A crise do golpe

Veja o trecho do programa Análise Política da Semana onde o companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), analisa a crise do golpe onde a burguesia não consegue pôr em prática o seu plano político extremamente duro contra a população.

“Vocês vejam que o governo Temer meio que abandonou a votação da Previdência e declarou que não tem como votar porque a pressão popular inclusive sobre deputados de direita é tão forte que o pessoal não conseguiu chegar a um acordo para votar a Reforma da Previdência, o que é um outro sinal da gravidade da situação.

Nós já havíamos dito que se o governo Temer não conseguisse votar a Previdência, a burguesia ia tentar derrubá-lo. A burguesia tentou derrubá lo e nós vemos agora que, de fato, ele não consegue aprovar a Previdência. Na realidade não consegue aprovar mais nada de importante. É um governo profundamente desmoralizado, sem autoridade, sem base política real.

Isso daí coloca um conjunto de problemas para a burguesia no que diz respeito à  estruturação do regime político para sair dessa entalada. A burguesia precisaria arrumar um candidato que fosse desconhecido da população, ou seja, que não tivesse sido chamuscado pela crise política que se estabeleceu até agora, que tivesse condições de concorrer com um candidato tipo o Lula, que conseguisse ultrapassar o problema de que as próprias eleições de um regime político de conjunto estamos desmoralizados, que tivesse uma base dentro do Congresso Nacional e de apoio da burguesia para levar adiante uma política extremamente dura contra a população em geral, que tivesse que conseguir se defender nas eleições de alguma maneira essa política contra os interesses da população. Então, nós vemos que a situação, à medida que ela avança, fica cada vez mais confusa.

Essa semana, o Luciano Huck, que era objeto de especulação política de vários setores da direita, declarou, definitivamente, que não vai concorrer porque fez uma avaliação e percebeu que isso daí é um uma coisa extremamente complicada para ganhar, para se sair bem nessa eleição. Então, ele iria se lançar e, provavelmente, não teria nenhum resultado real. Por isso tudo, nós vemos a dimensão que vai adquirindo a crise do regime político brasileiro pós-golpe com todas as medidas que eles tomaram.

No centro dessa crise estão, por um lado, as medidas que foram tomadas pelo governo que mostrou a que veio porque o golpe foi feito em nome de uma coisa abstrata e irreal: a luta contra a corrupção. Depois do golpe, a corrupção se instalou no governo que era natural porque os “lutadores” contra a corrupção são todos corruptos, são, na verdade, os principais corruptos do país em todos os sentidos; e, por outro lado, o problema Lula que se apresenta como um entrave absoluto ao desenvolvimento da situação.

Na realidade, o problema Lula se apresenta como entrave porque ele expressa uma aglutinação das forças populares contra o golpe. Se não houvesse o Lula, nós teríamos 6 ou 7 candidatos de esquerda cada um falando que tem um programa maravilhoso apesar de que a esquerda brasileira no mundo real nunca se preocupou com nenhum programa. Eles se preocupam agora porque eles acham que a propaganda de que “eu tenho o melhor programa”, “eu tenho a solução para o Brasil” é uma boa campanha para conquistar as pessoas que ficaram insatisfeitas ou ressabiados com as coisas que o governo PT fez, mas a verdade verdadeira é que ninguém tem programa nenhum e tudo isso é uma bobagem.

Quando alguém apresenta um programa prático como aconteceu com o PCdoB da Manuela d’Ávila, nós vemos,  claramente, que é um programa profundamente direitista que nem sequer leva em consideração como questão central ou secundária o problema do golpe, é por isso que o problema lula seja um grande problema porque nesse momento Lula significa um determinado movimento político que expressa o descontentamento com o golpe e com as medidas feitas pelo regime golpista.”

Esse trecho faz parte da Análise Política da Semana, programa de maior audiência do canal COTV. O programa acontece todos os sábados em São Paulo a partir das 11h30 na rua Serranos, 90 fica a cinco quadras da estação Saúde de metrô. Para aqueles que moram longe, podem assistir o programa pela internet no canal Causa Operária TV no Youtube.

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