Fora Doria
Na Região Metropolitana de São Paulo o índice de ocupação na rede para atendimento da pandemia ultrapassa os 81% das Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) e 70% nas enfermarias.
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Foto: REUTERS/Amanda Perobelli. |

A taxa de ocupação da rede de atendimento a pacientes de covid-19 atinge números alarmantes na Grande São Paulo. Na Região Metropolitana de São Paulo o índice de ocupação na rede para atendimento da pandemia ultrapassa os 81% das Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) e 70% dos leitos nas enfermarias.

No intervalo de uma semana, entre os dias 22 e 28 de abril houve um aumento sensível na taxa de ocupação, passando de 73% para 81% dos leitos de UTI disponíveis.

Hoje oficialmente na rede estadual de São Paulo há 3.237 paciente internos testados positivos para covid-19. Destes 1800 estão recebendo cuidados em enfermarias e 1437 necessitam de cuidados especiais sendo alocados em leitos de UTI.

Em pronunciamento sobre o aumento o Secretário Municipal da Saúde de São Bernardo do Campo e presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde Geraldo Reple Sobrinho, disse o seguinte “A taxa de ocupação nas nossas UITs está chegando a mais de 80% e isso passa a ser um dado de risco. Um dado de segurança de uma UTI, o ideal é que ele fique sempre abaixo desse número. Se vocês olharem internacionalmente, quando você atinge 80% começa a ter um certo risco muito aumentado. Então, isso até corrobora um pouco, a não abertura [do comércio] neste momento eventualmente ou quando for feito”.

Na mesma fala Geraldo Reple Sobrinho completou sobre a gravidade do aumento “Esse é um dado muito significativo, pois a média de permanência do doente Covid positivo numa UTI é mais de 15 dias, o quer dizer que em um leito de UTI eu consigo colocar 2 pacientes por mês. Então, se vocês olharem o número de leitos disponíveis hoje e com essa taxa de ocupação, nós estamos chegando em um limite altamente perigoso”.

Em um estudo pesquisadores da Unesp apontam que a concentração de casos permanece na capital e a infecção se movimenta para os grandes centros regionais. Segundo Carlos Fortaleza um dos autores do estudo, “Nós percebemos que o risco, e aqui estamos falando de um risco imediato, como é a situação de vigilância até o momento, que foi 25% menor a cada 100km que se distancia da capital. Então a gente percebe aqui dois movimentos, um movimento em salto que a doença vai pros grandes centros regionais e um outro que é por vizinhança por contiguidade, quer dizer, a medida que se distancia o risco diminui”

O mesmo ainda completa que “Há uma necessidade grande de que os grandes centros regionais tenham um maior rigor no controle da dispersão da covid e que esse rigor vai representar uma segurança para todos os municípios próximos conectados com esse”

O estudo aponta uma defasagem histórica no desenvolvimento da pandemia, de duas semanas entre o interior e a capital. Nas palavras do coordenador do Centro de Contingência da Covid-19, David Uip, “Há uma sensação no interior, em alguns locais, que a epidemia não chegou. Como o professor Fortaleza deixou claro, há uma difusão evidente da epidemia pro interior e ela está atrasada em relação ao município de SP, a área metropolitana, em mais ou menos duas semanas, por conta das medidas de confinamento e afastamento social que foram adotadas precocemente no estado de São Paulo”.

Todas as informações apontam que estamos apenas no início da crise, está claro pela política que João Doria e Covas estão intencionalmente promovendo um verdadeiro genocídio da população pobre.

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