Burguesia salva seus lucros
Sem realizar os lucros que esperam, preferem ir embora e ficar mantendo o mínimo gasto possível.
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Emblema da Ford | Foto: Mike Mozart
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Emblema da Ford | Foto: Mike Mozart

A imprensa golpista tem noticiado que as multinacionais estão desistindo do país, e que desde 2018 já saíram ao menos 15 empresas. Entre elas estão a Ford, Forever 21 (rede de lojas dos EUA), Mercedes Benz, Sony, Nikon, a farmacêutica Roche, Eli Lilly, WalMart, Audi, Kirin e etc.

A justificativa é de que as crises econômica e da pandemia somadas à baixa competitividade do país afastam os investimentos estrangeiros e aceleram a desindustrialização prematura do país.

A participação da indústria no PIB encolheu de 13% para 10% no período de 2000 para 2019, excluídos os setores de minério e petróleo. E com a pandemia ficou abaixo de 10%. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) diz que é a pior participação desde 1947.

Ainda segundo o Instituto, a nossa desindustrialização seria prematura, rápida e aguda e tem pouco a ver com o mesmo processo em outros países. Nesses países a desindustrialização supostamente ocorreria após o país completar a industrialização e ter desenvolvido algum ramo de alta tecnologia, o que não faz o mínimo sentido, visto que isso não constitui de fato uma desindustrialização.

Nos estudos da economia mundial o instituto concluiu que enquanto a indústria perdeu participação no PIB em um terço no período entre 1970 e 2017, no Brasil perdeu metade. Dentre os 30 países estudados, apenas Argentina, Rússia, Brasil e Filipinas sofreram recuo antes de atingir a renda per capita de US$ 20 mil, o que é considerado nível muito baixo pelo estudo.

Também é colocado que o Brasil não conseguiu desenvolver o setor de microeletrônica e TI, base de uma indústria de alta tecnologia, e por isso seria um ponto fora da curva no panorama internacional. A verdade, no entanto, é que o país foi impedido pelo imperialismo de realizar esse desenvolvimento. 

O professor do Instituto Dom Cabral, Paulo Vicente, um desses especialistas contratados pela burguesia para dizer o que eles querem ouvir, diz que as empresas percebem que ficou caro produzir aqui, mas o agronegócio pode levar o país a se reindustrializar. Ou seja, faz a campanha para que o país volte atrás no processo de desenvolvimento e regrida à condição de país agrário.

Essa matéria do jornal golpista Estado de São Paulo revela no início a causa primária do fechamento de indústrias no país, quer as multinacionais, quer as nacionais. E o ponto central é a crise econômica iniciada em 2008 e agravada pela pandemia.

Sabemos que o que norteia as empresas em entrarem no negócio e se manterem nele, é a taxa de lucro esperada, o retorno que o investimento vai gerar em forma de lucros. Também sabemos que o mercado se mantém aquecido quando existem rendas suficientes para adquirir a produção. Essa renda é proveniente dos salários recebidos pelos trabalhadores.

Em situação de crise, o desemprego aumenta proporcionalmente ao tamanho da crise, e esta também é gigantesca e semelhante à de 1929. Sem renda, não há consumo e os produtos apodrecem nas prateleiras dos mercados. Persistindo o desemprego ou aumentando, o consumo cai ao ponto em que não compensa mais para a empresa continuar no negócio, uma vez que começa a operar no vermelho.

A competitividade do país, é consequência da política do governo, no caso, em quase todo o mundo ela está sendo ditada pelo neoliberalismo. Como essa política é de redução do estado na economia, privatizações, equilíbrio fiscal e monetário, a consequência é que ele deixe de investir em educação, logística e infraestrutura e saúde. 

E isso influencia não só a competitividade do país, mas em todo o desenvolvimento econômico. Todo o dinheiro do estado é canalizado para o pagamento da dívida, e os estados nacionais, inclusive o Brasil, estão com a capacidade de novos empréstimos altamente comprometidos.

As empresas não investem em cenários de incertezas, sem vislumbrar vender o que produzem e manter o mínimo possível de lucro. E o estado com baixíssima capacidade de gastar mais, pela queda da arrecadação e dívida muito altas, também não investe, fechando o círculo vicioso que leva a economia em espiral para o fundo do poço.

O Brasil, como todos os demais países subdesenvolvidos, experimenta uma situação histórica determinada pelos monopólios imperialistas, como sendo de economias que combinam o atraso em determinados setores, os de impulso para a acumulação crescente do capital, com setores de ponta desenvolvidos e dinâmicos controlados pelas multinacionais.

Por isso, o atraso se mantém indefinidamente e o país se vê “patinando” sem sair do lugar, com alguns desenvolvimentos menos significativos em situações econômicas mais favoráveis.

Além disso, é sabido também que os monopólios imperialistas compram políticos nos países subdesenvolvidos como o Brasil, dão golpes de estado, usam assassinos econômicos e pistoleiros e controlam os Estados nacionais e todas as suas instituições em benefício desses monopólios.

Com isso, alteram as leis, flexibilizam direitos trabalhistas, levam empresas nacionais à falência ou articulam a privatização de empresas que têm interesse em adquirir, como é o caso dos Correios, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras, Eletrobras e tantas outras. Enquanto isso, os trabalhadores perdem seus empregos, sua renda e ficam sem os serviços essenciais que deveriam ser fornecidos pelo Estado, como saúde, moradia ou educação de qualidade.

Mesmo com toda essa política de terra arrasada no Brasil, no mundo, e inclusive nos países desenvolvidos como EUA e Europa, o sistema não consegue sair da crise, se afundando cada vez mais para o fundo do poço. Nem a economia, nem a pandemia dão sinais de recuperação no horizonte. O capitalismo não consegue resolver suas contradições e podemos concluir que a única coisa que conseguirá superá-las é o governo operário. No que diz respeito à retirada das multinacionais do país, é fundamental que os trabalhadores promovam uma luta política contra os patrões, com greves, ocupação de fábricas, agências bancárias e das empresas, procurando tomar para si o controle da produção e expropriar a burguesia parasitária que administra essas empresas.

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