Câmara dos Deputados
Rodrigo Maia articula uma grande frente ampla que lhe permitirá controlar indiretamente a Câmara dos Deputados.
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Maia, Doria e Frota
Bolsonaro e Maia, dois grandes aliados. | Pedro Ladeira/Folhapress

A nauseabunda direita golpista continua sua cruzada pela consolidação do golpe de 2016, que derrubou a presidenta Dilma Rousseff (PT), prendeu o ex-presidente e candidato favorito às eleições de 2018, Luís Inácio Lula da Silva (PT) e apoiou a candidatura do fascista Jair Bolsonaro (ex-PP, PSC, PSL e, agora, sem partido). A etapa atual se baseia em utilizar a falsa crença da esquerda pequeno burguesa na democracia burguesa para colocar dos seus em posições estratégicas, como as presidências do Senado e da Câmara federais.

Para isso, Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, articula a formação de um grande bloco de partidos, dos mais variados posicionamentos no espectro político, para combater, em teoria (e só nela), o fascismo, simbolizado no bolsonarismo.

Maia decidirá entre apoiar Baleia Rossi (MDB-SP) ou Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) para concorrer contra Arthur Lira (PP-AL). Se decidir apoiar Ribeiro, ter-se-á uma confusão sem tamanho, pois serão dois candidatos do Partido Progressistas. E é aí que mora o verdadeiro golpe da direita. O Progressistas vem da Arena, mesmo partido de onde surgiu o Democratas de Maia, e que compactua com o próprio Democratas em quase tudo.

Em outras palavras, a única coisa que a eleição tende a definir, de fato, é a facilidade que Maia e seus aliados mais próximos terão para articular sua política na Câmara pelos próximos dois anos.

Para a esquerda, tem-se aí uma grande contradição. Como, tão rapidamente, os que elegeram Bolsonaro agora se posicionam contra o mesmo? Faz sentido “virar a página do golpe” e esquecer que estes que agora se dizem amigos e antifascistas foram os que colocaram o país em situação de desgraça?

Como dito, não passa de um truque da direita para enganar a esquerda pequeno burguesa, carreirista até a medula, sob pretexto de dar alguns cargos em comissões e mesas da Câmara. Um truque muito bom, pois permite que os antes taxados de golpistas, agora sejam vistos como salvadores da pátria, civilizados e científicos. Tudo às custas do que resta de apoio popular a confusa esquerda parlamentar.

O PSOL, que não integra, nominalmente, o bloco, terá candidato próprio, mas apenas como jogo de cena, pois, no segundo turno, fará a fraudulenta política do “mal menor” e se integrará ao fã-clube do Democratas, como fez com Eduardo Paes nas eleições para prefeitura do Rio de Janeiro neste ano.

Por isso, é interessante fazer um breve retrospecto dos partidos de direita, que estão neste “blocão do Maia”, e que a esquerda finge desconhecer seu passado.

 

Partido Social Liberal (PSL)

O PSL sempre foi um partido de aluguel da burguesia. Não possuía relevância política alguma até as eleições de 2018, quando lançou o fascista Jair Bolsonaro à presidência. Aproveitando-se a base social do presidente eleito de forma fraudulenta, conseguiu atrair um bom número de nomes com alguma presença eleitoral, o que o fez saltar de 1 para 52 deputados federais e 0 para 4 senadores.

Apesar de ter conquistado 90 prefeituras, em 2020, sabe-se bem que o PSL é apenas uma legenda que está “surfando” na onda bolsonarista, mas que ou deve se tornar uma legenda acessória do DEM ou retornar ao limbo de onde nunca deveria ter saído.

 

Partido Verde (PV)

Apesar de ter um discurso de esquerda, todos sabem que o PV só é de esquerda no imaginário dos tolos. O partido, que antes era conhecido por defender a legalização das drogas e do aborto, nos últimos 20 anos existe como uma legenda de aluguel por excelência. Dentre os quadros históricos do PV, tem-se Marina Silva (agora na Rede Sustentabilidade), Fernando Gabeira e, pasmem, Sarney Filho (filho de um dos maiores direitistas de história, José Sarney) e Álvaro Dias (tucano histórico).

Nas eleições de 2010, o PV se colocou à serviço da direita. O objetivo da candidatura de Marina Silva era claramente retirar votos de Dilma Rousseff do PT. Isto ficou bastante claro com o apoio de nomes importantes do partido, como Fernando Gabeira e Marcelo Lelis, a candidatura do tucano José Serra.

Em 2014, o PV repetiu a dose. Agora, com a candidatura de Eduardo Jorge, apoia o golpista Aécio Neves (PSDB) no segundo turno.

O PV votou, em 2016, pelo impeachment, consolidando-se como um partido golpista, praticamente uma sublegenda do PSDB.

Em São Paulo, o Partido Verde é um aliado do PSDB, tendo deixado de concorrer às eleições municipais de 2020 para apoiar Bruno Covas.

 

Cidadania

O Cidadania, anteriormente chamado Partido Popular Socialista (PPS), surgiu de parte do “cadáver” do antigo PCB. Liderado por Roberto Freire, o partido, defende a ridícula e demagógica “radicalidade democrática”, o que significa apoio irrestrito à burguesia. Tanto que o partido, assim como o PV, não passa de uma sublegenda do PSDB.

Ainda como PPS, foi um dos partidos mais agressivos no impeachment da presidenta Dilma. Entretanto, graças à sua política golpista, teve de mudar o nome para Cidadania para esconder seu papel no golpe.

Nas eleições de 2010, 2014 e 2018, o PPS encampou alianças ao lado de partidos da direita como PSDB, PSL, PPL, PP, PR e outros, mostrando, que de esquerda tem nada. Muito pelo contrário, é um partido legitimamente de direita.

 

Partido Democrático Trabalhista (PDT)

O PDT é um partido que historicamente até desempenhou algum papel na esquerda brasileira. Mas isto é um passado que foi enterrado. Principalmente após a morte de Leonel Brizola, o partido perdeu qualquer pudor e tornou-se, ainda mais, um grande antro de direitistas da pior espécie.

Na prática, o PDT é, hoje, um partido de aluguel, ao qual Ciro Gomes e seus aliados direitistas utilizam para fantasiarem-se de esquerdistas, a fim de enganar a população, especialmente os cearenses.

A política de alugar a legenda fez com que o PDT tivesse, dentre seus quadros, diversos golpistas, especialmente no Senado, onde os seus três senadores votaram pelo impedimento de Dilma Rousseff. O PDT também deu votos à Proposta de Emenda Constitucional 55, que estabeleceu o criminoso teto de gastos, responsável direto pela destruição dos serviços públicos no Brasil.

Recentemente, o partido chegou a apoiar o Marco Regulatório da Água, que permite a privatização da água. Um ataque violento ao direito da população à água.

Partido Social Brasileiro (PSB)

O PSB é outro partido que se diz de esquerda. Entretanto, assim como muitos outros, só no papel, pois, nas ações, não deve coisa alguma à direita. A partir do momento que o governo do PT mostrou alguma instabilidade, liderados pelo Eduardo Campos, foi correndo aos braços da direita, posição a qual continua.

Não que o PSB não tivesse um histórico direitista, afinal, abrigou, durante algum tempo (assim como PDT), Anthony e Rosinha Garotinho.

O PSB também teve um papel vergonhoso no impedimento de Dilma Rousseff ao votar pelo impedimento. Isto mostra que é, sim, um partido golpista e traidor da esquerda.

Movimento Democrático Brasileiro (MDB)

O MDB, antigo PMDB, é um partido que surgiu do MDB da ditadura, uma oposição consentida pelo governo militar e que só servia para fazer figuração e legitimar o governo antidemocrático. Assim, seus quadros históricos sempre foram uma miscelânea, entretanto, bastante direitistas e ligados a direita.

Dada a sua amplitude, o partido sempre teve um grande número de deputados e senadores, o que o fez se tornar um partido com comportamento chantagista. Basta ver o seu papel durante o processo fraudulento do mensalão, onde pressionou, de todas as maneiras o PT a aceitar uma aliança. Aliança esta que, futuramente, levaria a desgraça do próprio PT, pois no MDB estavam nomes como Eduardo Cunha e Michel Temer.

Também é o partido de outras figuras como José Sarney e Renan Calheiros. Em outras palavras, é um partido ligado bastante ligado à burguesia. Basta ver a situação de pobreza a qual estes dois nomes reduziram os estados do Maranhão e de Alagoas.

Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)

O PSDB é um dos maiores inimigos do povo brasileiro. Basta lembrar o papel do partido enquanto esteve na presidência da república com Fernando Henrique Cardoso e seu furor privatista.

Durante o governo de FHC, foram realizadas as obscenas privatizações, sob supervisão do seu ministro do planejamento, José Serra. Foram sucateados bancos públicos estaduais para que fossem vendidos a preço de banana para os capitalistas. A Vale do Rio Doce foi entregue aos capitalistas pelo ridículo valor de R$3,3 bilhões. A Telebrás, outra grande estatal brasileira, foi desmembrada e vendida aos pedaços para capitalistas nacionais e estrangeiros.

Todas estas privatizações foram alvos de grandes escândalos de corrupção. Em 2010, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, suspendeu todos os processos que investigavam ilegalidades na privatização da Vale do Rio Doce, mostrando que os acordos entre a direita e o Supremo não surgiram apenas para derrubar Dilma Rousseff.

Há também de ser ressaltado o papel ditatorial que o PSDB exerce no estado de São Paulo a quase 3 décadas. Eleito sob justificativa de ser um “mal menor” contra Paulo Maluf, o PSDB impôs um sério regime repressivo e entreguista no estado mais rico do país.

Democratas (DEM)

O Democratas (ex-PFL), junto com o PP, é o partido que representa o partido da ditadura, a ARENA, no contexto político atual. O partido, que no início deste século, não passava de um cadáver ambulante, principalmente após a tentativa de candidatura de Roseana Sarney à presidência, a morte, de fato, de Antônio Carlos Magalhães (ACM) e a morte, eleitoral, de Marco Maciel.

O partido sempre esteve metido em grandes escândalos de corrupção, dentre eles a violação do painel de votação do Senado Federal pelo presidente do Senado, ACM. Este evento, ocorrido em 2001, fez com que ACM tivesse de renunciar ao cargo para não perder seus direitos políticos. Em maio deste mesmo ano, em Salvador, a juventude, sindicatos, partidos de oposição a ACM e movimentos sociais fizeram uma grande onda de protestos pela cassação do mandato de ACM. O evento ficou conhecido como Maio Baiano, que chegou a virar tema de livro e de um documentário dirigido por Carlos Pronzato.

A população, cada vez mais, mostrava seu ódio aos apoiadores da ditadura, o que fez com que o PFL tivesse que mudar seu nome para Democratas. Tudo para parecer mais moderno e tentar enganar o povo, assim como fizeram outras diversas legendas.

E neste ponto, surgem dois nomes que foram responsáveis pelo ressurgimento eleitoral do Democratas. Rodrigo Maia e ACM Neto. Juntos, os dois articularam os mais imagináveis esquemas e são, hoje, os principais responsáveis pela Frente Ampla.

Responsáveis diretos pelo golpe de 2016 e apoiadores ferrenhos de Bolsonaro em 2018, Maia e ACM Neto conseguiram, através de grande malabarismo político colocar o DEM na cadeira das presidências da Câmara e do Senado. Mesmo antes de qualquer Frente Ampla, ambos já faziam alianças formais e informais com os elementos mais direitistas da esquerda. O PCdoB, em 2019, apoiou, sob justificativas similares a de hoje, Rodrigo Maia à presidência da Câmara e acabou ganhando uma ou duas cadeiras em comissões.

Entretanto, na Bahia, é que a Frente Ampla encontra-se em seu estado mais desenvolvido. Em 2018, o prefeito de Salvador e presidente do DEM, ACM Neto, lançou José Ronaldo para disputar o governo do estado, o que favoreceu o governador Rui Costa (PT) em sua eleição. Já em 2020, Rui Costa devolveu o favor, impondo um golpe dentro do PT baiano, o que colocou uma major da Polícia Militar para concorrer a prefeitura, facilitando que o candidato de ACM Neto (e Bolsonaro), Bruno Reis, ganhassem as eleições.

Na cidade do Rio de Janeiro, algo parecido ocorreu entre o DEM e o PSOL, que colocou um candidato fantoche, apenas para apoiar Eduardo Paes no segundo turno. Tudo sob alegação de que estariam combatendo o bolsonarismo. Pois, mal Paes ganhou as eleições, já avisou que trabalhará com Bolsonaro. E enquanto isso, a esquerda ficou em total silêncio.

 

Uma fraude contra o povo

 

O chamado “blocão” é uma grande fraude para enganar a esquerda. Caso vitorioso, é de se imaginar que a imprensa dita progressista fará grande propaganda como se fosse uma vitória da “democracia”. Entretanto, será uma grande vitória para o Democratas e seus aliados. Fica claro que Maia e ACM Neto controlarão o futuro presidente da Câmara como um fantoche.

Isto vai desmobilizar ainda mais a esquerda, tanto por deixar em estado de êxtase os mais ingênuos quanto por passar uma mensagem negativa às bases com esse apoio a golpistas. O povo conhece o naipe dos quadros da direita. É impossível aliar-se a estes e querer manter seu prestígio incólume.

Para o povo, a materialização deste grande bloco de apoio à direita, será o prenúncio de derrotas ainda mais violentas e da retirada de direitos da classe trabalhadora, cortes na educação e na saúde e mais repressão.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas