Crítica de Haddad à Venezuela não é “questão de método”, é política direitista

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Neste sábado (09/02), ocorreu a reunião da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo. A reunião foi palco de mais debates sobre a questão da Venezuela e a ida da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ao ir à posse do presidente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro e não ir a posse de Jair Bolsonaro.

Na reunião o candidato derrotado nas eleições presidenciais, Fernando Haddad, mais uma vez mostrou-se um representante da ala direita do PT que quer entrar em acordo com os Bolsonaristas. Durante a reunião, Fernando Haddad foi questionado por suas declarações públicas a respeito da ida da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, a posse do Nicolas Maduro na Venezuela.

Segundo o Jornal Estado de São Paulo, Haddad teria respondido que a sua divergência foi de “método e não de mérito”.

Nesse momento, Gleisi Hoffmann teria tomado o microfone e afirmado: “Eu discordo dele. Acho que não é só questão de método. Tem um fundo político nisso. O PT tem que discutir, mas já temos uma posição pública que é a defesa da autodeterminação dos povos, da soberania e do reconhecimento do resultado das eleições”.

A afirmação de Gleisi Hoffmann está correta. A repercussão da entrevista de Haddad ao jornal de direita ‘El País’, afirmando “que não foi consultado sobre a viagem” e “não sei os argumentos para ir a Caracas, preciso considerar as consequências e impacto das ações na opinião pública mundial”, gerou uma repercussão muito ruim entre a esquerda, e em particular na militância de base do PT. A ambígua declaração de Haddad permitiu que elaborasse outra interpretação para a declaração, escondendo a verdadeira intenção da frase.

Apesar de dizer que foi “divergência de método”, Haddad é contra o chavismo e o governo Maduro. Sua posição é a mesma da direita do PT, da burguesia nacional e do imperialismo, que Nicolás Maduro é um ditador cruel e sanguinário que está matando seu povo de fome. Tanto é assim que não denunciou a tentativa de golpe, a intervenção imperialista e a sabotagem da burguesia na Venezuela em nenhum momento. Não por acaso, que Haddad declarou sucesso para Bolsonaro após a derrota nas eleições.

Há uma enorme luta dentro do PT entre setores de esquerda, que querem lutar contra a direita golpista e pela liberdade de Lula, e uma ala direita, a turma de “virar a página” do golpe e que buscam um acordo com a extrema-direita e Bolsonaro.

Gleisi Hoffmann, representa a ala esquerda do PT, formada por sindicalistas e movimentos sociais, que tenta se organizar para que Lula não apodreça na prisão e derrotar a extrema-direita. Já Haddad representa do setor mais direitista dentro do PT, representado também por Tarso Genro e os governadores petistas, além de setores parlamentares que querem renovar seus mandatos e, por isso, buscam acordo com os golpistas.

A ala direita do PT, juntamente com a burguesia golpista, quer imobilizar o PT e a esquerda na luta contra o golpe e pela liberdade de Lula. Querem transformar o PT num partido palatável para a burguesia e numa oposição que de sustentação para o regime golpista e Haddad é o principal representante deste setor.