Futebol
Diretoria do clube paga parte do elenco menos do que previsto pela CLT. Grupo mostra descontentamento com a atitude unilateral
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Mapa de setores do estádio Cicero Pompeu de Toledo, o Morumbi. | Foto: Reprodução

Alguns jogadores do São Paulo tiveram uma triste surpresa antes da reapresentação do elenco para testes físicos e exames de saúde. Parte do elenco recebeu por volta de 20% do salário em carteira, o que contraria a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que prevê 50% dos salários em carteira.

O grupo de jogadores parece não estar contente com a diretoria são-paulina. Já, em março, o clube cortou o salário dos jogadores unilateralmente, sem acordo formal. Isso sem contar os atrasos no pagamento dos direitos de imagem. O São Paulo cogita manter o corte de 50% nos salários até o fim do ano.

A situação financeira do São Paulo é gravíssima. O clube necessitará vender jogadores para fazer caixa, como o que ocorreu com Antony (agora no Ajax). Em outras palavras, isso significa trocar jovens talentos por meros trocados.

O São Paulo não é um caso isolado no futebol brasileiro. Clubes como Corinthians, Santos e Cruzeiro enfrentam situação financeira bastante complicada. O último chegou a ser punido com a perda de pontos no campeonato brasileiro da série B que não começou e nem tem previsão concreta de quando começará.

Outros clubes, mais bem administrados, como Grêmio e Flamengo, penarão para conseguir sobreviver até o fim do ano. No caso do último, a diretoria articula, de toda maneira, o retorno do futebol para que possa pagar sua gigantesca folha.

A resposta dos cartolas para resolver o problema é, assim como fazem todos os patrões, cortar salários. Para os profissionais do futebol, as possibilidades são terríveis, pois os cortes e atrasos de salários servem como uma chantagem velada para caso não retornem às atividades, mesmo em meio a crescente pandemia.

A situação dos clubes brasileiros é bastante didática em mostrar o quanto o capitalismo parasita o futebol. A transformação do futebol em produto de mercado, escondendo sua natureza de expressão cultural, o deixa cada vez mais dependente do capital, especialmente dos contratos de televisão. Apesar destes contratos terem subido bastante nos últimos anos, não permitem que os clubes daqui compitam mano-a-mano com os clubes europeus. Como resultado, os gastos com futebol alcançaram recordes históricos, sem que houvesse lastro ou seguro algum.

A crise capitalista, agravada pela pandemia, causará – ainda mais do que já está causando – efeitos devastadores no futebol. A tendência é que os clubes menores comecem a desaparecer. Já para os clubes maiores, a diferença tenderá a ser ainda maior entre eles. Com o passar do tempo, o campeonato mais competitivo do mundo tornar-se-á um campeonato de 2 ou 3, como os chatos campeonatos europeus.

A quem diga que os campeonatos nacionais da europa são exemplo. Entretanto, fosse isso verdade, não haveria pressão para criação de uma liga europeia formada pelos clubes maiores ao lado da Liga dos Campeões da Europa. Há também o fato de que apenas os campeonatos espanhol, inglês e alemão com transmissão extensa na televisão brasileira, ficando os demais ou restritos à internet (russo, italiano e francês) ou com a transmissão de um punhadinho de jogos (português, holandês e escocês), o que mostra que apenas uma pequena parcela da população brasileira acompanha estes jogos.

Portanto, é necessária a mobilização das torcidas pela redemocratização do futebol brasileiro. Os capitalistas roubaram o futebol do povo e estão sugando tudo que lhes é possível. Esta situação tem de acabar, antes que o futebol brasileiro seja, assim como ocorre com os demais setores, sucateado e vendido a estrangeiros por migalhas.

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