Crise na Alemanha: extrema-direita já tem representantes em todos os estados do país

Supporters of anti-immigration right-wing movement PEGIDA protest in Cologne

No domingo (28/10), ao mesmo tempo em que ocorria o segundo turno das eleições presidenciais do Brasil, ocorriam na Alemanha as eleições regionais de Hessen. O partido da chanceler-federal, Angela Merkel, a democracia-cristã (CDU, na sigla em alemão) ficou à frente com 27,5% dos votos, porém realizando a pior campanha já feita em Hessen desde os anos de 1960.

Este resultado em si já revela a crise do atual governo alemão. Porém outros fatores também demonstram isso. Como se sabe, o governo de Merkel é sustentado por uma grande coalizão de partidos. Entre eles os Sociais-Democratas, que também perderam mais 10% dos votos em relação às eleições passadas, ficando em segundo por pouco, já que o Partido Verde conseguiu mais de 17% dos votos.

O estado de Hessen é um importante estado do país. É o estado que tem como principal cidade Frankfurt. A queda dos dois principais partidos da burguesia alemã em uma província como esta indica que a situação pode ficar feia para o atual regime.

Lembrando que nas eleições da Bavária, onde fica Munique, o resultado foi ainda pior para o regime, os sociais-democratas ficaram em quarto lugar, em baixo do Partido Verde e do partido da extrema-direita alemã, descendentes de Hitler, a AfD (Alternativa para a Alemanha).

A Alternativa, por outro lado, cresceu ainda mais com estas eleições. O crescimento da extrema-direita está se tornando algo sintomático da crise capitalista na Alemanha. Um grupo denominado Reichsbürger (cidadãos do Reich) e Selbstverwalter (autoadministradores) tem chegado, juntos, a quase 20 mil apoiadores, segundo o Ministério do Interior que os espionam. Um número que já demonstra uma tendência para uma política ainda mais fascista que da AfD, que já absurdamente reacionária.

São grupos monarquistas, que defendem casas imperiais germânicas, e acreditam que o atual Estado alemão é um fantoche do interesse dos “aliados”, referindo-se à aliança militar da Segunda Guerra Mundial entre Estados-Unidos, Inglaterra e França. Estes grupos de extrema-direita tem crescido na Alemanha, em tem atuado violentamente no sentido de atacar imigrantes, fazer atentados armados e outras coisas do tipo, como o setor mais radical dos bolsonaristas brasileiros.

Esse crescimento fica expresso no crescimento da AfD no parlamento Hessen, em que conseguiram mais de 13% de votos no estado, tendo agora representações em todos os 16 parlamentos da Alemanha, algo inédito para o partido de extrema-direita.

De qualquer forma, fica expressa a crise do atual regime alemão. O governo Merkel está ameaçado de inclusive perder um grande aliado político, que é o partido Social-Democrata.