Fora de controle
Números alarmantes de contaminação na empresa mostram que direção só quer saber de privatizar, os trabalhadores estão por conta própria.
28/11/2007-Plataforma P-52 começa a produzir no Campo de Roncador. Foto: Stéferson Faria
Empresa estatal está sendo entregue ao imperialismo enquanto trabalhadores morrem de covid-19. | Foto: Reprodução
28/11/2007-Plataforma P-52 começa a produzir no Campo de Roncador. Foto: Stéferson Faria
Empresa estatal está sendo entregue ao imperialismo enquanto trabalhadores morrem de covid-19. | Foto: Reprodução

De acordo com reportagem da FUP (Federação Única dos Petroleiros), o genocídio do coronavírus está atigindo níveis incontroláveis para os trabalhadores dessa categoria. Com números alarmantes que se destacam em 10% do efetivo da empresa já tendo sido infectado, desde o inicio da pandemia, sem nenhuma conversa da direção com os trabalhadores, simplesmente deixando os operários vulneráveis ao contágio.

5% em uma semana

Os números mostram que, em apenas uma semana, foram mais 5% o aumento em infectados pela doença que já matou milhões no mundo inteiro, saltando de 4.048 atingidos para 4.250. Em 6 de janeiro, eram 525 casos ativos, dos quais 210 confirmados e 54 em triagem. No último dia 12, esses números subiram para 556 novos casos registrados, sendo que 226 confirmados e 73 em triagem, segundo informações do grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), responsável pelas ações de gestão relativas à pandemia da Covid-19 nas unidades da empresa.

Estes dados, mesmo que subnotificados mostram que a Petrobras, a serviço da direita golpista que tenta sucatea-la, vendendo-a em várias partes para o capital internacional, está pouco se lixando para os funcionários. Como no primeiro caso de morte registrado na Usina do Xisto, em São Mateus do Sul mostrou: Ederson Luiz de Lima, conhecido como Bigo, caldereiro, operário de manutenção e presente marcada em todas as greves de fábrica, ele deixou dois filhos, neto e esposa. O trabalhador estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital São Lucas, em Campo Largo.

Descaso resulta em mortes

Nesta mesma fábrica há uma grande possibilidade de contágio em massa, visto que o efetivo compõe de quatro mil trabalhadores, 1 mil diretos e 3 mil indiretos. O risco de contaminação é denunciado constantemente, já existe uma série de denúncias sendo feitas ao Sindipetro (Sindicato dos Petroleiros), não há nenhum ”protocolo de segurança” estabelecido, um exemplo disso são os ônibus e trens lotados, verdadeiras latas de sardinha no país inteiro. Mas mesmo dentro das empresas, na área dos refeitórios, há relatos dos trabalhadores aglomerados para fazer sua alimentação, a coisa mais básica, mostrando o descaso dos patrões.

Outra morte também aconteceu nesta semana, em Manaus, mas a empresa continua omitindo dos sindicatos os números de óbitos, tanto de trabalhadores próprios, quanto de terceirizados. Na reunião com o EOR, ocorrida na última quarta-feira, 13, a FUP tornou a cobrar transparência nas informações relativas às ações de combate à pandemia. Além da subnotificação dos casos de Covid entre os terceirizados, a Petrobrás também continua negando o acesso dos sindicatos à Normas Técnicas e protocolos que orientam os procedimentos relacionados à doença, como testagem, afastamento e monitoramento dos trabalhadores após diagnósticos positivos e ações de mitigação.

Motivo é o lucro dos patrões, trabalhadores não devem ter nenhuma ilusão!

Finalmente, a insistência da empresa em não aceitar o nexo causal, isto é – que o trabalhador prove que o exercício de sua profissão ou as condições de trabalho teriam propiciado o risco de contágio pela doença do coronavírus – só escancaram o óbvio nas reuniões feitas: a motivação é econômica, pois como já havia alertado estudo publicado pela Fiocruz em outubro passado. “O reconhecimento da Covid-19 como doença do trabalho e a emissão da CAT implica elevar a TAR (Taxa de Acidentes Registráveis), um dos indicadores de desempenho das empresas do setor vinculado a dinâmica da concorrência internacional”, ressalta o parecer da entidade.

É essencial não nutrir nenhuma ilusão de que a Petrobras controlada pelos golpistas, na figura do capacho presidente Castello Branco, que está lá para entregar a empresa para o imperialismo, basicamente, fará alguma coisa para que o genocídio da pandemia pare. Não vão fazer nada, os trabalhadores estão por conta própria, isto é, com suas organizações, sindicatos, partidos, etc. Somente o poder da mobilização popular, nas ruas, é que pode fazer frente ao problema do coronavírus em todas as categorias

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