Mais direitista que Trump?
Joe Biden possui um histórico de diversos ataques contra o povo norte-americano, embora a propaganda do Partido Democrata procure pintá-lo como “progressista”
FILE - In this Saturday, Dec. 1, 2018 file photo, former Vice President Joe Biden speaks during the UNLV William S. Boyd School of Law 20th Anniversary Gala at the Bellagio Casino in Las Vegas. On Monday, Dec. 4, 2018, Biden said he believes that he is the most qualified person in the country to be president. (Yasmina Chavez/Las Vegas Sun via AP)
O candidato do Partido Democrata, Joe Biden | Imagem: Yasmina Chavez/Las Vegas Sun via AP

O candidato às eleições presidenciais norte-americanas pelo Partido Democrata, Joe Biden, é vendido pelo imperialismo e pela burguesia como um candidato progressista e que defende os direitos das minorias dos Estados Unidos, como os negros e os latinos imigrantes. Porém, uma olhada em seu histórico mostra que tudo isso não passa de uma propaganda feita para capturar votos e enganar os incautos. Na prática, Biden é tão direitista quanto Donald Trump, e de certa forma, até mais perigoso que ele, por estar ligado ao setor mais fundamental do imperialismo.

Para provar esse ponto, uma matéria do portal Vox cita o caso de uma lei criminal de 1994, que foi escrita por Biden, na época senador, e sancionada pelo ex-presidente Bill Clinton, também da ala direita do Partido Democrata. Além deles, Bernie Sanders, tido por muitos inclusive como “socialista”, também votou a favor dessa lei. 

O chamado “Decreto de Controle de Crimes Violentos e de Aplicação da Lei”, conhecido hoje como “Lei criminal de 1994”, possuía características extremamente direitistas e é considerado por muitos como uma tentativa de aumentar o encarceramento em massa da população negra dos Estados Unidos. 

Ele impôs regimes mais duros no âmbito federal e forneceu fundos para os estados construírem mais prisões, possibilitando o aumento dos seus índices de prisões. Além disso, também apoiou programas de subsídios que incentivavam os policiais a realizar mais prisões relacionadas a drogas, o que configurou uma escalada na “guerra às drogas”.

Para complementar tudo isso com alguma demagogia esquerdista, havia também no decreto uma sessão chamada “Lei da Violência contra as Mulheres”, que teria fornecido mais recursos para reprimir a violência doméstica e o estupro. Além disso, também havia uma provisão que ajudava a financiar verificação de antecedentes de armas. Apesar de aparentemente “bem-intencionadas” também eram medidas que levavam ao aumento no encarceramento da população e fortaleciam o aparato repressivo do Estado.

Ao se gabar de sua lei, o próprio Joe Biden afirmava que “a ala liberal do Partido Democrata” era responsável por mais “60 novas penas de morte”, mais “70 penas mais severas”, “100.000 novos policiais” e “125.000 novas celas de prisão nos estados”. Além dessa lei extremamente direitista, por cuja elaboração ele foi um dos principais responsáveis, Biden também apoiou diversas outras leis extremamente direitistas, algumas das quais seguem abaixo: 

  • Lei de Controle Abrangente: Lei de 1984, aumentava as multas federais por tráfico de drogas e legalizava o confisco de bens de civis, permitindo à polícia apreender a propriedade de uma pessoa, podendo ser dinheiro, carros ou armas, sem que essa pessoa fosse comprovadamente culpada por crime algum.
  • Decreto contra o abuso de drogas de 1986: Lei que aumentava penas contra crimes relacionados a drogas e que, entre outras coisas, aumentou a disparidade de sentença entre posse de crack e cocaína, fazendo com que as penas para portadores de crack fossem muito mais altas do que para os de cocaína. A lei tem forte cunho racista e classista, visto que, embora sejam semelhantes em sua composição, o crack é uma droga mais comumente usada por negros e pobres nos EUA, enquanto a cocaína, droga mais cara, é usada por brancos e pessoas com melhores condições financeiras de um modo geral.
  • Decreto contra o abuso de drogas de 1988: Aumentava as penas de prisão por posse de drogas e aumentou as multas pelo transporte de drogas, além de estabelecer o Escritório de Política Nacional de Controle de Drogas, um novo aparato de investigação e repressão, com a função de oprimir ainda mais a população norte-americana.

Tudo isso mostra que Joe Biden não tem nada de progressista. No aspecto fundamental, ele foi responsável pela aprovação de diversas leis que serviram como base para o aumento da repressão nos EUA, que já é uma sociedade extremamente policialesca e que executa uma violentíssima perseguição contra os setores mais oprimidos. Em uma anedota que demonstra sua tendência ultra-direitista, ele fez uma crítica a um plano de George Bush pai de intensificar a guerra às drogas, dizendo que o plano “não ia longe o suficiente, não tinha policiais o suficiente, celas de prisão suficientes ou leis severas o suficiente” para tratar da questão, além de exigir que não fossem punidos apenas os traficantes, mas também os usuários de drogas.

Relacionadas