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A luta é nas ruas

CPI da Covid, uma conspiração para estabelecer uma 3ª via

Euforia da esquerda pequeno-burguesa com comissão parlamentar servirá apenas para que a direita consiga dar mais um passo no golpe de Estado

Tempo de Leitura: 2 Minutos

Luiz Henrique Mandetta – Foto: Reprodução

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Nesta quarta-feira (5), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada, supostamente, para investigar ilegalidades do governo Bolsonaro durante a pandemia de coronavírus terá o seu segundo dia de atividades. O ex-ministro bolsonarista Nelson Teich, que teve uma participação relâmpago na pasta da Saúde, é esperado como um dos depoentes.

Até agora, no entanto, a CPI não mostrou a que veio. Exceto um ou outro parlamentar da esquerda, ninguém demonstra acreditar que a CPI poderá trazer algum benefício real para os trabalhadores. E há, de fato, motivo para tamanha descrença: a CPI da Covid, como em geral qualquer CPI, não deverá levar a esquerda a lugar algum.

A CPI é resultado de um movimento de setores da direita e da extrema-direita — Randolfe Rodrigues (Rede), Jorge Kajuru (PSD-GO) e o Supremo Tribunal Federal. Esse fato já deveria ser visto com muita desconfiança — afinal, em uma pandemia que já vitimou, oficialmente, 400 mil pessoas, no que a direita e a esquerda teriam de interesse comum? A esquerda parlamentar ignora completamente essa pergunta e, por debaixo da sua fantasia do “pragmatismo”, apenas prega que a comissão de inquérito poderia desgastar o governo e levá-lo à queda.

Não há grandes indícios que o governo esteja prestes a cair. Parlamentares do “centrão” e do círculo bolsonarista já deram declarações de que a CPI não abalaria o governo. Contudo, se, de fato, a direita estiver interessada em investir contra o fascista Jair Bolsonaro, as notícias também não são animadoras para a esquerda.

A CPI da Covid não está sendo estimulada pela direita simplesmente para desgastar o governo Bolsonaro e permitir que a esquerda se recomponha no regime político. Muito pelo contrário: o objetivo da CPI da Covid é promover uma “terceira via” na disputa eleitoral de 2022. Isto é, a CPI seria um laboratório para que a burguesia possa criar um candidato que não seja Bolsonaro, nem Lula. Que seja, portanto, uma figura com a mesma política assassina de Bolsonaro, mas que tenha uma imagem menos agressiva, que melhor engane a classe média histérica. Um dos fortes candidatos dessa operação é o golpista Luiz Henrique Mandetta, um dos principais propagandistas da destruição do SUS, mas que foi aplaudido de pé por toda a pequena burguesia.

O interesse puramente político da burguesia nesta CPI é ainda mais evidente quando visto que, no final das contas, a comissão não tratará dos principais dramas que o povo vive no momento. Não são esforços para salvar o povo que está morrendo de fome e de coronavírus, mas simplesmente de quem roubou o que e quem serão os “novos honestos” a assumirem o próximo governo.

Uma ação parlamentar democrática, progressista, deveria colocar em pauta o que deveria ser feito para salvar os brasileiros, e não pegar carona nesse joguinho imundo dos capitalistas. Mesmo a ação parlamentar da esquerda, com todas as suas limitações, deve estar voltada para aquilo que é de interesse da maioria da população: quebrar as patentes, vacinar todos imediatamente, testar em massa, construir hospitais etc.

A CPI da Covid não é nada disso. Não é um esforço para salvar a população. É uma incubadora de candidatos golpistas que irão jogar ainda mais lenha na fogueira em que o País se encontra.

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