A corrupção vai acabar no mundo inteiro e seu fim inaugurará uma nova era de honestidade universal

A corrupção está terminando no mundo. A história terminou com o fim da União Soviética, como explicou Francis Fukuyama. Chegamos ao primeiro e último regime político perfeito e eterno da humanidade: a democracia liberal; e ao primeiro e último modo de produção eterno e perfeito: o capitalismo. Para fundar o paraíso na terra, no entanto, ainda faltam alguns ajustes, como o fim da maldade no planeta e o desaparecimento definitivo da corrupção em todas as partes.

Essa democracia é muito pouco democrática e “liberal”, e a concorrência capitalista virou peça de museu diante dos monopólios imperialistas, mas deixemos esses detalhes de lado. A história terminou e os últimos detalhes para que se erga um paraíso na terra já estão sendo acertados. Em países atrasados de todos os continentes presidentes e primeiros-ministros estão caindo por causa da corrupção.

A corrupção vai acabar no mundo inteiro e seu fim inaugurará uma nova era de honestidade universal

Esta semana, foi a vez de Jacob Zuma, ex-companheiro de prisão de Nelson Mandela em Robben Island e, até quinta-feira (15), presidente da África do Sul. Os investidores, sempre muito preocupados com a probidade na administração pública, comemoraram o fim do governo de Zuma com uma ascensão de três pontos na bolsa de Johannesburgo. A moeda local, rand, atingiu sua maior cotação diante do dólar em três anos. Os tubarões capitalistas estão em festa com o avanço da luta contra a corrupção.

Zuma foi obrigado a renunciar por seu próprio partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), que sofre com uma divisão interna. Caso não renunciasse, Zuma passaria por um voto de desconfiança no Parlamento, e perderia o mandato por decisão dos deputados. Em seu lugar, empunhando a bandeira da honestidade contra a corrupção, Cyril Ramaphosa assumiu o cargo. Ramaphosa é descrito pelo Financial Times como um dos “homens de negócios” negro “mais ricos” da África do Sul.

Com esse desfecho, mais um presidente cai por intervenção do Parlamento, como aconteceu no Brasil, em que o Congresso Nacional votou o impeachment de Dilma Rousseff. Também no Brasil, garantiam os deputados enquanto anunciavam seus votos, a derrubada do governo eleito pelo povo fazia parte da cruzada universal contra a corrupção. O sucesso incontestável dessa cruzada moderna pode ser testemunhado no país todos os dias.

Além do Brasil e da África do Sul, outros países que foram libertados dos males da corrupção para sempre foram a Ucrânia, a Tailândia e a Argentina, entre muitos outros que ainda se poderia mencionar. A corrupção está sendo varrida da face da terra. Todos os povos ouviram o clamor da Beija-Flor de Nilópolis, a panaceia da humanidade é o estabelecimento de governos honestos.

Curiosamente, o mundo está se tornando melhor e mais radiante em detrimento de governos, invariavelmente, com as mesmas características de classe: são todos governos nacionalistas burgueses em países atrasados. Com uma burguesia fraca demais para fazer frente ao imperialismo sozinha, os países atrasados têm governos nacionalistas que procuram se apoiar nos trabalhadores por meio de concessões sociais, como, por exemplo, programas como o Bolsa Família.

É justamente esse tipo de governo que está acabando ao redor do globo terrestre graças ao “combate à corrupção”. Para quem nega que tenha havido um golpe no Brasil, como alguns setores da esquerda insistem em fazer até hoje, a única explicação possível para todos esses acontecimentos é o triunfo universal da honestidade contra os corruptos. Para quem escolheu ignorar as contradições entre o nacionalismo burguês e o imperialismo, é impossível ver uma conexão entre a queda de tantos governos em tantos lugares sob o mesmo pretexto em um espaço tão curto de tempo. Restam apenas explicações irracionais ou simplesmente explicação nenhuma.