair Bolsonaro (ex-PSL, sem Partido). A possibilidade de Lula concorrer abriu uma crise no bloco golpista, que já tenta manobrar para torná-lo inelegível novamente.

A burguesia não aceita Lula e não quer o retorno do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo federal. Em virtude disso, tenta manobrar para criar um cenário artificial que aponte para uma rejeição a Lula e ao PT, missão que está sendo levada adiante pela pesquisa do Datafolha.

A Folha de São Paulo tenta se apresentar como um jornal democrático e esquerdista, de oposição ao bolsonarismo e que defende a democracia. Ela abre espaço para políticos direitistas da esquerda pequeno-burguesa em suas colunas, como Guilherme Boulos (PSOL), Vladimir Safatle (PSOL), Fernando Haddad (PT). Até mesmo Bernardo Cerdeira, da direção nacional do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), recebeu espaço para defender o golpe de Estado na Nicarágua.

Guilherme Boulos é o político da esquerda pequeno-burguesa preferido da Folha. O mesmo tratamento não é dispensado para o ex-presidente Lula, cuja candidatura é abertamente hostilizada pelo jornal burguês. Nas eleições municipais de São Paulo, Boulos concorreu e contou com cobertura, holofotes e apoio da imprensa capitalista. Setores até mesmo chegaram a declarar apoio a sua candidatura. A ideia era projetar Boulos como uma candidatura de esquerda para as eleições presidenciais de 2022 e colocar Lula e o PT para fora do jogo.

Lula e o PT representam uma alternativa real, pelo menos do ponto de vista eleitoral, em relação ao golpe de Estado e ao governo Jair Bolsonaro. Por sua vez, a Folha trabalha para consolidar uma esquerda inofensiva, dócil e integrada ao regime político golpista; uma espécie de ala esquerda do regime. Não à toa, o jornal dá muito espaço para os parlamentares e políticos do PSOL – em particular Guilherme Boulos – e intelectuais da corrente teórica e política do identitarismo, como Djamila Ribeiro. É de se destacar que esta corrente burguesa e pró-imperialista ecoa profundamente na militância do PSOL.

Os dados divulgados da pesquisa são uma farsa. Lula é o político mais popular do país, desfruta de apoio da classe operária, dos sindicatos, movimentos sociais e é uma figura de relevo no cenário político e eleitoral. Os dados artificiais buscam esconder que quem quer Lula preso e fora das eleições não é a população, mas a própria Folha.

 

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