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Por uma greve da categoria
Correios não é “serviço essencial” e precisa parar
Não dá para os trabalhadores colocarem suas vidas em risco para satisfazer àqueles que têm condições de ficar em casa
correios 1607
Por uma greve da categoria
Correios não é “serviço essencial” e precisa parar
Não dá para os trabalhadores colocarem suas vidas em risco para satisfazer àqueles que têm condições de ficar em casa
Arquivo DCO.
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Arquivo DCO.

Já criticamos na semana passada a posição dos sindicalistas dos Correios, de todas as correntes políticas (PT, PCdoB, Psol, PSTU e outros), de terem adiado pela quarta vez apenas esse ano a greve da categoria. O último adiamento ocorreu no dia 17, quando deveria ser aprovada a greve do dia 18. A justificativa absurda foi que a greve colocaria em risco a saúde da categoria por conta da pandemia.

Segundo a lógica dos sindicalistas, para os maais de 100 mil trabalhadores da empresa, ficar em casa de greve seria mais arriscado do que ir trabalhar nos Correios.

O governo Bolsonaro, por meio do presidente da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), General Floriano Peixoto, preocupado com a possibilidade de uma paralisação das atividades da empresa,, correu no STF para pedir que a atividade fosse considerada “essencial”, ou seja, que fosse proibido parar e por consequência proibido fazer greve.

E assim estão os trabalhadores da ECT desde então. A pandemia se agravou, a campanha da própria esquerda do “fique em casa” ganhou corpo, mas nada de os sindicatos mudarem sua posição e chamar a categoria para a greve. Uma greve que seria, não apenas pelos tantos motivos que já teriam para ser feita – privatização, demissões, ataque ao plano de saúde -, mas agora, necessária para preservar a saúde da categoria.

É bom lembrar que em São Carlos, no interior de São Paulo, um trabalhador já morreu com os sintomas do coronavírus.

Mesmo com tudo isso, os sindicalistas se recusam a chamar a categoria para a greve. Alguns apenas “aconselham” o trabalhador a não trabalhar caso não tenha materiais de segurança no setor e de fato, chegam denúncias de que faltam materiais em muitos locais. Os carteiros continuam na rua, os operadores de triagem e transbordo continuam dentro dos galpões manipulando dezenas de milhares de objetos empoeirados.

Para piorar, a empresa baixou uma norma cortando os adicionais dos trabalhadores que tiveram condições de pedir o afastamento. Essa possibilidade foi dada a companheiros acima dos 60 anos, com filhos que deveriam estar na escola e demais grupos de risco.

Mesmo assim, os que tiveram a possibilidade de se proteger são pressionados a continuar trabalhando. Se não, perderão os adicionais recebidos e o vale transporte. Aqueles que recebiam pelo trabalho de final de semana também ficarão com o salário mais baixo.

É assim que funciona a empresa. O trabalhador tem a “opção” de escolher entre trabalhar e correr o risco de ficar doente ou ir para casa e ter o salário rebaixado.

Vários setores da categoria já começaram a se mobilizar apesar da vacilação dos sindicalistas. Há registros de paralisações e protestos no complexo de Cajamar, em São Paulo, no Distrito Federal e na Bahia.

A situação é insustentável e a categoria deve se mobilizar independentemente da decisão dos sindicalistas. Não dá para aceitar que a vida de mais de 100 mil trabalhadores e seus familiares sejam colocadas em risco para satisfazer aquela camada da sociedade que pode desfrutar do “confinamento”.

Com raríssimas exceções pontuais a atividade dos Correios não é serviço essencial e precisa ser paralisada.