Império em crise
No país mais rico do imperialismo, cresce a miséria, a fome e as tensões sociais
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NFAC-EUA
Trabalhadores negros se organizam em armas nos EUA | Foto: Reprodução

Os Estados Unidos da América são a vitrine do capitalismo. Os filmes e toda a indústria cultural voltada a difundir a ideia de que ali é a terra da prosperidade individual e da liberdade econômica só aparece riqueza, mas a realidade é outra. A pobreza e a miséria crescem há décadas nos EUA e têm atingido níveis alarmantes desde a crise de 2008, que ainda não terminou naquelas terras.

São aproximadamente 42 milhões de desempregados com uma tendência de queda nos últimos meses, segundo as estatísticas do Departamento de Trabalho do executivo federal. Mas esse número não reflete a situação efetiva da sociedade excludente, desigual e com pouca liberdade real. Mesmo com uma política restritiva de auxílio desemprego, em agosto havia 29 milhões de pessoas recebendo auxílio desemprego, quatro vezes mais que no ano anterior.

Cresce a miséria

Em 1964, o então presidente Lyndon Johnson declarou “guerra incondicional à pobreza” destacando que o país seria a terra da prosperidade para todos. Nesses quase 60 anos a situação não se alterou tanto, o índice de pobreza caiu de 19% para 12%. São 40 milhões de norte-americanos que vivem abaixo da linha da pobreza, grande parte negros e latinos. “Enquanto 11% das crianças brancas nos EUA vivem na pobreza, essa taxa chega a 32% para crianças negras e 26% para crianças latinas, segundo dados do censo levantados pelo Centro de Dados Kids Count.” (BBC, 2/8/20)

Várias regiões vivem sem qualquer perspectiva de melhora, sem empregos e com empresas fechadas há muitos anos. Milhares de empregos se transferiram para a China e países do sudeste asiático, e a riqueza tem se concentrado cada vez mais nas mãos de poucos bilionários do mundo das finanças, da indústria armamentista e de informática.

Mesmo bem antes do início da pandemia do coronavírus a ONG Poor People’s Campaign informava que 39 milhões de crianças são pobres nos Estados Unidos. E mais, ainda naquele ano, quando a crise econômica ainda estava no inicio, 140 milhões eram pobres ou não tinham renda suficiente para pagar suas contas, algo como 43% da população do maior país imperialista do mundo. (Exame, 26/9/18)

Fome na capital do capitalismo

Com a pandemia do coronavírus a pobreza e o desespero aumentaram. Mesmo com acesso a bens de consumo escassos nos países atrasados, grande parte da população não tem acesso à saúde e cresce o número dos que deixam de ter acesso à moradia e principalmente à alimentação.

Filas de carros para receber cesta de alimentos em Dallas, Texas

Dias atrás a imprensa mostrou filas colossais de pessoas em seus automóveis para receber comida de graça em Dallas, no Texas. Segundo a imprensa local, em 14/11, 7 mil automóveis passaram pelos postos de distribuição de uma ONG que estava doando alimentos, um aumento de 45% em relação ao ano passado. (Fórum, 17/11/20)

Agora em novembro, segundo o jornal Washington Post, um em cada oito americanos não tinha acesso aos alimentos necessários. Em Houston, no Texas, Mais de 20% dos habitantes relataram passar fome, incluindo 30% dos adultos em famílias com crianças. Com a maioria das escolas fechadas durante a maior parte do ano, crianças perderam o acesso a refeições gratuitas ou a preço reduzido”(Veja, 26/11/20).

Cresce o número de sem teto nos EUA

Sem acesso a moradia

Outra bomba-relógio, segundo analistas, é a quantidade de sem teto que estão vivendo nas grandes cidades norte-americanas, 25% deles estão na Califórnia. As estatística minimizam a questão, mas o número de barracas e carros que se transformam em casa só aumenta. Em Los Angeles são mais de 59 mil, e 33% deles são negros, mesmo sendo os negros somente 8% da população. “Estimativas mostram que uma em cada três famílias de Los Angeles gasta mais de 50% da sua renda para pagar o aluguel. Um trabalhador que recebe o salário mínimo da Califórnia (US$ 12,00 por hora), por exemplo, teria que trabalhar cerca de 79 horas por semana para pagar o aluguel de uma residência de um quarto.”(IG, 5/6/19)

A falta de saúde desespera a classe média

Enquanto os pobres não têm para onde correr, a classe média evita procurar ajuda médica mesmo na pandemia, isso por conta do auto custo dos serviços de saúde e porque muitos não têm seguro de saúde ou o seguro que têm é muito restritivo. São 27 milhões de pessoas nos Estados Unidos que não têm qualquer seguro de saúde, mas isso é parte do problema, os demais têm acesso a seguros restritos e que exigem pagamentos autos de co-participação.

Além disso, “entre os países ricos, os Estados Unidos se destacam por serem um dos únicos que não oferecem a seus trabalhadores benefícios como licença médica, férias remuneradas ou licença maternidade. Como esses benefícios não estão previstos em lei federal, a decisão fica a cargo do empregador.” Estudo do Economic Policy Institute mostra que os trabalhadores “têm que escolher entre trabalhar doentes (ou mandar seus filhos para a escola doentes) ou ficar sem o pagamento de que tanto necessitam”, a maioria dos trabalhadores não têm direito à licença médica remunerada. (BBC, 5/3/20)

Luta de classes

Esse quadro de crescimento da pobreza e da miséria, que contrasta com o poderio militar do mais forte país capitalista do mundo e o mais beligerante de todos, é um elemento da crise política e social dos EUA e faz parte do termômetro dos conflitos sociais e classistas que tendem a explodir. Se vão mesmo explodir ou não, fatores relacionados à organização política deverão ser considerados.

Não se pode desconsiderar a capacidade, mesmo que desigual, de organização das classes trabalhadoras nos EUA, quer em conflitos que se iniciam por questões aparentemente étnicas e raciais, quer motivados por outras contradições internas do capitalismo norte-americano. Neste ano, como parte do fermento dos conflitos sociais, temos observado um forte crescimento das milícias armadas do povo negro em defesa da integridade física e dos direitos dos negros atacados por instituições policiais racistas e que se postam como guarda pretoriana dos mais ricos.

Nas últimas décadas, os EUA tem procurado manter os conflitos internos abafados com o uso do poderio militar fora de suas fronteiras, atiçando e protagonizando dezenas de conflitos armados, invasões e saques pelo mundo. Mesmo que o resultado a recente eleição presidencial faça crer que essa força deve ser retomada nos próximos anos, com mais tensões internacionais resolvidas por meio do uso da força militar, esse recurso tem limites como instrumento de contenção das contradições internas.

Ainda mais porque, nos últimos 20 anos, as forças armadas norte-americanas têm lançado mão de uma estratégia privativista no desenrolar das guerras que promovem. Cada vez utilizam menos tropas e mais empresas de segurança nas chacinas que promovem pelo mundo. Isso tem exigido menor necessidade de convocação de soldados e sua substituição por mercenários e por instrumentos tecnológicos como veículos não tripulados (drones) e bombardeiros à longa distância.

Não precisando convocar soldados, os EUA utilizam-se de outra estratégia de controle dos conflitos sociais, hoje o país mantém 2 milhões de pessoas em prisões, com 600 mil funcionários e com um orçamento de aproximadamente US$40 bilhões. (Folha de S.Paulo, 11/6/20)

Mesmo a estratégia de encarceramento em massa tem limites, muitos estados pressionam para libertar presos com medo de rebeliões.

De formas variadas o país está enfrentando a possibilidade do colapso do sistema, quer como expressão do processo histórico de derrocada no capitalismo, quer como resultado dos conflitos internos entre classes sociais. Uma coisa é certa, a temperatura está aumentando e rápido.

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