Um setor do PCdoB
Grupo dentro do PCdoB falou “fora Dilma” e agora apoiou os candidatos da direita, em nome da frente ampla
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A fusão do golpista PPL com o PCdoB | Arquivo.

Muitos conhecem o furor golpista de grupos da esquerda pequeno-burguesa como o PSTU e correntes internas do PSOL que, em pleno avanço da direita contra o governo Dilma, disseram “Fora todos”, Fora Dilma”, “Todos são iguais” ou coisas do gênero, se alinhando à direita. Mas pouca gente deve se lembrar da posição de um grupo político que, mesmo que seja estranho chamar de esquerdista, esteve com a política mais radical em defesa do golpe, defendendo o impeachment de Dilma, o Partido Pátria Livre (PPL).

O partido foi legalizado em 2011 após décadas dentro do PMDB. O PPL era uma espécie de corrente de “esquerda” dentro do PMDB desde os anos 80, grupo que herdou o nome do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), grupo guerrilheiro fundado em 1966.

De guerrilheiro, o MR-8 tinha apenas a sigla. Eram uma ala hiper direitista do movimento sindical nos anos 80, conhecidos inclusive por sua política de agressões contra militantes em particular das oposições sindicais que se organizavam com a queda da ditadura. Junto com o velho PCB e o PCdoB, o MR-8 era contrário à criação da CUT e do PT.

Fica bem claro, com um resumo bem curto do grupo, que a política de defesa da queda de Dilma não deve causar nenhum espanto. Mas em 2019, para fugir da cláusula de barreira, o PPL decidiu fundir-se com o PCdoB.

Embora tenham proximidade nas políticas anti-operárias nos anos 80, PCdoB e PPL tomaram aparentemente caminhos diferentes no que diz respeito ao apoio ao governo do PT e à luta contra o golpe. O golpismo do PPL não impediu que o PCdoB deixasse o grupo ingressar no partido. Com isso, o PCdoB, que procura se apresentar como partido de esquerda, tem agora boa parte de seus elementos provindos de setores da direita golpista.

Essa divisão se refletiu nas eleições municipais em São Paulo. No segundo turno, a ala PPL do PCdoB decidiu apoiar Bruno Covas do PSDB, contra o restante do partido que decretou apoio a Boulos.

Com o fim da eleição, o jornal Hora do Povo, órgão ligado ao antigo PPL, afirma que “Votações de Campos, Covas, Sarto, Manuela, Duarte, Paes mantêm frente ampla na pauta”. O único nome da esquerda citado é de Manuela, o restante são todos nomes de partidos da direita: Sarto (PDT), Paes (DEM), Covas (PSDB), Duarte (Republicanos) e Campos (PSB). E afirmam também que “Vitória de Marília em Recife e de Boulos em São Paulo inviabilizaria frente ampla” (2 a 8 de dezembro de 2020).

Essa política revela com toda a franqueza qual é a realidade da política de frente ampla. De fato, se apoiar Eduardo Paes, do DEM, pode, o apoio a Bruno Covas do PSDB não deveria se estranho. Escolher entre Boulos e Covas seria apenas um problema de saber quem faria desenvolver melhor a política da frente ampla. E de fato, desse ponto de vista, a vitória de Covas com certeza fará melhor à manobra da frente ampla.

A defesa sem vergonha da frente ampla revela qual o conteúdo dessa política. Uma operação golpista que tem como objetivo colocar a esquerda a reboque da direita. Para isso, é preciso isolar o PT, em particular a ala lulista. Por isso, segundo o antigo PPL, a vitória de Marília Arraes dificultaria a frente ampla.

Essa não é uma política exclusiva do ex-PPL, mas a política de frente ampla. O apoio a Boulos em São Paulo por parte de setores da esquerda não era nada mais do que um acidente, nem o próprio Boulos fez oposição séria ao PSDB no 2º turno. Bruno Covas também é parte da frente ampla defendida pelo próprio Boulos e mais ainda revela porque a campanha eleitoral de comadres levada por Boulos. No fim das contas, eles todos estão juntos em torno do objetivo comum frenteamplista.

Por isso o ex-PPL, hoje no PCdoB, que gritou “fora Dilma” agora chama voto em Covas. Entre todos os partidos da esquerda frente ampla, o PPL deve ser o mais coerente, se é para ser golpista, que seja até o fim.

Não adianta fazer drama para pedir votos para Guilherme Boulos em São Paulo e chamar voto em Eduardo Paes no Rio de Janeiro. Se é válido eleger o DEM, também pode ser válido eleger o PSDB. O jornal Hora do Povo sabe disso.

A posição do golpista PPL também é reveladora sobre a análise das eleições. A conversa de que seria preciso votar no “mal menor” contra os bolsonaristas não era nada mais do que propaganda para eleger a direita golpista. O PPL que chama voto em Covas, não defendeu a candidatura do PT em Vitória. Se o problema fosse derrotar os bolsonaristas por que apoiar Campos contra Marília, se justamente Campos era o candidato apoiado pela direita. Se fosse um problema de derrotar os bolsonaristas por que apoiar o Republicanos em São Luis do Maranhão. republicanos é o partido de Marcelo Crivella.

A política do ex-PPL, agora PCdoB, mostra que o que realmente está em jogo com a frente ampla não é exatamente lutar contra os bolsonaristas, mas isolar o PT e Lula. Se for para votar no PT contra um bolsonarista, nem vale a pena.

A luta contra Bolsonaro foi uma farsa para levar a esquerda a votar no “mal menor” e assim eleger a direita golpista, a mãe do bolsonarismo.

E é assim que a esquerda vai sendo levada cada vez mais a entrar de cabeça na política da direita, preparando a capitulação total nas eleições presidenciais de 2022. Esse é o objetivo final da frente ampla: fazer a esquerda apoiar candidatos da direita. O PPL e o PCdoB estão mostrando o caminho, sem vergonha e sem medo de ser feliz. Resta também a Guilherme Boulos, Marcelo Freixo e outros elementos da esquerda que defendem a mesma política saírem do armário de vez.

Se é para defender a frente com a direita golpista, os que deram o golpe de Estado e elegeram Bolsonaro, contra Lula e o PT, é preciso não tergiversar, é preciso dizer isso claramente para sua base política e não fazer demagogia dizendo serem os maiores lutadores contra o golpe e os maiores defensores de Lula. O PPL, agora no PCdoB, pelo menos manteve a continuidade política: falaram “fora Dilma e fora PT”, pediram a prisão de Lula e agora querem a vitória da direita golpista.

Os que defendem a frente ampla estão no mesmo barco dos golpistas, não adianta disfarçar com críticas eleitorais a Bolsonaro. São aliados políticos dos maiores inimigos do povo.

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