Efeitos do golpe de Estado
Mais de 600 pacientes com câncer terão seus tratamentos quimioterápicos suspensos por falta de recursos em Cuiabá. O descaso na saúde é resultado do golpe de estado de 2016
hospital de c_ncer de mato grosso
Hospital do Câncer (MT). Foto de divulgação. |
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Hospital do Câncer (MT). Foto de divulgação. |

Nesta segunda-feira (2), pacientes em tratamento contra o câncer, com quimioterapia agendada, foram mandados embora do setor de Hematologia do Hospital de Câncer de Cuiabá (MT). De acordo com o responsável técnico da ala, não há recursos para a compra de medicação, por falta de repasses de verbas da prefeitura, que desde junho de 2018 já acumula a divida de R$ 6,8 milhões. Atualmente 600 pacientes estão com o tratamento em andamento e foram atingidos diretamente pela falta de medicamento.

O a ala do Hospital de tratamento de câncer atende pacientes de todas as regiões do estado. Cerca de 2,5 mil tratamentos quimioterápicos são feitos mensalmente na unidade. A ausência de recurso também se expande em outros setores como de Endoscopia, Colonoscopia e Iodoterapia, que somam o débito de R$ 276 mil. Os repasses de Incentivo Municipal por qualificação profissional, a divida é de R$ 693 mil. Serviços ambulatoriais de novembro a dezembro somam R$ 3,6 milhões e os serviços de média e alta complexidade R$ 168 mil.

O hospital no geral atendeu 107.326 pessoas somente no ano passado, em 2018 foram mais de 130 mil atendimentos. O problema financeiro da unidade não é de agora, porém a situação vem se agravando. Até o final do ano passado uma UTI pediátrica, inaugurada em 2018 com dez leitos para crianças em tratamento de câncer, ainda não tinha sido utilizada por falta de verbas, segundo a administração faltaram cerca de R$ 3 milhões para fechar as contas e os equipamentos de ultima geração estavam parados.

O médico André Crepaldi responsável pelo setor de Hematologia disse em reportagem para a Midia News que “no nosso setor foi só o começo. Sem esse repasse, o problema irá se alastrar para outras áreas do hospital, pode atingir todo mundo”. “Sem o devido tratamento, a vida dos pacientes é colocada em perigo, em casos graves, a suspensão do tratamento pode ser fatal, a interrupção pode afetar a cura, alerta  o médico.

Cleuza Dias, presidente da Ong MT-Mama, que atua com pacientes com câncer de mama, prepara um grupo para realizar a 7ª Marcha Rosa neste sábado (7), em Cuiabá. A concentração será as 7h30, na praça Alencastro. Entre as reivindicações está mais dignidade aos pacientes de câncer, que estão sendo afetados com o atraso nos repasses. “Todo ano a gente faz a marcha, para reivindicar aumento de profissionais especializados, equipamentos, agilidade do SUS na liberação desse tratamento. São políticas públicas que iremos reivindicar”, afirma Cleuza.

A falta de médicos, funcionários, medicamentos e dinheiro para Hospitais não é exclusividade do Hospital de Câncer de Cuiabá. Essa decadência e descaso com a saúde pública é a política do governo, que vem sendo aplicada no país inteiro desde o golpe de Estado de 2016. Está sendo continuada pelo presidente fraudulento Bolsonaro. A PEC 55, mais conhecida como a ‘PEC do fim do mundo’, aprovada na gestão do ilegítimo Michel Temer, congela o teto de gastos com saúde, educação e outras questões sociais por 20 anos.

Fica claro que esses governos golpistas não tem preocupação nenhuma com o que é público no país, muito pelo contrário, incentivam a deterioração e o desinvestimento, trabalham diretamente para destruir a atacar os serviços gratuitos e sociais de interesse dos trabalhadores e da população pobre em geral. O objetivo, no caso da saúde é que todo setor passe para a mão de empresas privadas, e se o povo quiser tratamento ou medicamento que pague por eles.

Em um país do tamanho do Brasil, com a quantidade de desempregados e subempregados, que apresenta tal nível de desigualdade entre a população, e o atual valor do salário mínimo, pagar um plano de saúde é o mesmo que uma sentença de morte. O efeito drástico dos cortes em gastos sociais está afetando a maioria dos brasileiros. O povo não deve tomar as ruas, organizar e mobilizar para por abaixo todo esse regime de golpe de Estado, que asfixia cada dia mais a classe trabalhadora no país.

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