Futebol a vítima da vez
Times de futebol pelo mundo veem no dinheiro oferecido por grandes capitalistas a oportunidade de conquistas, mas o que se vê é um fracasso acelerado com o abandono dos “tubarões”.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Pelo mundo, diversas empresas estão injetando dinheiro em clubes de futebol, com a justificativa que o resultado serão conquistas e competitividade nas competições, porém a prática capitalista predatória não leva em consideração a história e as características dos clubes, sendo muito comum a mudança de nomes, cores, escudos, entre outras feições que marcavam a identidades das equipes na sociedade.

Além da descaracterização física, os capitalistas sugam a autonomia das equipes e as deixam em uma relação de completa dependência, uma espécie de relacionamento abusivo característico dos tratos capitalistas.

Nestes moldes temos espalhados pelo mundo diversos clubes com os escudos semelhantes, ou com folhas salariais exorbitantes e tóxicas, pois quando acaba o interesse do grande capital o destino do clube é inevitavelmente a falência.

Na China, o domingo (28) nos deu mais uma vítima da inescrupulosidade dos grandes “tubarões” capitalistas, o atual campeão nacional Jiangsu Suning anunciou que está encerrando suas atividades em todas as modalidades (profissionais masculino e feminino e as categorias de base). O motivo se deu pelo fim da relação com o principal acionista do clube que dá sobrenome à equipe, o grupo Suning.

O Jiangsu Football Club foi fundado em 1958. Em 2008 a equipe chinesa voltou a atuar na primeira divisão do país após 14 anos sem conseguir o acesso da divisão inferior. Em 2012 o time conquistou o vice-campeonato da divisão principal e em 2013 veio o título da Supercopa da China. Em 2015 mais uma conquista, a Copa da China e no ano seguinte mais um segundo lugar na elite do futebol chinês.

A atuação vencedora do clube atraiu os olhos do grande capital, e o grupo Suning, em 2016, comprou as ações da equipe chinesa. O retorno veio com a conquista do maior título do clube e do futebol no país, a Primeira Divisão do Campeonato Chinês, em novembro de 2020. Menos de dois meses depois, o principal acionista anunciou o rompimento com o clube e a venda dele, que não obteve compradores e a consequência foi o encerramento das suas atividades.

Assim como nesse caso chinês, no Brasil muitos clubes tiveram suas histórias devastadas pelo que parecia ser a oportunidade de grandes conquistas. A queda na armadilha capitalista deixou órfãos milhares de torcedores e o rombo nos cofres dos times que posteriormente ao golpe foram sumariamente sumindo das competições e até mesmo do futebol profissional.

No Brasil, um dos projetos que estão na fila de espera para aprovação no Congresso Nacional, desde 2020, quer facilitar que os clubes brasileiros sejam mais facilmente “laçados” pelos grandes capitalistas. A proposta estabelece incentivos para que clubes de futebol, federações e ligas deixem o modelo de associação civil e se convertam em clubes-empresa. O texto do projeto, redigido pelo relator Pedro Paulo (DEM-RJ), passou por votação entre os deputados em 27 de novembro, tendo como um dos principais defensores o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) – o Botafogo.

Os clubes de futebol no Brasil e ao redor do mundo precisam evitar que as armadilhas do capitalismo capturem novas vítimas, sendo necessário o fortalecimento da administração por associações de torcedores, incentivado que a sociedade se engaje nos planos de sócios torcedores e criando uma autodefesa para que as práticas predatórias dos grandes capitalistas não fechem as portas de mais times e aniquile a história dos clubes que fazem a alegria de grande parcela da população.

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