Coxinhatos: por falta de atos da esquerda, operação da direita é bem sucedida

1522781676_848505_1522797382_noticia_normal_recorte1

O dia de ontem (03), que antecedeu a continuação do julgamento do Habeas Corpus de Lula no STF, foi marcado por diversos atos pelo Brasil. Graças à imobilidade institucional da esquerda, setores reacionários da sociedade – os coxinhas – sentiram-se à vontade para pressionar o Supremo em sentido contrário ao texto constitucional, ladrando pela prisão de um inocente antes do término do processo judicial.

Os coxinhatos, notavelmente maiores em São Paulo e no Rio de Janeiro, foram convocados, como de praxe, pelo cartel da imprensa golpista, com apoio incondicional de grandes empresários. Os mesmos patrões que mobilizam a sociedade contra quaisquer movimentos grevistas, sob alegação de enormes prejuízos sociais, liberaram seus funcionários na esperança de que os explorados engrossassem os atos patronais, lutando ao lado de quem promove a venda do patrimônio nacional, a destruição dos direitos dos trabalhadores e o aumento da miséria.

Os atos, pequenos se comparados àqueles ocorridos no auge da apatia da classe trabalhadora e tão artificiais quanto o rosto plastificado de seus participantes, foram, apesar disso, relativamente grandes e só ocorreram por que a ausência de manifestações da esquerda permitiu. Todos os movimentos políticos dos últimos anos mostraram que os espaços não preenchidos pelo povo são, invariavelmente, tomados pela direita.

Sendo assim, resta evidente que a esquerda deve se mobilizar de forma massiva contra a ascensão direitista, que há muito adquiriu um caráter fascista e ditatorial. Declarações escancaradamente golpistas, como a do General Villas Boas, devem servir de combustível para que a luta e a polarização aumente. Não se deve manter a ilusão de que a moderação e o “espírito democrático” serão refletidos pelo lado dos lupinos golpistas. É necessário que a CUT, o MST, e o próprio PT convoquem, com urgência, atos exigindo o fim da farsa da Lava-Jato, o fim do sequestro dos direitos políticos do ex-presidente Lula e o fim da iminente ameaça à sua liberdade.

Se o imperialismo não se intimida mais em prostituir uma cláusula pétrea da Constituição Federal brasileira, em assolar o exército contra todas as instituições e em condenar sem provas um dos mais importantes patrimônios da classe trabalhadora mundial – que deve ser visto muito além de seus governos passados e de seus atributos pessoais – é inconteste que estamos a um passo de uma nova ditadura militar no Brasil, ainda mais americana e entreguista do que sua genitora do século passado.