Médicos cubanos
Equipe de profissionais da saúde de Cuba tiveram uma atuação mais do que destacada no enfrentamento à pandemia
Foto: Yamil Lage / AFP
Brigada Henry Reeve | Foto: Yamil Lage / AFP

As Brigadas Henry Reeve estão sendo indicadas para receber o prêmio Nobel da Paz. A carta dirigida ao comitê do Prêmio Nobel da Paz 2021 começa assim: “Em meio a esta pandemia sem precedentes na história moderna, há um grupo de profissionais de saúde de um pequeno país que proporcionou esperança e inspiração a pessoas do mundo todo: os médicos e enfermeiros cubanos membros da Brigada Médica Internacional Henry Reeve, que agora trabalham em 21 países para combater a Covid-19. Em reconhecimento a sua magnífica solidariedade e desinteresse, salvando milhares de vidas ao colocar suas próprias vidas em perigo, solicitamos que lhes concedam o Prêmio Nobel da Paz deste ano”.

Segundo o testamento do próprio Alfred Nobel, esse prêmio deve ser concedido “à pessoa que tenha trabalhado mais ou melhor a favor da fraternidade entre as nações, da abolição ou redução dos exércitos existentes e da celebração e promoção dos processos de paz”.

O movimento pela indicação das Brigadas ao prêmio começou em abril, na França, por iniciativa das organizações de solidariedade Cuba Linda e França Cuba, e se espalhou rapidamente. No dia 13 de junho, já tinha recebido a adesão de 164 organizações de 22 países – inclusive dos Estados Unidos – e de personalidades como Noam Chomsky, Alice Walker, Eve Ensler, o prêmio Nobel da Paz argentino Adolfo Pérez Esquivel, Ignacio Ramonet e João Pedro Stédile, além do ex-presidente equatoriano Rafael Correa.

As brigadas Henry Reeve, cujo nome oficial é “Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastre e Graves Epidemias Henry Reeve, foram criadas em 2005, após a passagem do furacão Katrina pelos Estados Unidos, matando 1800 pessoas e destruindo a cidade de Nova Orleans. Receberam esse nome em homenagem a um jovem norte-americano que lutou pela independência de Cuba.

Naquele momento, o governo Bush não aceitou a oferta de ajuda, mas a brigada já esteve em diversos países. Seu objetivo é apoiar qualquer nação em situação de crise sanitária, como a passagem de furacões, inundações e epidemias. Os dois primeiros países que a receberam foram a Guatemala e o Paquistão, que estavam sofrendo as consequências de uma tormenta e um terremoto, respectivamente. Foi assim também com o Ébola na África e o Cólera no Haiti. Contra a Covid-19, as brigadas cubanas estão hoje em 21 países, entre América Latina, Caribe, África, Europa e Oriente Médio. Como disse Chomsky, “Cuba é o único país que mostrou um genuíno internacionalismo durante a crise do coronavírus”.

A indicação ao prêmio constitui um justo reconhecimento ao esforço e altruísmo dos membros das Brigadas e também ao caráter internacionalista e solidário da ajuda cubana aos países que necessitam.

Neste momento, porém, essa indicação tem um peso ainda maior, porque se contrapõe ao infame ataque do governo Trump, que procura difamar o trabalho das missões médicas cubanas e que, nos últimos dias, com a iniciativa de três senadores norte-americanos reconhecidamente hostis à Ilha, ameaça impor sanções aos países que peçam ajuda médica a Cuba, numa grotesca transgressão ao direito das nações de estabelecer convênios e acordos bilaterais.

Porém, mesmo sendo da maior justiça, talvez as chances das Brigadas Henry Reeve de receber esse prêmio não sejam tão grandes como desejamos. Vamos torcer e insistir, para que o comitê do Prêmio Nobel da Paz 2021 resista às pressões do governo dos Estados Unidos e seus parceiros, que insistem em tentar destruir um pequeno país insular, que dispõe de poucos recursos materiais, mas tem muita honra, tenacidade e solidariedade.

Foto: Yamil Lage / AFP
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