Uma fraude total
Dallagnol reconhece que processo contra Lula era político
Lula não pode ficar mais nem um minuto preso
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Uma fraude total
Dallagnol reconhece que processo contra Lula era político
Lula não pode ficar mais nem um minuto preso
Lula no dia de sua prisão, em 7 de abril de 2018.
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Lula no dia de sua prisão, em 7 de abril de 2018.

Era tudo mentira.

Você certamente se lembra da infame edição do Jornal Nacional que parou o Brasil para assistir o áudio do diálogo gravado entre o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma. Era fruto de um telefonema grampeado ilegalmente entre os dois, a mando do atual Ministro da Justiça, Sérgio Moro, que, na época se fingia de juiz. Até aí já seria demais: em qualquer lugar civilizado do mundo, um juiz de primeira instância que mandasse grampear o telefone do mandatário do seu país, perderia o mandato imediatamente.

Se além disso, se enviasse a conversa para ser divulgada em rede nacional de televisão, pegaria cadeia pesada, por atentar contra a pátria. Pois foi em função do clamor entre os coxinhas que tal divulgação gerou, que o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, impediu que Lula se tornasse Ministro Chefe da Casa Civil do governo da Dilma, já que o diálogo deu a entender que Dilma só o estava nomeando ao cargo para blindá-lo, para que tivesse foro privilegiado e escapasse da Lava Jato. Em uma parte da conversa, Dilma dizia que estava enviando um mensageiro com um documento, o termo de posse, para Lula usar em caso de necessidade.

Isso tudo aconteceu no dia 16 de março de 2016. De lá para cá, muita água passou pelo moinho do golpe de estado. Dilma foi derrubada pela Câmara no mês seguinte, Temer assumiu, o golpe foi confirmado pelo Senado em agosto do mesmo ano, Lula foi preso na masmorra de Curitiba, impedido de concorrer às eleições de 2018, Bolsonaro e a extrema-direita assumiu o poder e segue o baile, destruindo o Brasil, fatiando e entregando para os gringos.

Somente neste último domingo, três anos e meio depois, o jornal Folha de S.Paulo, timidamente, como convém a uma imprensa golpista, revelou que aquele diálogo entre Lula e Dilma foi manipulado pela quadrilha de Curitiba. Na verdade, foram 22 diálogos grampeados entre os dois ex-presidentes e as frases mais convenientes foram juntadas e divulgadas por Moro e sua gangue para darem a entender o que foram entendidas.

A realidade é que Lula não estava nem um pouco ansioso em aceitar o pedido de Dilma, sim, pedido, de assumir a Casa Civil para atuar, com sua lábia, traquejo e maior experiência em negociação e costuras políticas e sindicais. Lula estava sendo escalado para juntar os cacos com o PMDB de Temer e de Cunha. Não tinha nada a ver com fugir do Moro e, sim, tentar reverter o golpe contra Dilma. Já passava da meia-noite daquele dia, quando Lula, depois de muito papo e resistência, topou. Então a Dilma disse que enviaria um mensageiro com o termo de posse, caso fosse necessário, pois Lula estava com dona Marisa doente e talvez, não pudesse comparecer em Brasília naquele momento.

As frases desconexas pinçadas e costuradas pela Conspiração golpista Lava Jato, depois ainda do grampo ilegal, foram responsáveis por modificar toda a realidade do País.

E agora, quem paga pelo que aconteceu e está acontecendo até hoje?

Além disso, a Folha também divulgou diálogos entre o coordenador da Lava Jato, o falso procurador federal Deltan Dallagnol, ainda no cargo, e outros integrantes do esquema conspiratório em que se refere ao ex-presidente Lula, com desdém, como “9” (por causa do dedo da mão esquerda, que Lula perdeu em um acidente no torno, quando era operário) e, explicitamente, admite que Lula é um preso político, com todas as letras.

“Mas a questão jurídica é filigrana dentro do contexto maior que é político”, escreveu Dallagnol em troca de mensagens com o os procuradores Carlos Fernando e Andrey, rebatendo a argumentação de que a escuta telefônica dos ex-presidentes foi ilegal.

A transcrição das mensagens entre Dallagnol e os outros, publicada pela Folha em sua edição do domingo, é parte da parceria que se estabeleceu entre o jornal e o sítio da internet Intercept, dirigido pelo jornalista e advogado estadunidense e residente no Rio de Janeiro Glenn Greenwald, que recebeu o material de um denunciante anônimo.

O Intercept, primeiro sozinho, depois em parceria com outros órgãos de imprensa, vêm soltando trechos da apelidada Vaza Jato há três meses. Todos os trechos, até agora, não deixam dúvida: foi uma conspiração, com Curitiba, com o TRF4, com o Supremo, com os militares, com a imprensa, com tudo. Um golpe de Estado em andamento.

E?

Nada. Os processos fraudulentos não foram anulados e as eleições manipuladas também não. Lula continua ilegitimamente preso há um ano e meio e Bolsonaro está aí assombrando o mundo e cumprindo sua agenda com seus senhores. Nada que Greenwald escancara mexe um centímetro da situação.

Só o povo na rua pode mudar isso. Por isso, todos a Curitiba dia 14!