Crise mundial
Cada vez mais em crise, imperialismo fecha o cerco contra a nação asiática
President_Donald_J._Trump_and_President_Xi_Jinping_at_G20,_July_8,_2017
Trump e Xi se encontraram em 2017, mas de lá para cá as relações só pioraram | Foto: Casa Branca/Domínio Público
As relações entre China e Estados Unidos avançaram a um nível mais candente com o endurecimento de posturas que minguam as possibilidades de reconciliação, e sim apontam para o confronto prolongado porque é previsível uma hostilidade maior desde Washington.

 

À ordem unilateral da Casa Branca de fechar o consulado chinês em Houston, Pequim replicou com o fechamento do escritório norte-americano em Chengdu e ademais revelou a participação do pessoal ali em operações de ingerências.

Esse incidente e o chamado do secretário norte-americano de Estado, Mike Pompeo, a usar ‘formas mais criativas e enérgicas’ de pressionar o Partido Comunista da China são vistos aqui como as provocações mais agressivas e, por tanto, as que poderiam desencadear reações perigosas.

Agora novas vozes coincidem em que a provocação promovida pelo governo do republicano Donald Trump acerca os dois países à Guerra Fria e temem pela paz mundial, justo quando o planeta sofre a crise gerada pela mortífera pandemia de Covid-19.

Cientistas políticos chineses e internacionais preveem um palco pior nos próximos três meses e o aumento das tensões até o limite porque, enquanto aproximam-se as eleições de novembro, a Casa Branca recarregará com artilharia pesada sua ofensiva e Pequim estará obrigada a responder.

A postura dos Estados Unidos serve-lhe para distrair ante as pressões domésticas pelo mau manejo da pandemia e Trump procurará a reeleição este ano, indicou por sua vez o diário Global Times.

Segundo estimou o jornal, como essa estratégia goza de consenso entre republicanos, democratas e a elite da nação norte-americana, China não deve esperar mudanças se das eleições de novembro saísse um novo presidente.

Enquanto, analistas como Ezra Vogel, professor emérito de Harvard, consideram que há perigo de um confronto armado e sustenta sua constatação com as origens e posterior evolução da Primeira Guerra Mundial.

‘Se existisse um pequeno altercado no mar Meridional da China, poderia escalar cedo. E se os países (envolvidos) fracassam em controlá-lo, seria devastador e todos perderiam. É aterrorizante,’ disse em uma recente entrevista. Para Vogel esse mesmo palco ajusta-se se Washington fizer questão de apoiar as aspirações separatistas de Taiwan, uma ilha que Pequim considera parte inalienável do território nacional.

Frente à contínua deterioração dos vínculos, há uns dias o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, assegurou que China contra-atacará de forma contundente a cada ação beligerante dos Estados Unidos, depois de lhe advertir que com sua atitude arrastará ao abismo os laços bilaterais e ademais criará uma crise de divisões no mundo.

Lamentou que Washington pretenda socavar os interesses e direitos legítimos de seu país com uma escalada de tensões qualificada aqui de irracional e insolente.

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