Prostituição velada
“Rede social” que vende assinatura de nudes é nova forma de oprimir a mulher trabalhadora.
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De prostituta à webstripper, agora é o tempo das “criadoras de conteúdo”. | Foto: Renato Faccini
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De prostituta à webstripper, agora é o tempo das “criadoras de conteúdo”. | Foto: Renato Faccini

O crescimento exponencial da plataforma digital OnlyFans, em que usuários postam “nudes” e outros conteúdos ou pagam assinaturas para acessá-los, configura uma nova forma de prostituição, em que as mulheres mais uma vez são vítimas do capitalismo fracassado.

O que vem sendo justificado pela mídia, como um efeito colateral da pandemia, pelo aumentou do desemprego e pelo isolamento social que supostamente levou à abstinência sexual, na verdade é resultado direto da crise do capitalismo, que para sobreviver cria novos mecanismos de exploração das classes menos favorecidas e oprimidas onde estão as mulheres.

O OnlyFans diz ter superado, em 2020, a marca de 100 milhões de usuários, entre os que postam fotos e vídeos mediante uma mensalidade (que varia entre R$ 27 e R$ 270) e seus fãs, que assinam uma espécie de pay-per-view para observar alguém.

Criada no Reino Unido em 2016, a plataforma repassou mais de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) a seus criadores de conteúdo em dezembro do ano passado. Foi um aumento de 370% em relação ao mesmo mês de 2019, diz Jessica Alper, executiva de mídia do OnlyFans. A plataforma fica com 20% da arrecadação com assinaturas.

Até dezembro do ano passado só existia a Only Fans, quando surgiu a concorrente brasileira Nudz.  Ao contrário da Only Fans, que surgiu em 2011 apenas como uma forma de portfólio pago, o Nudz já foi concebido com o objetivo de oferecer conteúdos eróticos, e já conta com cadastros de diversas modelos do segmento sensual.

Artistas e mães trabalhadoras de outros ramos, pela falta de oportunidade, também estão sendo forçados a se venderem nessas plataformas. O receio é de que não consigam mais voltar aos seus antigos empregos, pelo estigma e preconceito que representa ser uma trabalhadora do sexo.

Essa pretensa fonte de renda, que não pode ser considera como um emprego, explora as mulheres duplamente e reforça a exploração dos oprimidos. Por um lado, são exploradas por terem como única opção para sobreviver a venda dos seus corpos, por outro, ter que se colocar como objeto sexual, quando tem seus nudes utilizados para as experiências eróticas virtuais.

O que essa nova modalidade do mercado erótico virtual fez foi facilitar e difundir uma forma de prostituição velada. E em um momento de crise econômica, sanitária e social que estamos vivendo, acaba parecendo de certa forma rentável para aquelas. Contudo, é muito preocupante ver esse crescimento e não ter uma análise de como esse mercado acaba por atrasar a luta para emancipação das mulheres trabalhadoras.

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