CUT não reconhece o governo Bolsonaro: todos à 2ª Conferência contra o golpe pelo “Fora Bolsonaro”

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A recente declaração do presidente da CUT, Vagner Freitas, expressou um sentimento, que embora ainda minoritário, torna-se cada vez mais real para uma parcela expressiva dos movimentos que impulsionaram a luta contra o golpe.

Freitas disse que Bolsonaro foi eleito com uma fraude, que seu governo não é legítimo e que “Todos sabem que Lula seria eleito no 1º turno, por isso está preso. Logo, fica muito claro que nós não reconhecemos o senhor Bolsonaro como presidente da República”.

Ele falou em um ato realizado no dia 14/11, em frente à Polícia Federal em Curitiba em apoio ao ex-presidente Lula, que naquela prestava um novo depoimento aos seus algozes da Lava-Jato. É significativa a declaração do presidente da CUT, ainda por um outro motivo. Ocorre em um momento em que lideranças de esquerda dizem que o resultado eleitoral teria que ser reconhecido e respeitado. De acordo com essa concepção as eleições não foram fraudadas e existiria, inclusive, uma tendência à direita entre os trabalhadores brasileiros.

Nada mais enganoso. Essas foram provavelmente as eleições mais fraudadas e manipuladas na história do Brasil. Não poderia ser diferente. Foram preparadas para serem um grande passo na legitimação do golpe. É por isso que reconhecer Bolsonaro e as eleições ilegítimas é uma capitulação monstruosa de diversos setores da esquerda.

É ainda interessante notar que vários dos esquerdistas que hoje defendem a legitimidade do governo golpista e fraudulento de Bolsonaro, eram os mesmos a alardearam durante o segundo turno das eleições “a luta entre a barbárie e a civilização”, “o apocalipse fascista com a vitória de Bolsonaro”, “o bem contra o mal”, etc.

Ficaria então a pergunta: quem mudou, eles ou Bolsonaro? Nenhum dos dois. O comportamento da esquerda era um misto de pavor e oportunismo eleitoral e continua no mesmo compasso, só que agora preparando-se para a oposição parlamentar. Bolsonaro, embora ele mesmo um fascista, tornou-se o candidato do golpe de Estado, que, independentemente das suas crenças, vai seguir a cartilha do grande capital e por isso tem como propósito atacar duramente as condições de vida das massas. Para isso, desde o golpe militar até a atividade abertamente fascista são possibilidades que não podem ser descartadas.

O fenômeno do fascismo no Brasil não é resultado das eleições, mas do golpe de Estado, que para se impor, para revestir-se de uma aparência “popular”, teve que incentivar os grupos fascistas existentes no país. Nesse sentido, esse fenômeno continuará se desenvolvendo caso a esquerda corra atrás das instituições golpistas como forma de se proteger e não organize a luta contra o fascismo nas ruas.

Por isso que foi muito significativa a colocação de Vagner Freitas. Bolsonaro não tem de ser reconhecido. Precisa ser enfrentado antes que o regime evolua mais ainda à direita.

Todos os setores que lutam contra o golpe, contra a ameaça de golpe militar, contra a ameaça fascista no Brasil têm um compromisso fundamental nos próximos dias 8 e 9 de dezembro: a 2ª Conferência Nacional Aberta dos Comitês de Luta Contra o Golpe e o Fascismo. A Conferência deve ser um marco político na luta por unificar todos os setores que de fato lutam contra o golpe em uma frente única para derrotar o golpe, pelo Fora Bolsonaro e pela Liberdade de Lula e de todos os presos políticos.