Corte de verbas na saúde federal começa a atingir ABC, com demissões em Mauá

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Os ataques do governo federal golpista contra a saúde brasileira já se fazem sentir em Mauá e outros municípios do ABC paulista podem estar correndo o mesmo risco.

No final da última semana, a Prefeitura de Mauá confirmou ontem a demissão de 140 funcionários, ligados à FUABC (Fundação do ABC), que atuavam na rede de Saúde do município. A administração municipal que se encontra em grave crise econômica, inclusive com decretação de estado de calamidade financeira, anunciou a demissão de centenas de funcionários, situação que pegou os trabalhadores do Hospital de Clínicas Doutor Radamés Nardini, um dos mais afetados pelas demissões de surpresa.

Os funcionários demitidos são dos seguintes setores, 60 funcionários atuavam na rede básica de Saúde, outros 60 nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e 20 funcionários do Nardini.

As demissões tem a ver com a redução de verbas do PSF (Programa Saúde da Família), que já em 2007 haviam sido anunciadas pelo Ministério da Saúde redução da aplicação de verbas para o programa.

O PSF oferece atendimento primário à população, em especial de áreas carentes do município, com atendimento em domicílio, outro ramo do programa o Nasf (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) também foi afetado com a demissão de trabalhadores.

As demissões afetarão diretamente as comunidades mais carentes do município de Mauá, onde atuavam estes profissionais.

Segundo cálculos da FUABC, o contrato atual é de R$ 15,2 milhões ao mês. No entanto, a Prefeitura repassa, no máximo, R$ 12 milhões – ou seja, o déficit aumenta pelo menos R$ 3 milhões ao mês. A dívida total está acima dos R$ 120 milhões, segundo a instituição.

Conforme a FUABC, além da restrição de atendimento no PS, a demissão dos colaboradores foi outra medida emergencial necessária que busca “evitar o colapso do sistema de Saúde do município”.

Ontem, representantes do SindSaúde ABC (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Privados de Saúde do Grande ABC) fizeram assembleia com trabalhadores do COSAM (Complexo de Saúde de Mauá), para discutir as demissões que estão inclusive sem previsão de pagamentos das verbas rescisórias. O Sindsaude ABC está entrando com ação coletiva para garantir ao pagamento dos trabalhadores e também pedindo a reintegração dos mesmos.