Abaixo o regime golpista
Polemizamos com Ciro Gomes, para quem Bolsonaro só deveria ser derrubado por causa de seus crimes no âmbito administrativo
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Brasília - DF, 24/04/2020) Pronunciamento do Presidente da República, Jair Bolsonaro depois d a demissão do ministro Sergio Moro.
Presidente ilegítimo Jair Bolsonaro. Foto: reprodução DCO |

Por meio de suas redes sociais, o ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) publicou a seguinte a frase de sua autoria:

O Fora Bolsonaro é para ontem, mas não é porque ele é um péssimo governante, é porque cometeu crime de responsabilidade.

A declaração do pedetista chama bastante atenção porque acaba por inverter os reais motivos pelos quais a palavra de ordem de Fora Bolsonaro é que melhor expressa os interessantes da população no momento. Isto é, o que faz do Fora Bolsonaro uma palavra de ordem legítima é justamente o fato de o governo ser odiado pela população, e não o fato de ter cometido algum crime.

A declaração de Ciro Gomes, com quem alguém alguns setores da esquerda nacional, sobretudo o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), insistem em formar uma frente, revela o caráter completamente artificial da democracia burguesa. Nada poderia haver de mais democrático do que a vontade do povo sendo atendida — isto é, se a esmagadora maioria da população é contra um determinado governo, não há nada mais democrático do que esse governo ser colocado abaixo. No entanto, no regime político em que o Brasil se encontra, a “democracia” é aquela que é exercida pelas instituições — instituições essas que são controladas por uma classe parasitária e minoritária, a burguesia.

De acordo com a democracia burguesa, de fato, um governante não pode ser deposto simplesmente porque é avaliado como “péssimo”. Se assim fosse, tornaria o regime muito mais instável, de maneira que uma intervenção popular sobre o regime estaria sempre colocada na ordem do dia. Por isso, dentro das regras do regime político, só se pode derrubar um presidente se ele for um “criminoso”.

É óbvio — e não só óbvio, como efetivamente comprovado perante o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff — que a questão do “crime de responsabilidade” não expressa qualquer tipo de repúdio da burguesia a práticas ilícitas. A burguesia é, ela própria, extremamente corrupta e irresponsável — afinal, os interesses dos trabalhadores nunca são levados em conta, mas apenas os seus próprios interesses. Restringir a derrubada de um governante à ocorrência do “crime de responsabilidade”, portanto, é apenas uma maneira de o regime controlar de maneira mais firme as crises políticas inevitáveis no seu interior.

A mensagem de Ciro Gomes é bastante clara, quando dá ênfase ao crime de responsabilidade: “trabalhadores, explorados, setores pisoteados pelo fascista Bolsonaro, não se empolguem com a eventual queda do governo”. Ou seja, o que estaria em curso não seria um movimento da população em conjunto para que o Estado passasse a atender aos seus interesses, mas simplesmente uma operação burocrática, administrativa, para remover aquele presidente que não teria condições de permanecer no posto.

Trata-se, obviamente, de uma posição política absurda. Em primeiro lugar, afirmar que a palavra de ordem de Fora Bolsonaro significaria uma transição comandada pelo próprio regime para um governo considerado mais estável para a burguesia é, além de tudo, uma falsificação. O Fora Bolsonaro já tomou conta das ruas e é a principal palavra de ordem gritada pela população em conjunto. Setores como Ciro Gomes, inclusive, foram os últimos a aderir a palava de ordem, que já estava há muito tempo na boca dos trabalhadores. O movimento pelo Fora Bolsonaro é um movimento real e é a continuidade da luta contra o golpe, a luta contra a ofensiva do imperialismo para roubar todos os direitos e o patrimônio do povo pobre e trabalhador.

Em segundo lugar, é preciso dizer que essa posição, além de não corresponder aos interesses reais do povo, poderá servir para que a burguesia consiga dar um próximo passo na situação política. Isto é, na medida em que o governo Bolsonaro vai se desgastando, a “moralização” do regime, partindo da campanha contra os “criminosos”, poderá ajudar a salvar o próprio regime.

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