Escola com Fascismo
A folclórica ministra Damares disse que o governo Bolsonaro quer criar um “disque denúncia” institucional, para atacar o professorado em nome “da moral, da religião e da família”.
A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, MMFDH, Damares Alves, e a  procuradora-geral da República, Raquel Dodge, durante palestra de abertura do diálogo Perspectivas dos Direitos Constitucionais Indígenas, no Ministério Público Federal.
Damares e Raquel Dodge durante palestra no MPF. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil. |

A folclórica ministra dos Direitos Humanos Damares Alves, que “consagrou-se” por afirmar ter visto Jesus na goiabeira, anunciou uma duríssima ofensiva do governo Bolsonaro contra os professores e o ensino público brasileiros. Ao participar de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Belo Horizonte nesta terça-feira (19), que discutia “o suicídio e a automutilação de jovens”, a ministra afirmou que o governo vai criar um canal institucional para que pais de alunos possam reclamar de professores que, durante as aulas, atentem “contra a moral, a religião e a ética da família”. As informações são dadas no sítio Exame, da golpista editora Abril.

Ao contrário de outras declarações da ministra, tais como a que procurava estabelecer o padrão secular “azul como a cor dos meninos e o rosa como a cor das meninas”, não se trata de uma declaração inofensiva. Por detrás da velha demagogia da direita, que diz defender a “moral, a religião e a família”, esconde-se uma política perigosíssima, que visa, assim como o projeto Escola Com Fascismo, impor sobre as escolas e universidades um regime ditatorial, para sufocar completamente a esquerda nestas instituições.

Tendo em vista a grande importância do movimento estudantil no movimento popular, visto que, embora as manifestações do primeiro semestre deste ano fossem na realidade contra as políticas do governo de conjunto, foi em torno dos ataques à educação que o movimento buscou se organizar, o governo Bolsonaro procura sufocar completamente a esquerda em escolas e universidades. A própria matéria do Exame destaca a relação desta medida anunciada por Damares ao projeto “Escola com Fascismo”, que a direita cinicamente chama de “Escola sem Partido”.

Embora seja, conforme discutimos anteriormente, um duríssimo ataque à esquerda, ao movimento estudantil e aos profissionais da educação, há também nesta ação política o típico caráter obscurantista, característico da extrema-direita, assim como temos visto na Bolívia. Damares cita um suposto caso onde um professor de ensino fundamental teria pedido aos estudantes de uma turma de sexto ano que fizessem uma redação sobre sexo oral e sexo anal. Mesmo que fossemos acreditar piamente nesta denúncia, que tem o cheiro das típicas mentiras da direita tais como a “mamadeira de pinto”, qual seria a relevância deste caso, diante do gigantesco universo educacional brasileiro? É a deixa que a extrema-direita procura explorar, para impor a sua ideologia, profundamente reacionária.

Damares prometeu ainda que o governo produziria um material didático “adequado” para a discussão de temas como sexo, que seria enviado para as escolas. Quer dizer, agora, o governo Bolsonaro procura impor a sua cartilha, o seu “kit antigay”! Quer dizer, mais uma vez, vemos a direita fazendo justamente aquilo que ela acusa a esquerda. Que tipo de “orientações sexuais” podemos esperar de elementos de extrema-direita, tais como Damares? Caso deixassem esta gloriosa tarefa nas mãos do astrólogo direitista Olavo de Carvalho, é provável que no final das contas a tal cartilha ficasse inapropriada para menores de idade…

Finalmente, devemos mais uma vez destacar que, embora Damares seja um elemento de certa forma até humorístico, quase um palhaço, com suas ações extravagantes e obscuras, esta medida anunciada pela ministra dos Direitos Humanos é uma gravíssima ameaça e deve ser amplamente denunciada. É mais um ataque que deve se somar às outras centenas de reivindicações, que se afunilam inevitavelmente para o “Fora Bolsonaro”.

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