Coxinhato da Beija-Flor na avenida ganha o carnaval, controlado pela Globo

Com um desfile que poderia ser “assinado” pelo fascista juiz Sérgio Moro e com alas que repetiam cenas semelhantes às que se viam nas “manifestaçoes” organizadas pela direita golpista e patrocinadas pela Rede Globo de Televisão quando da sua campanha para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, em 2015 e 2016, a Escola de Smaba Beija Flor, de Nilópolis, sagrou-se campeã -pela diferença de apenas um décimo (o,1), dos desfiles das escolas do grupo principal do carnaval do Rio de Janeiro, em uma evidente “marmelada”, contra a opinião popular e dos analistas mais entendidos do mundo do samba.

O grande “mérito” da escola, dirigida desde a década de 60, por um dos setores mais reacionários e direitistas da política do Rio de Janeiro, as famílias Sessim e Abrão David, chefes em boa parte da Baixada Fluminense da UDN, Arena, PFL, DEM e PTB, foi o de reproduzir na Marquês de Sapucaí, em forma de samba feito por encomenda, todos os chavões da campanha da direita golpista que levou adiante o golpe de estado, empossou o presidente golpista Michel Temer, comanda o congresso nacional – tendo à frente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e que vem levando adiante os maiores ataques contra a economia nacional e o povo brasileiro.

Nas manifestações “coxinhas”, era comum ver elementos reacionários, racistas e amigos da repressão contra o povo tirarem selfs com soldados da Polícia Militar, odiados pela imensa maioria da população pobre do Rio de Janeiro e de toda as grandes cidades e bairros operários do País por sua “tática” criminosa de perseguir, torturar e matar jovens pobre, negros e trabalhadores, inclusive com execuções sumárias e covardes, até mesmo de mulheres e crianças. No desfile da Beija-Flor, devidamente exaltado pela Rede Globo golpista, detentora dos direitos de transmissão do carnaval carioca (com o que estraga e busca ocultar o caráter popular e progressista da festa. apresentado-a como se fosse um baile de artistas globais e valorizando tudo o que não tem valor real no “maior show da terra”), a PM – por exemplo – foi ainda mais exaltada e um policial foi colocado em  du dos carros alegóricos no lugar de Jesus Cristo, em uma alegoria que lembrava a famosa escultura La Pietá, de Michelangelo.

Mas a exaltação da direita não parou por aí. Sem qualquer originalidade real, a Escola reproduziu na Avenida muitos dos pontos do programa de tapeação dos golpistas nos últimos anos em sua “luta” contra a corrupção, que colocou isolados no comando do Executivo, Legislativo e Judiciário, os elementos mais reacionários da República brasileira. Assim, por exemplo, a Petrobrás era apresentada como um dos grandes celeiros da corrupção, supostamente responsável pela miséria, em um dos seus carros alegóricos da Escola predileta da Globo, o prédio da empresa petrolíofera se transformava em uma favela, Claro que não havia nenhum vagam menção sobre fatos importantes como os que lembrassem que após a “vitoriosa” campanha golpista contra “contra a corrupção” na Petrobrás o litro da gasolina está chegando a cerca de R$ 5 (como defendia Aécio Neves em sua campanha eleitoral 2014), há apenas no Rio de Janeiro mais de 100 mil trabalhadores demitidos pela paralisação de obras contratadas pela empresa e que o governo Temer (junto com outros “heróis” da luta contra a corrupção) está entregando o petróleo nacional para a Shell e outros monopólios estrangeiros e perdoou cerca de R$ 1 trilhão em impostos devidos por estes monopólios para o Tesouro Nacional, talvez quem sabe para “combater a pobreza” dos banqueiros e especuladores internacionais que patrocinaram o golpe de estado.

Quase tudo era reacionário no desfile da escola e repetia as versões fantasiosas da realidade veiculadas pela Globo e toda venal imprensa burguesa. Os presos (em sua imensa maioria pobres e negros), por exemplo eram apresentados como exemplos de grandes corruptos e a violência como – quase tudo de ruim – como um resultado da “monstruosa corrupção” e não como resultado direto da exploração capitalista e do aprofundamento dos ataque dos golpistas contra o povo brasileiros, os quais já está levando ao desemprego mais de 15 milhões de brasileiros.

A manipulação do carnaval pela Globo e seus aliados da direita não constitui uma novidade. A Beija-Flor foi, sem sobra de dúvidas, uma das maiores beneficiárias desse controle crescente sobre a grande festa popular, no Rio de Janeiro e em todo o País; destacadamente na imposição do regime das “super-escolas de samba SA, super-alegorias, escondendo gente-bamba”, como anunciava um popular samba da década de 80. A Escola comandada pela direita cresceu fazendo apologia da direita (na década de 70 se destacou apresentando um samba de exaltação dos 10 anos da ditadura militar, o “grande decênio”) e vendendo seus enredos para divulgar interesses turísticos e empresariais.

A diferença deste ano é que toda esta operação ficou claramente revelada para milhões de pessoas, diante do espetacular desfile realizada pela Escola de Samba Paraíso do Tuiutí que denunciou, ao falar dos 130 anos da Lei Áurea, a continuidade e aprofundamento da escravidão, com o golpe de estado e suas medidas como a “reforma” trabalhista e outros ataques e desmascarou que estas “conquistas” foram o resultado direto da manipulação da campanha golpista “contra a corrupção” exaltada pela Globo e pela Beija Flor, com seus patos da FIESP, suas camisetas da CBF, suas bateções de panelas em varandas luxuosas etc.

Até mesmo pelos critérios “técnicos” – impostos sob medida para beneficiar as escolas mais abertamente comandadas pela direita do Rio – e pela “voz de Deus” do gosto popular, outras escolas também poderiam ter se sagrado campeãs, como a Mangueira, Portela e Salgueiro. Mas a Globo e os “donos” resolveram promover o golpe total também no samba para promover sua política reacionária

Assim a Beija Flor ficou com o título, da mesma forma que Temer com a presidência. Sem apoio popular e contra a vontade da imensa maioria do povo.

Fia claro que até para defender o samba e a vontade do povo em todos os terrenos, é preciso lutar e derrotar o golpe. No carnaval e em todos os terrenos. “Contra o monstro estrangeiro, que com todo seu dinheiro, quer calar a nossa voz”, como conclama um belo samba-enredo carioca0, de tempos passados.

Nessa luta uma das tarefas centrais é acabar com o monopólio da Rede Globo, inimiga do povo e do carnaval