Crise
Enquanto a juventude não consegue emprego quem tem acima de 50 anos está tendo que enfrentar as demissões em massa
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SÃO PAULO, SP, 26.03.2019: MUTIRÃO-EMPREGOS-ECONOMIA-SP - Uma gigante fila se formou no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, onde acontece o Mutirão de Emprego promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Prefeitura de São Paulo e o Sindicato dos Comerciários, na manhã desta terça-feira, 26. São oferecidas mais de 6 mil vagas de emprego para diversos segmentos como telemarketing, operador de caixa, atendente e vendedor de loja. (Foto: Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress)
Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, em um Mutirão de Emprego no final de 2019 | (Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress) Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress

A economia brasileira está afundando como um bloco de cimento. Desde o golpe, o número de desempregados aumenta mês após mês e as filas já dão voltas e voltas nos quarteirões. A população de rua aumenta num passo ainda maior, pois aqueles que viviam de bicos (não se pode dizer que estavam empregados) com a pandemia nem mais isso conseguem. A crise vem desde 2014, mas a pior previsão de 2014 não poderia antecipar o feito das mazelas do golpe junto a uma pandemia devastadora. Se o cenário não era desesperador o suficiente, a pandemia conseguiu piorar ainda mais. Muitos economistas da imprensa burguesa apontam que estamos passando por um período que deixará cicatrizes duradouras nessa geração.

Por um lado, os jovens não conseguem entrar no mercado de trabalho, muitos não conseguem sequer se profissionalizar e terminar os estudos graças à pandemia, e os que conseguem não têm muito resultado. Por outro lado, os trabalhadores acima de 50 anos são descartados do mercado de trabalho sem conseguir voltar.

Juventude sem experiência

A pandemia interrompeu o ano letivo e tentativa de substituí-lo com o EAD se provou ainda pior do que repor no ano seguinte. O ensino à distância deixou de fora uma parcela significativa dos jovens que não tem acesso a internet, computador portátil ou celular. Para quem estuda em escola pública, seja ela estadual ou municipal, a farsa foi ainda mais grotesca, sendo “contemplados” com aulas pela televisão sem interação com o professor, com horários errados e aulas de mentirinha.

Muitos jovens acabaram abandonando o ensino, abrindo mão de se formar no nível médio e optando por tentar arrumar uma renda extra para ajudar em casa. A única opção que se apresentou a esses jovens foi o trabalho informal, contudo os bicos também estão escassos.

Para aqueles que resolveram se formar, as lacunas em suas formações não serão desconsideradas pelo mercado de trabalho. Quem conseguirá arrumar um emprego mais facilmente, alguém que fez EAD ou alguém que teve aulas presenciais? Sobretudo quando pensamos nos níveis superiores de ensino. Será que um estudante de medicina com acesso a laboratório tem as mesmas condições que alguém que teve aula pela internet? É óbvio que para o mercado de trabalho esses últimos, se forem empregados, servirão como mão de obra mais barata.

Sem perspectivas para a juventude

Mesmo para aqueles que conseguiram se formar o panorama não é positivo. Só entre abril e junho o desemprego entre a faixa etária de 18 a 24 anos aumentou em 29,7%, isso significa mais que o dobro da média, que é de 13,3%.

Esse ano foi especialmente difícil, sem shows, eventos, atividades culturais e com os bares e restaurantes fechados a maior parte do ano, não sobrou muita coisa. Embora a pandemia tenha sido um golpe duríssimo para a juventude trabalhadora, a disparidade já era enorme mesmo antes de 2020. Com a crise do capitalismo e a diminuição de vagas e de empregos, a juventude sempre foi a principal prejudicada. Entre as parcelas da população que já são mais afetadas ,como negros e mulheres, a fração jovem dessas parcelas é ainda maior.

A imprensa burguesa gosta de apresentar como se fosse um problema de caráter. Temos uma geração que não quer trabalhar nem estudar. A famosa geração “nem nem”: nem estuda e nem trabalha. Um maneira cínica de apresentar a realidade: não há emprego para os jovens , formados ou não, e mesmo os que querem estudar encontram barreiras econômicas muitas vezes insuperáveis. Sem falar do desmonte da educação. Com esse cenário é natural que outro fenômeno econômico se manifeste ainda mais entre os jovens: a desistência de procurar um emprego, pelo menos formal. Essa parcela de jovens que não conseguiu arrumar emprego, nem consegue se manter na universidade aumentou de 26% para 35%, e isso só esse ano.

Para essa geração a realidade é de um mercado de trabalho magro, muitas demissões e uma dificuldade enorme de arrumar um primeiro emprego. As marcas causadas pela crise atual vão perdurar para além da pandemia e desta crise econômica. Mesmo com uma possível retomada da economia, os currículos em construção nesse momento são mais frágeis e os jovens de hoje terão muita dificuldade de conseguir se aposentar no futuro, sobretudo após a Reforma da Previdência.

De um lado está ruim, do outro, pior

Se para quem está entrando agora está ruim, também não estão boas as perspectivas para aqueles que estavam prestes a se aposentar. Só esse ano, 80% das vagas extintas pertenciam à população acima de 50 anos. O total até o mês de setembro foram 558,5 mil vagas perdidas dentre as quais 438,1 mil pertenciam a pessoas com mais de 50 anos.

A renda das famílias brasileiras é assim duplamente afetada: pela falta de capacidade dos jovens de se empregarem e saírem de casa, ou ao menos contribuírem com a renda, e a alta taxa de demissão dos mais velhos.

62,5 milhões de famílias dependem da renda de idosos, e embora a maioria tenha suas rendas complementadas com aposentadoria e pensões, os salários ainda representam 34,8% do total, um número longe de poder ser ignorado.

Mesmo com os mais de 300 mil postos de empregos criados em setembro para tentar atenuar a crise, a situação não mudou muito para o trabalhadores de idade mais avançada. Assim como os jovens, muitos ficam desempregados durante muito tempo, porém a dificuldade para voltar ao trabalho é ainda maior. A situação é calamitosa para aqueles que beiram os 60 e ainda não alcançaram o mínimo de contribuição com o INSS para poder se aposentar.

Segundo uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a Pnad( Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), temos 1,2 milhões de desempregados acima dos 60 anos, dentro os quais 600 mil foram demitidos e mais 600 mil já desistiram de procurar emprego. O problema é que nessa idade não se pode ficar muito tempo longe do mercado de trabalho sem sofrer consequenciais para arrumar emprego e para se aposentar. O fato de serem grupo de risco durante a pandemia deixou muito dentre eles preocupados com os riscos, fator que também pesou para o empregador que não quer contratar um funcionário e ter que arcar com os custos da doença depois.

O resumo da ópera é que temos uma juventude que não consegue se fixar no mercado de trabalho e uma classe trabalhadora de idade mais avançada que está sendo descartada. Não é atoa que mais de 45% dos brasileiros estão fora da “taxa de participação” (índice que aponta brasileiros que estão empregados ou buscam emprego).

A juventude e a classe operária devem agir e se unir urgentemente para reverter o quadro da crise capitalista. A luta por 35 horas semanais para que todos trabalhem, está na ordem do dia pois a tendência é que daqui em diante a situação piore.

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