Real a preço de banana
A política de desvalorização cambial e os impactos sobre a indústria e a geração de empregos.
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Ministro Paulo Guedes discursando em Washington, EUA. Foto: Erin Scott/Reuters. |

“Não estou preocupado com a alta do dólar.” Assim afirmou o Ministro Paulo Guedes em meados de novembro de 2019, durante uma entrevista coletiva em Washington.

E, dessa maneira, sem grandes preocupações por parte do governo federal, o dólar atingiu outra máxima histórica nessa sexta-feira, 07 de fevereiro, sendo cotado a R$4,3220.

Com a atual política cambial, os únicos setores favorecidos serão os exportadores de commodities, produtos brutos, sem nenhum tipo de beneficiamento ou tecnologia. Isso significa a retomada da política econômica promovida desde a chegada dos portugueses ao Brasil, em que a economia se movimentava exclusivamente da venda ao exterior de produtos minerais e agrícolas.

Cabe lembrar que o setor agroexportador fez campanha para Jair Bolsonaro. E ele, como um exímio Deputado Federal no exercício da Presidência da República, está favorecendo essas bases eleitorais, ao promover a atual política de câmbio.

Todavia, a taxa cambial gera mais efeitos sobre a economia do país. No caso da compra de commodities por parte dos brasileiros, como a cotação é internacional e em dólar, fica mais caro adquirir petróleo, por exemplo. Consequentemente, há a tendência dos preços dos combustíveis também se elevarem. Todas as mercadorias que dependem de frete também poderão ser reajustadas devido ao encarecimento dos combustíveis. Logo, é possível a elevação da inflação no decorrer do ano, o que prejudicará sobretudo os assalariados e demais pessoas com menor poder aquisitivo.

No caso da indústria brasileira, de acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, a atividade industrial de 2019 recuou 1,1% em relação ao ano anterior, sinalizando o impacto cambial sobre as atividades econômicas desse segmento produtivo. Como o setor industrial é altamente demandante de trabalhadores, tal queda de produção representa a possibilidade de manutenção do desemprego e das altas taxas de informalidade no mercado de trabalho, especialmente nos centros urbanos.

Acrescenta-se, ainda, a instabilidade nos mercados internacionais devido ao surgimento do coronavírus, doença que poderá arrefecer as atividades econômicas em todo o planeta, e às projeções de crescimento mundial de apenas 3,3% do Fundo Monetário Internacional, ocasionadas pelo aumento das tensões geopolíticas.

É necessária a mobilização dos trabalhadores e demais segmentos populares diretamente prejudicados pela política colonial adotada pelo Messias Bolsonaro. Pois os estrangeiros se beneficiarão muito mais do que a grande maioria dos brasileiros os quais, ao que tudo indica, permanecerão na informalidade e à beira da mendicância.

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