Caos
Em um cenário assim, não poderia faltar o receituário neoliberal do FMI, onde a palavra-chave é privatização
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Pandemia corrói o capitalismo mundial, que não havia sequer se recuperado da crise mundial de 2008 | Foto: Petra Wessman | Flickr

A crise causada pela chegada do Coronavírus ao Brasil apenas aprofundou a crise do próprio sistema capitalista atrasado, que vigora no País e que teve um impulso gigantesco a partir da crise econômica iniciada em 2008 e no Brasil a partir do golpe de Estado de 2016.

Várias empresas de pequeno e médio porte que já vinham tendo dificuldades de se manter acabaram colapsando com a pandemia e as medidas necessárias de restrição da circulação de pessoas. Há pouco tempo o cenário apesar de já dar sinais falência era um pouco mais otimista.

Recordemos, pois que em 2014 o Brasil vivia um período reconhecido como o do Pleno Emprego e o Estado gerido pelo PT incentivava a atividade econômica adotando um modelo (hoje esgotado) de financiamento público para grandes obras de engenharia e infraestrutura que edificava desde hidroelétricas até arenas de futebol.

Não atoa neste período surgiu o movimento “Não vai ter Copa!” liderado por figuras deploráveis como o oportunista da moda Guilherme Boulos, que atualmente se destaca como o carreirista eleitoral oficial do PSOL. É desta época também a famigerada Operação Lava Jato que a cada dia mostra seus verdadeiros propósitos; agir contra a soberania nacional.

Desde então no Brasil as demissões, a carestia, o desemprego em massa, e as privatizações, que são uma receita velha e já conhecida do cenário caótico capitalista, tiveram sua amplitude multiplicada, alcançaram seu ápice com o Golpe e o apogeu definitivo com o Covid-19, que por sua vez escancarou a incapacidade total do capitalismo de responder às problemáticas que ele mesmo cria.

Já são mais de 14,1 milhões de trabalhadores brasileiros sem emprego, tendo a taca de desemprego registrado 14,6% no final setembro. Foram mais de 11,3 milhões de postos de trabalho fechados em 12 meses, sendo que mais da metade da população com idade para trabalhar (economicamente ativa) está sem ocupação formal. Um desastre completo.

Para termos uma ideia do tamanho da crise, de acordo com os dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL), apenas na cidade de São Paulo foram mais de 12 mil bares e restaurantes fechados durante a pandemia, diversos destes eram estabelecimentos históricos da metrópole como o PASV da Avenida São João que operava desde 1970 e o Abuz-Zuz, restaurante de comida libanesa localizado no Brás e que abriu suas portas em 1989.

Alguns “especialistas” correram defender as medidas tímidas de socorro governamental dado pelos golpistas durante a crise atual. As esmolas do Auxílio Emergencial escancararam que o país estava caindo na pior forma de crise social: a volta da fome em massa. Comemoram-se os R$ 300 bilhões injetados na economia com o auxílio e esquece-se que este valor é o que os quatro maiores bancos do país lucraram nos últimos três anos sem pagar um único real de imposto sobre lucros e dividendos que foram parar em grande parte no exterior para alimentar paraísos fiscais da burguesia.

Criando mais uma solução mágica o Ministério da Economia permitiu o saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), um ato de desespero administrativo para elevar a renda da classe trabalhadora que sem opção acabou adotando a medida e em grande parte entregou sua “poupança” para cobrir as dívidas contraídas com o cheque-especial e os juros dos banqueiros criando assim um círculo vicioso.

A demanda artificial criada com o auxílio emergencial também revelou a incapacidade ou má vontade das empresas capitalistas de retomar os níveis de produção, preferindo apostar na alta dos preços e no lucro astronômico. Um dos setores que mais foram impactos foi justamente o de alimentos e os bens industriais duráveis.

Com um mercado externo totalmente dependente da necessidade chinesa em importar matérias-primas brasileiras, o desequilíbrio na balança comercial outrora comemorado resultou na desvalorização da moeda brasileira e elevou o custo de vida internamente e escancarou mais uma vez o atraso industrial do país e a dependência da economia nacional da exportação de commodities.

Logo surgiram os espirituais “investidores”, seres mitológicos cuja única opinião consensual se resume a “preocupar-se com o futuro das contas públicas e da sustentabilidade fiscal do Brasil”. Esta preocupação pode ser traduzida como “parem de gastar com os pobres e nos repassem os juros da dívida”.

Enquanto isso os valores dos alugueis disparam e a única medida adotada é respeitar o santificado IGP-M, prevista para fechar o ano acima dos 20%, e sua aderência univitelina com a cotação do dólar (sic).

A inércia industrial do país elevou a dívida bruta do setor público que no final de 2019 já era de 75,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para os inéditos 90% do PIB em 2020. Com uma perspectiva catastrófica pela frente onde não há sinais de recuperação industrial e sim de mais desindustrialização e desemprego em massa, esse percentual deve ser elevado facilmente aos 100% do PIB e além deste.

Em um cenário assim não poderia faltar o receituário neoliberal do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde a palavra-chave é privatização, ou seja, maior custo de vida, mais desemprego e o lucro dos capitalistas garantido.

O governo Bolsonaro que já acumula um déficit primário de R$ 632,9 bilhões, ainda aposta toas as suas fichas na “agenda de privatizações e concessões”, sendo que a maioria destas iniciativas foi frustrada nos dois primeiros anos de governo, algumas devido às exigências dos especuladores que ainda consideram os preços altos e o risco elevado e outras porque o Executivo não consegue “convencer” o Congresso Nacional de que privatizar desenfreadamente serviços essenciais não explodirá em curto prazo uma crise social sem precedentes.

Um dos alvos principais é a privatização Eletrobrás, empresa pública que o governo quer entregar por míseros R$ 60 bilhões. A empresa pública é mesma que foi responsável pelo “Programa Luz Para Todos” nos governos do PT e que recentemente teve que socorrer o estado do Amapá que ficou inteiramente no escuro por semanas devido ao serviço precário de fornecimento de energia que lá é privado e que pertence a um grupo estrangeiro espanhol.

Fazendo esta breve retrospectiva fica evidente que não foi pandemia a única responsável pela crise de conjunto atual, ela apenas ajudou a aprofundar uma crise histórica que o capitalismo sofre e que comprovadamente já não possui muitas alternativas para contornar.

No que consiste aos trabalhadores, estes tendem nesta próxima etapa a reorganizar-se politicamente para resistir a sequencia de ataques que se somarão em escala e nesta perspectiva a construção de um partido operário e revolucionário da classe terá papel fundamental para esmagar a reação burguesa diante do caos que a própria geriu conscientemente.

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