O Almirante Negro
Líder de uma das maiores revoltas da história do país, a Revolta da Chibata, a luta de João Cândido é até hoje um exemplo a ser seguido
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João Cândido | Foto: Reprodução

Na última sexta-feira, o Tição – Programa de preto, exibido pela Causa Operária TV, fez uma homenagem aos 140 anos de João Cândido, o Almirante Negro, principal liderança de uma das maiores revoltas populares no Brasil, no início do século XIX, a Revolta da Chibata.

Nascido no dia 24 de junho de 1880, filho de escravos, João Cândido entra para marinha aos 14 anos, sempre fora considerado um marinheiro exemplar, dotado de grande conhecimento naval.

Em 1910, no entanto, passados 22 anos da abolição da escravidão no país e 21 anos da Proclamação da República, o Brasil ainda vivia um período de tensões políticas, consequência diretas da crise revolucionária do período anterior, a qual marcou o século XIX como período de inúmeras revoltas populares ao longo do território nacional, levando, por exemplo, a fim da escravidão em 1888.

Os castigos físicos nas Forças Armadas haviam sido proibidos após a Proclamação da República, contudo passados menos de cinco meses uma Companhia Correcional fora criada, instituindo punições aos marinheiros, como as chibatadas.

A situação nos navios também eram degradantes, faltava comida além das péssimas condições de trabalho.

Foi então que no dias 21 de novembro de 1910 houve o estopim da revolta dos marinheiros no Rio de Janeiro. Estima-se que entre os dias 22 e 27 de novembro, sob liderança de João Cândido, 2300 marinheiros tomaram de assalto os maiores navios da marinha brasileira na época, como o encouraçado Deodoro. Sob as palavras de ordem de “Viva a liberdade” e “Abaixo a chibata”, os marinheiros colocaram o regime político da chamada República Velha de joelhos, ameaçando, inclusive, bombardear a capital do país, Rio de Janeiro, caso as reivindicações não fossem atendidas.

Diante da espetacular revolta, que ameaçava  abrir caminho para uma crise revolucionária mais aguda no país, não restou ao governo mais nada do que ceder. Após uma série de manobras no parlamento, a Revolta é controlada e as principais lideranças, dentre elas João Cândido, são presas.

João Cândido e outros marinheiros são mandados para a prisão situada na Ilha das Cobras, litoral fluminense. Os líderes do levante são submetidos à torturas, ficando dias sem alimentação, sendo “alimentados” somente com cal.

Após uma série de denúncias, o governo é forçado a libertar os presos, porém não antes de passar por cima da anistia concedida aos revoltosos. Estima-se que 1216 marinheiros foram expulsos da marinha, além de novas prisões e imposição de trabalho escravo aos rebelados.

Fora da marinha, João Cândido passou o resto da vida como pescador artesanal e trabalhando como descarregador de peixes na Praça XV no Rio de Janeiro.

O Almirante foi alvo de perseguições e campanhas difamatórias por parte da marinha até o final de sua vida. Morreu em situação precária no dia 6 de dezembro de 1969, na cidade de São João de Meriti, no estado do Rio de Janeiro.

Em 2008, João Cândido e outros marinheiros já falecidos, receberam o perdão póstumo do governo brasileiro, onde foi reconhecido a relevância da luta travada pelos rebelados.

Fato é que João Cândido, ao lado de Zumbi dos Palmares, Francisco José do Nascimento (o “Dragão do Mar”), Luiz Gama, entre outros, está eternizado na história nacional como uma das principais lideranças da luta do povo brasileiro, em especial dos negros, contra o regime de opressão e violência imposto pelas classes dominantes no decorrer dos séculos.

A luta de João Cândido e dos marinheiros revoltosos durante a Revolta da Chibata é um exemplo a ser seguido na luta pela libertação das classes exploradas de nosso país contra seus algozes.

Abaixo você pode conferir o link do programa:

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