Maracanã sob controle popular
O fracasso da privatização do estádio mais importante do Brasil não é fruto específico de um governo corrupto com ligações umbilicais com empresários. É do jogo capitalista
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Está na hora do povo fluminense tomar conta do Complexo Maracanã | Adam Jones Site Flick

Nesta última segunda a CPI do Esporte da Assembleia Estadual do Rio de Janeiro emitiu um relatório  onde propõe que o Estado Fluminense retome o controle do Complexo do Maracanã, o que é uma medida muito positiva, pois reverte a privatização funesta ocorrida em 2013 quando o patrimônio do povo brasileiro e em especial do povo fluminense foi entregue para alguns capitalistas, ao término de uma reforma de 2010 a 2013 que custou R$869 milhões.

Na época, as criticas mais contundentes eram que os principais clubes cariocas não poderiam assumir a administração do complexo e quem ganhou o edital foi o consórcio que incluía a empresa que havia feito à reforma, o grupo Odebrecht, e a empresa que fez o estudo preparatório para o edital de licitação, no caso a IMX do Eike Batista que acabou depois se afastando, sem contar que os valores a serem pagos ao Estado eram ínfimos frente aos gastos das reformas anteriores.

Mas o pior é que o modelo adotado de Arena fazia com que os trabalhadores não conseguissem mais assistir um jogo no estádio visto que os preços dos ingressos se tornaram exorbitantes para grande parte dos fluminenses. Mas não ficou só nisso, em março de 2019 o então governador fluminense cancelou a concessão, alegando que o consórcio não estava pagando a outorga desde maio de 2017, o que representava um prejuízo de R$38 milhões aos cofres públicos. Mas aí já tinha passado seis anos de controle privado do ex-maior estádio do mundo.

Entretanto a Comissão Especial dos Esportes Olímpicos e dos Altos Rendimentos, presidida pelo bolsonarista e ex-aliado do governador afastado Wilson Witzel, Rodrigo Amorim (PSL), aquele que quebrou uma placa com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco durante a campanha eleitoral de 2018, não está interessada em devolver este patrimônio para o povo do Rio de Janeiro. Sua proposta é que seja realizada uma nova licitação para que outros capitalistas, ou quem sabe até os mesmos usando algum subterfúgio fiquem na administração deste patrimônio popular.

Pelo visto os deputados estaduais desta CPI ainda não perceberam que o problema não foi a privatização específica organizada pelo governo Sérgio Cabral (MDB) que o complexo desportivo foi vitima. O problema real é a privatização em si que impede o acesso a quem mais precisa do serviço privatizado ou quem a maior relação afetiva com o ritual de ir a um jogo para ver o seu time do coração ou para assistir uma atividade que fez o povo brasileiro ser admirado no mundo todo.

A solução para o Maracanã não é entregar sua administração para os capitalistas do futebol nesta lógica liberal que visa o lucro o mais rápido possível. Muito pelo contrário, este patrimônio deve ser entregue a quem o ama e quer preserva-lo para que ele e as outras gerações possam sempre usufruí-lo, ou seja, o povo, o torcedor. Logo quem deve administrar o Complexo Jornalista Mario Filho deve ser o povo através de conselhos populares, incluindo as torcidas organizadas.

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