Vasco e Botafogo derrubados
Com a visão apenas do lucro, capitalistas não ligam para a tradição e a história dos grandes clubes e se utilizam dos meios que forem necessários a seu favor e contra o futebol
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A Rede Globo juntamente com grandes capitalistas é responsável pela queda do futebol | Reprodução
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A Rede Globo juntamente com grandes capitalistas é responsável pela queda do futebol | Reprodução

Vasco e Botafogo estão rebaixados no campeonato brasileiro de futebol de 2020, juntando-se a outro grande do futebol, o Cruzeiro de Belo Horizonte, que caiu em 2019 e não conseguiu retornar em 2020. A queda de dois dos maiores clubes nacionais em uma única temporada é o reflexo do avanço e aprofundamento da política econômica de rapina sobre o futebol brasileiro.

Neste ano viu-se uma grande investida dos capitalistas do esporte em torno da tentativa de privatização de grandes clubes, como o próprio Botafogo, que teve eleições em 2020 e sua diretoria eleita foi de homens totalmente favoráveis a criação do Botafogo SA, passando a administração do Botafogo para a mão de capitalistas.

No entanto, queriam que os planos em torno do Glorioso fossem melhores e o clube permanecesse na primeira divisão. Mas a queda oferece novas possibilidades mais baratas a estes capitalistas, que se aproveitam da crise dos clubes para avançarem seus objetivos. Neste ano os capitalistas do esporte conseguiram sucesso em ter um clube na primeira divisão do Nacional, o Bragantino, ou melhor, o Red Bull Bragantino, que já tem seu principal craque e um dos artilheiros do brasileiro cogitado para embarcar para a Áustria, onde está o Leipzig Red Bull, a matriz da empresa.

A queda dos dois gigantes aumenta a pressão sobre estes clubes para a aceitação das imposições capitalistas de grandes empresas que terão mais força para impor sua dominação.

Neste ringue é importante levantar que nos últimos anos alguns clubes foram muito mais beneficiados com direitos de TV. Caso do Flamengo, que em um estudo da consultoria Ernst & Young entre 2015 e 2019, mostrou que foi o clube brasileiro que mais arrecadou com direitos de TV no Brasil (e a maioria esmagadora desse dinheiro saiu da Globo). A instituição rubro-negra faturou R$ 1,205 bilhão com direitos de TV no período – ou R$ 319 milhões a mais do que o Corinthians, o segundo colocado. Por aí já se vê a discrepância de valores em benefícios para determinados clubes em detrimento de outros.

Dentro da luta capitalista pelo esporte se vê a influência decisiva do VAR, na competição.

Em pesquisa do site Torcedores.com que levantou os clubes mais beneficiados e os mais prejudicados com o VAR. O Clube Atlético Paranaense e o Internacional de Porto Alegre foram os que tiveram o melhor saldo de benesses, com 14 interferências do VAR em lances de suas partidas na competição, sendo que nove delas foram favoráveis e outras cinco foram contrárias – saldo de quatro a favor. Na sequência, aparece o Fortaleza que teve 21 lances revisados pelo VAR, sendo que 12 deles terminaram sendo favoráveis – saldo de três a favor.

Já no lado oposto, o dos times mais “prejudicados” pelas decisões do VAR, tem se a maioria dos clubes que estão sendo rebaixados nesta temporada. O Vasco é o primeiro entre os mais “prejudicados”, tendo nada menos que 17 interferências que terminaram sendo contrárias em seus jogos no Brasileirão e apenas cinco a favor – saldo negativo de 12, o que está sendo decisivo para a degola.

Outro virtual rebaixado, o Sport, também tem mais decisões contrárias com saldo negativo de cinco – 11 contrárias e seis a favor.

Veja o ranking a seguir com os 5 mais favorecidos

1 – Athlético: 9 favor e 5 contra

2 – Internacional: 9 favor e 5 contra

3 – Fortaleza: 12 favor e 9 contra

4 – Flamengo: 11 favor e 8 contra

5 – Atlético-GO: 10 favor e 7 contra

 

A seguir os mais “prejudicados” no VAR

1 – Vasco: 17 contra e 5 favor

2 – Sport: 11 contra e 6 favor

3 – Botafogo: 14 contra e 10 favor

4 – Coritiba: 10 contra e 7 favor

5 – Red Bull Bragantino: 10 contra e 7 favor

5 – Atlético-GO: 10 favor e 7 contra.

Estes fatos mostram a interferência direta de interesses econômicos escusos no futebol brasileiro. Os capitalistas estão numa política de monopolização, ou seja, centralizar o esporte em poucos clubes, como acontece na Europa. O Rio de Janeiro, por ser um estado com dificuldades econômicas está sentindo isso na pele.

Para reverter a destruição do futebol nacional é necessária a intervenção política das torcidas organizadas do futebol brasileiro na condução dos interesses do futebol brasileiro contra os dos capitalistas que parasitam o esporte.

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