Focinheira em Bolsonaro
Bolsonaro só conseguiu chegar à presidência graças ao ambiente criado pelo golpe contra o governo do PT e ao apoio da burguesia, da qual a imprensa capitalista é parte essencial.
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Bolsonaro desanimado
Fonte: Al Jazira. |

A polarização política minou as candidaturas tradicionais da direita em 2018. A burguesia foi obrigada a seguir o deslocamento das bases sociais direitistas rumo à extrema-direita. Mas o apoio do empresariado ao atual governo está condicionado à absoluta obediência de Bolsonaro a todas as reivindicações burguesas. Assim como o PDT de Ciro Gomes, o PSDB de Fernando Henrique, e as alas direitistas de partidos de esquerda, a imprensa capitalista aceita o governo Bolsonaro desde que possa controlá-lo.

Na edição de 27 de fevereiro, a Folha de São Paulo, um dos porta-vozes da burguesia, expressou outra vez essa política. Na coluna ‘Custo Bolsonaro’ está envenenando a economia, o jornalista Fernando Canzian defende a tese de que a principal ameaça à continuidade do medíocre crescimento econômico brasileiro são as constantes palhaçadas de Bolsonaro e sua família.

Segundo o colunista, existem vários fatores que favorecem o crescimento econômico: inflação e juros baixos, a agilidade do Congresso para aprovar reformas como a da Previdência, a política econômica de Guedes de cortes profundos nos gastos públicos. A combinação desses elementos seria favorável aos investimentos, atenderia tanto a empresários quanto a consumidores. Por que o crescimento econômico não se acelera?

A resposta do autor é que Bolsonaro é a causa principal da paralisia econômica. As crises geradas pelas trapalhadas do presidente ilegítimo minariam, na avaliação de Canzian, a confiança de empresários e consumidores na estabilidade da economia brasileira. Quando se abalam as esperanças, não há investimentos. E não há sinal de que a situação se transformará, considerando os 14 meses do governo ilegítimo.

Das crises, Canzian menciona o desrespeito de Bolsonaro às instituições “democráticas” e à constituição de 88; o avivamento de discussões sobre crimes de responsabilidade e razões de impeachment contra Bolsonaro. De forma cínica, o autor invoca a autoridade da constituição para encurralar o presidente ilegítimo, ainda que o seu empregador, a Folha de São Paulo, a tenha desprezado completamente ao apoiar o golpe contra Dilma Rousseff e a fraude eleitoral de 2018 cujo elemento central foi a prisão política de Lula.

Curiosamente, o jornalista não menciona a altíssima taxa de desemprego (cerca de 12%), o medíocre reajuste do salário mínimo e a destruição de programas de distribuição de renda. Como o consumo pode aumentar se a renda de grande parte da população foi atacada dessa maneira? Além disso, ocorreram o corte de investimentos estatais e a destruição de setores da economia brasileira por operações como a Lava-Jato.

No contexto da luta de classes, não há dúvida sobre o lado defendido pela Folha e seus comparsas da imprensa capitalista. A Folha apoiou a ditadura militar. Há evidências de que a sua colaboração chegou ao ponto de emprestar carros aos militares para prisões políticas. Uma das empresas mais importantes do Grupo Folha é o Pagseguro, do setor financeiro. Apesar de um certo verniz esquerdista, pelo fato de ter colunistas da esquerda pequeno-burguesa, a Folha está comprometida com a defesa dos interesses da burguesia contra os interesses dos trabalhadores.

É um dever de todos os setores da esquerda a luta pela queda de Bolsonaro e de todos os golpistas. Mas as vias da “democracia” liberal e as manobras da burguesia não são o meio para esse fim. É preciso que a classe trabalhadora lute de forma independente, e derrube o atual governo pela mobilização de massas. Fora Bolsonaro e todos os golpistas! Eleições gerais já!

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